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Livrologia

Livrologia

12
Jul20

Ele falava com o mar

No alto da duna o B√ļzio estava com a tarde. O sol pousava nas suas m√£os, o sol pousava na sua cara e nos seus ombros. Ficou algum tempo calado, depois devagar come√ßou a falar. Eu entendi que ele falava com o mar, pois o olhava de frente e estendia para ele as suas m√£os abertas, com as palmas em concha viradas para cima.

Era um longo discurso claro, irracional e nebuloso que parecia, com a luz, recortar e desenhar todas as coisas.

in Homero

Contos Exemplares - Sophia de Mello Breyner Andresen

11
Jul20

Mais tarde outra praia viria a ser o seu ref√ļgio

Untitled.png

A Praia da Granja não foi apenas um lugar de inspiração para Sophia:

Motivos concretos e símbolos excepcionais para cantar o amor e o trágico da vida, foi-os buscar ao mar e aos pinhais que contemplou na Praia da Granja.

 

Foi também o lugar onde conheceu o seu grande amor:

Parte desse fasc√≠nio n√£o era alheio ao facto de ter sido nessa est√Ęncia de veraneio que conheceu Francisco Sousa Tavares, com quem esteve casada durante quatro d√©cadas. A Xixa e o Tareco, como eram carinhosamente tratados por todos, tornaram-se insepar√°veis.

Além das conversas que mantinham durante horas, na praia e fora dela, eram presença assídua no amplo salão de dança da Assembleia, onde Sophia, leve e graciosa, impressionava sem dificuldade. 

Consumado o enlace, o jovem casal decidiu, por raz√Ķes econ√≥micas mas tamb√©m afetivas, passar a lua de mel ali mesmo na Granja, na casa de um familiar pr√≥ximo.

 

Mais tarde outra praia, a Meia Praia, viria a ser o seu ref√ļgio:

A descoberta do Algarve, logo no in√≠cio dos anos 60 do s√©culo passado, veio mudar tudo, tornando as idas √† Granja cada vez mais raras, apesar das liga√ß√Ķes familiares.

‚ÄúA √°gua era muito mais quente e n√£o fazia tanto frio‚ÄĚ, justifica Isabel, que equipara o impacto da regi√£o algarvia na sua m√£e √† influ√™ncia da Gr√©cia.

Muito distante ainda da massifica√ß√£o tur√≠stica que se iniciaria nos anos seguintes, o Algarve era uma regi√£o quase inexplorada que gozava de fraca reputa√ß√£o devido √† aus√™ncia de comodidades. Ao fim de alguns anos a passarem f√©rias na zona de Lagos, Sophia e a fam√≠lia adquiriram uma casa, a Casa da Meia Praia, que veio colocar um ponto final na incerteza existente todos os ver√Ķes acerca de qual seria o destino das f√©rias nesse ano.

No in√≠cio, Sophia sentiu a mudan√ßa, confessando ‚Äúa falta de cheiro a maresia, a iodo‚ÄĚ, mas ‚Äúos dias quentes‚ÄĚ e ‚Äúa cidade meticulosamente limpa, feita de gente honesta‚ÄĚ que era Lagos, tudo mudou.

‚ÄúAo contr√°rio do que acontecia na Granja, havia conv√≠vio com intelectuais nessas temporadas no ver√£o. O Cutileiro morava l√° perto. Muitos escritores passavam por l√°‚ÄĚ, lembra Maria Andresen.

Excertos @ Notícias Magazine

10
Jul20

Sem pensar

N√£o digas onde acaba o dia.
Onde começa a noite.
N√£o fales palavras v√£s.
As palavras do mundo.
Não digas onde começa a terra.
Onde termina o Céu.
Não digas até onde és tu.
Não digas desde onde é Deus.
N√£o fales palavras v√£s.
Desfaze-te da vaidade triste de falar.
Pensa, completamente silencioso.
Até a glória de ficar silencioso.
Sem pensar.

 

C√Ęnticos - Cec√≠lia Meireles

10
Jul20

Já escurecera havia muito quando o comboio parou na cidadezinha de Peso da Régua

Cecilia Meireles.pngAs liga√ß√Ķes de Cec√≠lia a Portugal v√£o muito para al√©m da fam√≠lia com ra√≠zes portuguesas e da literatura lus√≠ada.

Atravessaram o oceano não só até Lisboa, mas também até Moledo de Penajóia, onde o Palácio da Boa Esperança abrigava as raízes familiares de Fernando Correia Dias.

Em Moledo de Penajóia, o casarão da família Correia Dias, conhecido na região como Palácio da Boa Esperança, olhava para o rio Douro e "para as montanhas por uma infinidade de vidraças".

No portal, armas de pedra com as insígnias: "Valor, Lealdade, Mérito".

Já escurecera havia muito quando o comboio parou na cidadezinha de Peso da Régua. De lá era preciso atravessar o Douro até à aldeia de Penajóia, distante uns cinco quilómetros da estação.

Naquela época, antes da construção das pontes e das sucessivas barragens, o rio era tão entrecortado por pedras, que ela chegou a opinar que talvez fosse possível ir caminhando por elas até a outra  margem. Idéia absolutamente vetada pelo grupo que ali fora encontrá-los, munido de candeeiros, com um barco reservado para a travessia.

Cecília conformou-se e se acomodou na embarcação, "naquela noite tão negra, tão fria, com um barqueiro maneta que remava de pé..."

in Cecília em Portugal* por Leila Vilas Boas Gouvêa

*Ortografia português do Brasil no original

09
Jul20

N√£o suspires por ontens...

N√£o sejas o de hoje.
N√£o suspires por ontens...
N√£o queiras ser o de amanh√£.
Faze-te sem limites no tempo.
Vê a tua vida em todas as origens.
Em todas as existências.
Em todas as mortes.
E sabe que ser√°s assim para sempre.
N√£o queiras marcar a tua passagem.
Ela prossegue:
√Č a passagem que se continua.
√Č a tua eternidade...
√Č a eternidade.
√Čs tu.

 

C√Ęnticos - Cec√≠lia Meireles

2019 foi o ano que escolhi para ler Sophia de Mello Breyner
Visitem o mundo encantado de Sophia
Em 2021 irei ler Jorge de Sena
Preparem-se para dar a volta ao vosso mundo
Tudo o que escrevi para o Desafio de Escrita dos P√°ssaros est√° aqui!
Já começou a viagem pelo mundo da Gata Borralheira.
Cinema e literatura num só.
Venham também!
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A imprensa comentada no final de cada mês na Operação Bookini
Espreitem as bookinices
A autora deste blog n√£o adopta o novo Acordo Ortogr√°fico.

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