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Livrologia

by Miss X

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03
Fev16

Philip Roth | O Animal Moribundo

Tenho que confessar que quem me fez ler Philip Roth - quis o acaso que fosse este o livro escolhido - foi a Maria do Rosário Pedreira no seu blog Horas Extraordinárias onde confessa:

Para mim, Roth é um dos eternos candidatos ao Nobel da Literatura que, se calhar, morrerá sem o ter.

 

Muitos podem acusar Roth de ser pornográfico o que considero ser uma descrição demasiado linear e um insulto à qualidade do texto deste escritor. Acho-o de uma sensualidade humana e criadora, que choca exactamente pela sua normalidade.

Neste livro aborda a velhice sob a perspectiva do amor e do desejo. Mordaz, sarcástico e de uma franqueza absurda, quase ultrajante, com um humor amargo que nos toma de assalto e nos despe socialmente.

O título vem do poema de William Butler Yeats:

Death

Nor dread nor hope attend
A dying animal;
A man awaits his end
Dreading and hoping all;
Many times he died,
Many times rose again.
A great man in his pride
Confronting murderous men
Casts derision upon
Supersession of breath;
He knows death to the bone
Man has created death.

 

O livro centra-se num dos dois alter-egos de Roth, David Kepesh que decide viver uma virilidade emancipada, sem família e sem esposa. Ao longo dos anos foi refinando esta sua filosofia de vida que subitamente se fragmenta numa enlouquecedora possessividade sexual por uma mulher que o transporta aos extremos da obsessão e do ciúme.

03
Fev16

Philip Roth| Uma viagem alucinante pela solidão humana

Philip Roth está a ser uma viagem alucinante pela solidão humana, pela intimidade que nos transforma e nos transtorna, pela animalidade sorrateira e predadora que habita em cada um de nós. 

 

A TV está a fazer o que faz melhor: o triunfo da banalização sobre a tragédia.

A mais ténue lucidez acerca da miséria tornada normal pela nossa era sedada pela grandiosa estimulação da maior das ilusões.

 

O humor é rebelde, com uma perspicácia sem precedentes, que coloca os pontos nos is na verdadeira natureza do ser humano, sem o desculpar ou infantilizar.

Vou querer ler muito mais deste escritor, mas só para o ano, que estou outra vez de castigo na biblioteca por ter entregue os livros com um mês de atraso.