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Livrologia

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11
Dez19

O paraíso prometido por Manuel Bandeira

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Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente...

- Manuel Bandeira -

 

Vou-me Embora pra Pasárgada é um dos poemas mais exaltados e conhecidos de Manuel Bandeira, uma espécie de autobiografia lírica, com um profundo desejo de fuga para um lugar melhor.

O paraíso prometido por Manuel Bandeira, onde não existe solidão, tristeza, onde o entusiasmo pela vida nos é devolvido, onde podemos viver a aventura, o risco, a diversão, livre das obrigações e das limitações da vida.

Um lugar demasiado perfeito para ser real?

Talvez, mas Pasárgada existe mesmo. Manuel Bandeira contou um dia que a imagem dessa cidade nunca mais lhe saiu da cabeça desde a adolescência, inpirando-o para este poema.

Pasárgada transcendeu o próprio poema e tornou-se parte do imaginário da sua poesia, um oásis, um grito de libertação onde o poeta se refugia.

De tal modo marcante, que foi musicado por Gilberto Gil e cantado por Olivia Hime.

Sobre este poema Manuel Bandeira confessou:

Foi o poema de mais longa gestação em toda a minha obra. Vi pela primeira vez esse nome de Pasárgada quando tinha os meus dezesseis anos e foi num autor grego (...) Mais de vinte anos quando eu morava só na minha casa da Rua do Curvelo, num momento de fundo desânimo, da mais aguda sensação de tudo o que eu não tinha feito na minha vida por motivo da doença, saltou-me de súbito do subconsciente esse grito estapafúrdio: “Vou-me Embora pra Pasárgada!”

11
Dez19

Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe - d’água.
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
- Lá sou amigo do rei -
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

in Libertinagem

Antologia - Manuel Bandeira

10
Dez19

Neologismo

Beijo pouco, falo menos ainda.

Mas invento palavras

Que traduzem a ternura mais funda

E mais quotidiana.

Inventei, por exemplo, o verbo teadorar.

Intransitivo:

Teadoro, Teodora.

in Belo Belo

Antologia - Manuel Bandeira

O Livrologia vai contar os dias até ao Natal com o calendário literário do advento.
Até dia 24 de Dezembro.
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