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Livrologia

Livrologia

29
Jul21

Eu escuto que n√£o escuto

Às vezes quando a noite avança

e drapejantes param luminosas trevas,

eu escuto que n√£o escuto

sequer teus l√°bios horizontes de asas.

 

Excerto do poema O Rei de Tule

Fidelidade (1958)

in Poesia II de Jorge de Sena

29
Jul21

E os destinos vivem-se como outra vida

E os destinos vivem-se

como outra vida. Ou como solid√£o.

E quem l√° entra? E quem l√° pode estar

mais que o momento de estar só consigo?

 

Diz-me assim devagar coisa nenhuma:

o que à morte se diria, se ela ouvisse,

ou se diria aos mortos, se voltassem.

Excerto do poema Fidelidade

Fidelidade (1958)

in Poesia II de Jorge de Sena

28
Jul21

Tínhamos alergia às ditaduras

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Nesta fase da leitura de Sena j√° o conhecemos suficientemente bem para adivinhar qual a sua postura perante a ditadura.

Um inconformista e um humanista Jorge de Sena chegou a envolver-se numa tentativa falhada de golpe de Estado militar contra o regime salazarista em 1959 - o Golpe da Sé -  partindo voluntariamente para o exílio nesse mesmo ano, nunca mais regressando a Portugal de forma definitiva.

Jorge de Sena partiu em 1959 para o exílio, porque estava "coarctado" na sua liberdade. "Saímos para ele escrever sem pensar nos limites que lhe eram impostos", explica a sua mulher. 

Jorge de Sena exilou-se ent√£o voluntariamente no Brasil, onde chegou a 7 de Agosto. "Passou a ter condi√ß√Ķes de vida e de trabalho que potenciaram a sua criatividade", diz Jorge Fazenda Louren√ßo, especialista na obra deste autor.¬†

Nos anos seguintes, "ir a Portugal era um jogo", porque entre 1959 e 1968 "tinha ordem de prisão", conta Mécia de Sena. Saíram do Brasil por causa do golpe militar em 1964. "Tínhamos alergia às ditaduras. Saímos do Brasil também por causa da ditadura", explica Mécia.

in P√ļblico

28
Jul21

N√£o sei porque n√£o falam disto

N√£o sei porque n√£o falam disto.

Será porque falar ameaça no hálito tão ténue

a flor lindíssima que o menor sopro mata?

Falando todavia, tudo se suspende;

e que n√£o existe para sempre mesmo depois das palavras?

Excerto do poema A Cidade Feliz

Fidelidade (1958)

in Poesia II de Jorge de Sena

27
Jul21

Jorge de Sena| O Comboio das Onze

Um conto surrealista com uma história insólita e incoerente. 

√ďscar Lopes descreveu-o como¬†um texto surrealista em que v√°rios¬†recursos mais ou menos felizes da absurdez narrativa apenas deixam coar¬†uma atmosfera, apesar de tudo bastante homog√©nea, de uma experi√™ncia¬†de vida ferrovi√°ria nos sub√ļrbios de Lisboa nos meados do s√©culo.
26
Jul21

Ergue-te e caminha!

Na cabina telefónica onde o guarda ficara morto, o telefone tiniu. O vento sibilava matutinamente já por entre a tepidez do ar, a qual rodeava a frialdade cadaverosa do homem de bigode e mesmo algum cotão que espreitava dos refegos dos bolsos meio revirados. Um gato correu rapidamente ao longo dos carris que começaram a vibrar cada vez mais. Um apito se ouviu ao longe. Pancrácio abriu a porta, entrou e disse: - Ergue-te e caminha!

Excerto do conto O Comboio das Onze

in Antigas e Novas Andanças do Demónio (1960 e 1966)

de Jorge de Sena

Quanto mais leio, menos sei

O autor português de 2021 é Jorge de Sena
Preparem-se para dar a volta ao vosso mundo
A autora portuguesa em destaque de 2019/2020 foi Sophia de Mello Breyner Andresen
Visitem o seu mundo encantado
Tudo o que escrevi para o Desafio de Escrita dos P√°ssaros est√° aqui!
Tudo o que escrevi para Os Desafios da Abelha est√° aqui!
Já começou a viagem pelo mundo da Gata Borralheira.
Cinema e literatura num só.
Venham também!
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A imprensa comentada no final de cada mês na Operação Bookini
Espreitem as bookinices
A autora deste blog n√£o adopta o novo Acordo Ortogr√°fico.

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