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Livrologia

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26
Out20

1919, ano do nascimento de Sophia

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Natal de 1919 na Quinta do Campo Alegre, no ano de nascimento de Sophia, um dos bebés da foto

Sophia de Mello Breyner Andresen de Isabel Nery

 

Conspirações, atentados, tiroteios nas ruas e cenas de pugilato na Assembleia faziam parte do quotidiano dos portugueses em 1919, ano do nascimento de Sophia.

Desse ambiente de guerra civil dá conta o avô Tomás, que registava a sua revolta e discordância pela situação do país nos cadernos pessoais. Um deles tem a capa gravada com o título Agenda Memorial-Diário -1919. Aí escreveu, riscou e rabiscou com caneta preta de tinta permanente logo no início do ano, a 11 de janeiro: «A noite foi agitada. Muita tropa nas ruas. As patrulhas de vez em quando disparam.» Logo no mês seguinte,a 22 de fevereiro anota a vermelho, no canto da página, «motins graves».

(...)

Sophia nasce num país que fugia e morria. Em 1919, Portugal atinge um pico de 69 mil emigrantes e faz o luto de quase outros tantos habitantes (60 mil) levados pela pneumónica. No ano de batismo da poeta perdiam-se milhares de vitimas de doenças infectocontagiosas como o tifo, sintoma de miséria: 2282 mortes contabilizadas só nesses doze meses.

(...)
Mas não há escombros, ameaças nem guerra eminente que possam impedir certas urgências da natureza. Tal como a morte, o nascimento não se adia, nem se atrapalha com momentos históricos mais ou menos atribulados. Simplesmente acontece. E a Sophia aconteceu-lhe às 11 horas e 20 minutos do dia 6 de novembro de 1919, em casa dos pais, na Rua António Cardoso, n.o 170, no Porto.

(...)

À hora a que Sophia nasceu, o avô Tomás viajava no comboio de Lisboa para o Porto e o pai preparava-se para erguer perante a matilha dos seus cães de caça a primeira filha. Sem mais delongas, e apesar do frio agreste de um novembro no Norte do país, João Henrique Andresen entendeu urgente levar a recém-nascida ao alpendre para a apresentar ao universo. Talvez um momento premonitório da relação quase mística que a poeta viria a acalentar com a natureza, uma constante na sua obra e um traço marcante da sua personalidade.

(...)

Rendido ao amor pela mais nova Mello Breyner - «Estive muito tempo com a rica neta ao colo. Querida e que amor ela é! Que ternura me faz!»

in Sophia de Mello Breyner Andresen de Isabel Nery

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