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Livrologia

by Miss X

Livrologia

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03
Fev16

Sully Prudhomme| Inspiração científica

Prudhomme queria ser engenheiro e estudou para o ser. Mais tarde reconsiderou e decidiu que queria escrever poesia científica para os tempos modernos. 

Fico sempre fascinada quando os estudiosos das matemáticas, físicas e químicas se transformam em grandes humanos das letras e da literatura.

Que transformação será essa que se opera nos bastidores da sua inspiração científica? 

Que processos orgânicos estarão por detrás dessa descoberta?

Qual equação matemática, onde não importa vislumbrar solução, mas onde foi encontrado todo o sentido.

03
Fev16

Sully Prudhomme| A poesia como cura de um coração partido

Nesta minha senda de leituras dos galardoados com o Prémio Nobel, comecei por investigar o primeiro prémio atribuído em 1901 a Sully Prudhomme.

Sempre que pesquiso por algum escritor, encontro sempre obras dele traduzidas em inglês, mas neste caso não. 

Pesquisei, procurei e nada.

Visto que é um poeta e filósofo francês, tudo o que escreveu fê-lo na sua língua materna e assim se manteve até aos dias de hoje. Aliás, encontrei um ebook traduzido em inglês, mas os comentários a essa edição não eram os mais abonatórios. Na Wook há uma lista extensa, com indicação de que são edições em língua inglesa, mas cujos títulos estão em francês. Uma incongruência.

Portanto, o Prémio Nobel de 1901 basicamente ficou esquecido entre as brumas da memória da tradução para nunca mais de lá sair.

All who loved human poetry, the poetry of sweetness and light, took Sully Prudhomme to their heart of hearts.

www.goodreads.com

Sully_Prudhomme.jpgImagem en.wikipedia.org

 

A poesia como meio de cura de um coração partido é centenária. Prudhomme fê-lo e fê-lo tão bem que recebeu o 'reconhecimento [pel]a sua composição poética, que dá provas de idealismo elevado, perfeição artística e uma combinação rara das qualidades do coração e do intelecto'.

Recebeu o Prémio Nobel em detrimento de Leo Tolstoy o que causou algum descontentamento nas hostes literárias que consideravam a sua poesia competente mas sem inspiração. Aliás, Tolstoy é um dos doze escritores que se achava merecedor do Nobel, mas que nunca o recebeu.

Prudhomme escreveu não só poemas épicos, como também crítica literária, raciocínios científicos e pensamentos filosóficos.

Encontrei um poema, traduzido em inglês, as únicas palavras que lerei deste poeta filósofo:

 

The Broken Vase

 

The vase that holds the dying rose

Tapped lightly by a lady’s fan

Cracked at this slightest of all blows,

Though not an eye the flaw could scan.

 

And yet the line, so light, so slight,

Etched ever deeper on the bowl,

Spread to the left, spread to the right,

Until it circled round the whole.

 

The water sinks, the petals fall,

Yet none divines, no word is spoken;

The surface seems intact to all;

Ah! Touch it not – the vase is broken.

 

Thus oft the heart is lightly brused

By some slight word of those we cherished;

Yet through the wound our blood has oozed,

 As lo! The flower of love has perished.

 

Thought to the world our life seems whole,

The hidden wound is unforgotten;

It grows and weeps within the soul:

The heart is broken – touch it not.