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Livrologia

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28
Mar16

Nikolai Gogol| A alienação social

Teoricamente a sociedade existe para apoiar o indiv√≠duo, mas no Di√°rio de um Louco Gogol mostra-nos que a nossa consci√™ncia individual pouco a pouco se vai dissolvendo por entre as imposi√ß√Ķes da sociedade.

Fantasias, projec√ß√Ķes, alucina√ß√Ķes entrela√ßam-se em n√≥s como se fossem o real, mas n√£o passam de espelhos fragmentados onde vivemos, de facto. Queremos ser sempre muito mais do que aquilo que somos e a nossa louca infelicidade reside a√≠.

28
Mar16

Nikolai Gogol| A psicologia e a sociologia na literatura

Em Diário de um Louco Gogol apresenta a psicose décadas antes desta ser estudada cientificamente.

Aliás, descreve detalhadamente a forma de como a psicose filtra o mundo, transformando a realidade numa irrealidade que, apesar de mais tolerante, dá sentido à vida que deixou de o ter.

Enquanto que para o louco a irrealidade torna-se na sua nova vida, para os outros ele torna-se numa ameaça, não só pelo que ele simboliza, mas também pela liberdade que atingiu.

A cura através da institucionalização não é mais do que uma declaração de morte antecipada, acelerando ainda mais o seu declínio até às profundezas da insanidade.

No fundo, esta história não é sobre a insanidade, mas sim sobre a sua causadora, a própria sociedade.

O absurdo e o surrealismo do seu emprego e das pessoas que encontra na rua s√£o t√£o gritantes que a sua loucura acaba por ser uma adapta√ß√£o saud√°vel a todas as press√Ķes sociais que o atormentam. O sistema social pode, de facto, enlouquecer-nos com as suas preocupa√ß√Ķes desmesuradas com o status, com a apar√™ncia e todas as regras burocr√°ticas. Deixamos de nos preocupar connosco, como seres humanos, para nos tornarmos em seres padronizados¬†e formatados pelo sistema.

28
Mar16

Nikolai Gogol| Poprishchin inspirado na realidade

A história [Diário de um Louco] dramatiza o declínio gradual até à loucura, e o eventual internamento num asilo, de um funcionário subordinado,  Poprishchin.

Pode ser vista como uma par√°bola sobre o destino do homem comum e sem rosto da R√ļssia, na confusa √©poca da modernidade.

A hist√≥ria de Gogol foi baseada num grande n√ļmero de artigos jornal√≠sticos publicados no jornal A Abelha do Norte sobre as pessoas internadas nos manic√≥mios. A esmagadora maioria das pessoas institucionalizadas eram funcion√°rios p√ļblicos que sofreram de um sentido inflacionado de orgulho ou de um ataque paralisante de timidez. De facto, um dos artigos focou-se numa pessoa que acrescentou a express√£o "Rei de Fran√ßa e Navarra" ao seu passaporte.

Traduzido do inglês de coursewikis.fas.harvard.edu

28
Mar16

Nikolai Gogol| Di√°rio de um Louco

Ler Diário de um Louco é como apanhar folhas soltas em pleno dia ventoso, caminhando atrás dos devaneios de um louco, que as arranca e as atira ao ar, esperando que voem.

Poprishchin vive pela escrita, copiando textos que lhe são entregues, mas será essa mesma escrita rotineira, burocrática e absurda que o levará à escrita do seu próprio diário, onde o absurdo dos dias esmorecem-no e entorpecem-no numa loucura - ouso dizer - que o faz sentir-se mais vivo, do que quando era são.

Nestas páginas reinam a insanidade, a escrita e a burocracia governamental, cujos efeitos se reflectem num retrato de pura loucura, pintado por uma sociedade, ela própria também insana.

O cão é um político extraordinário: repara em tudo, em todos os passos do homem.

 

Data nenhuma. O dia n√£o tinha data.

28
Mar16

Fiódor Dostoiévski| Quem são os demónios?

Esta foi a pergunta que me vagueou pelo pensamento das primeiras páginas amarelecidas d'Os Demónios.

Sobre que demónios escrevera Dostoiévski, abalando os céus literários e a terra dos não amantes da literatura?

E subitamente, como numa sinfonia, o caos interrompia-me,¬†correndo desenfreadamente por todas aquelas palavras, n√£o havendo nada nem ningu√©m que o conseguisse parar, deixando-nos prostrados, at√≥nitos e sem f√īlego.

Segundo os críticos, a analogia dos demónios é utilizada para mostrar como certos ideais podem influenciar as pessoas e conduzi-las à alienação do espírito a partir do corpo.

Pedro Stepanovich é, também ele, um demónio. De tal modo o é, que acredita em tudo o que faz, levando os restantes a fazer tudo aquilo o que ele quer. O Mal é e será sempre muito mais atraente e melífluo que o Bem e as pessoas sentem-se inexplicavelmente atraídas para ele. O Bem é esteticamente mais feio e menos atraente para o ser humano.

A demonização forma um triunvirato de cinismo, maldade e mentira que nos faz questionar constantemente o objectivo da vida. E quando o Mal persiste, apenas há um caminho: o lago.

E andava ali pastando no monte uma manada de muitos porcos; e rogaram-lhe que lhes concedesse entrar neles; e concedeu-lho. E, tendo saído os demónios do homem, penetraram nos porcos, e a manada arrojou-se de um despenhadeiro no lago, e eles afogaram-se.

Quanto mais leio menos sei
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