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Livrologia

by Miss X

Livrologia

by Miss X

16
Abr17

A literatura ocupa o seu próprio e inconfundível lugar na vida do espírito

A literatura não é uma ilha utópica para onde se vai viver, antes um livre exercício imaginativo que não obriga o leitor a perder o mundo como sua referência empírica.

Em suma, a literatura ocupa o seu próprio e inconfundível lugar na vida do espírito. Não com a veleidade de surgir como uma via «séria» ou intelectualmente depurada rumo a uma verdade, seja esta filosófica, científica ou religiosa mas com o objectivo de criar mundos ficcionais para ajudar a viver melhor no mundo real. Isso, porém, não demite a literatura de perseguir fins mais elevados.

Basta ler o Decameron para o compreender. Lá, vamos encontrar crítica social, religiosa, moral. O que a afasta de outros planos não são os conteúdos, é a forma, assim como o espírito de quem escreve e o espírito de quem lê.

Podemos aprender com os romances mas não é para aprender que os lemos.

Podemos fazer Filosofia com os romances mas não é para fazer Filosofia que os lemos.

Podemos fazer crítica social com os romances mas não é para fazer crítica social que os lemos.

Lemos romances, contos, enfim, histórias, porque dão prazer, mais um prazer que perseguimos na vida no meio de tantos outros.

in ponteirosparados.blogspot.pt

Imagem relacionadaImagem universe.zp.ua 

16
Abr17

Céline| Comecei na pobreza e é assim que vou acabar

A sua profissão como médico trouxe-lhe um certo número de revelações e experiências que transcreveu nos seus livros.

 

Oh sim, oh sim, passei trinta e cinco anos a praticar medicina, e isso conta. Corri muito na minha juventude. Subíamos muitas escadas, víamos muita gente. Ajudou-me muito sob muitos aspectos, devo dizer. Sim, enormemente. Mas não escrevi nenhum romance médico, isso é um aborrecimento abominável ... como Soubiran.

 

Sentiu a sua vocação médica muito cedo na vida, e mesmo assim começou de forma completamente diferente.

 

Oh, sim. E como! Queriam transformar-me num comprador. Num vendedor de um departamento de uma loja! Não tínhamos nada, os meus pais não tinham meios, percebe? Comecei na pobreza e é assim que vou acabar.

 

Louis-Ferdinand Céline em entrevista

Tradução livre do inglês de entrevista a Céline por Jacques Darribehaude and Jean Geunot in The Art of Fiction No. 33-www.theparisreview.org

16
Abr17

Knut Hamsun| Na Ilha Blåmandsøy

Os pequenos passos tímidos pelas páginas de Knut Hamsun levaram-me primeiro a este conto que, das suas poucas palavras se amplifica numa grandiosidade abismal do que é aparentemente pequeno, mas que se estende pelas vastas planícies do interior do ser humano.

 

O conto Na Ilha Blåmandsøy conta-nos também das difíceis e complexas relações que se estabelecem entre os habitantes das pequenas ilhas

Como em todas as pequenas ilhas, tudo o que se sente e tudo o que acontece tem um impacto diferente na forma como as pessoas encaram a realidade e se uma pequena alegria poderá traduzir-se no alcançar da plena felicidade, um triste acontecimento ou uma insatisfação poderá desencadear ódios, desejo de vingança e culminar numa tragédia.

Knut Hamsum em Na Ilha Blåmandsøy explora como as relações humanas poderão ser um reflexo da própria natureza envolvente, da mesma forma que nos mostra que o ser humano pode ser escravo dos seus sentimentos e desejos mais obscuros tornando-se na criatura mais solitária de uma pequena ilha, tornando-se também ele uma ilha perdida na imensidão do oceano.

Jorge Alexandre Navarro in rodadoslivros.wordpress.com

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