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Livrologia

Livrologia

29
Mai16

A Feira do Livro de outros tempos ||005||

√Äs 14h00 do dia 29 de maio de 1931, h√° 85 anos, o p√ļblico come√ßou a aproximar-se das bancas de livros alinhadas √† volta do lago, na zona norte do Rossio, junto ao ent√£o Teatro Am√©lia Rey Cola√ßo.

O Di√°rio de Lisboa descreveu a feira como ‚Äúuma coisa simp√°tica, limpa, discreta e convidativa‚ÄĚ e destacou a sua modernidade, em linha com as √ļltimas tend√™ncias internacionais: ‚ÄúO exemplo vem de Paris, de Berlim, de Londres, de Barcelona, de Madrid, de Roma, de Bruxelas, de Moscou, talvez de Tokio, de Pequim e n√£o sabemos se de Nova York. (P√īmos estas reservas em Nova York).‚ÄĚ

Em Lisboa, o objetivo do certame era fazer ‚Äúpropaganda √† instru√ß√£o e da educa√ß√£o pelos livros‚ÄĚ, assumia a Associa√ß√£o.

Havia tudo na Feira: ‚ÄúO livro cl√°ssico, o livro moderno, o livro estante e o livro algibeira, o livro para a gente aprender, o livro para a gente se divertir, o livro para a gente tomar contacto com a l√≠ngua portuguesa pura, o livro para a gente tomar contacto com o estrangeiro mal traduzido, o livro dos mestres eternos, o livro dos plumitivos passageiros‚ÄĚ.

Em observador.pt

29
Mai16

A Feira do Livro de outros tempos ||004||

Inaugurada um m√™s e meio depois da revolu√ß√£o, a Feira trouxe √† rua um sem n√ļmero de obras proibidas no antigo regime.

‚ÄúA grade novidade foi a enorme procura de livros pol√≠ticos entre 1974 e 1980. Foi uma resposta √† anterior seca‚ÄĚ, explica ao Observador Carlos da Veiga Ferreira, hist√≥rico editor da Teorema, atualmente √† frente da Teodolito.

‚ÄúApareceu ainda outro fen√≥meno curioso: passaram a publicar-se muitos livros er√≥ticos, entre os quais a trilogia Sexus, Nexus, Plexus, de Henry Miller‚ÄĚ, acrescenta.

Entre os títulos de natureza política destacavam-se o Manifesto Comunista, toda a obra de Karl Marx e volumes portugueses como Portugal e o Futuro, de António de Spínola, que fora lançado em março desse ano.

‚ÄúOs livros pol√≠ticos j√° existiam, mas a censura n√£o permitia que fossem publicados e estavam sempre sob amea√ßa de serem apreendidos‚ÄĚ, recorda Zeferino Coelho.

Os anos seguintes viram florescer uma nova literatura livre. ‚ÄúOs escritores da √©poca, como¬†Verg√≠lio Ferreira, Fernando Namora e Jos√© Cardoso Pires, adaptaram-se rapidamente √† inexist√™ncia da censura.‚ÄĚ

Em observador.pt

29
Mai16

A Feira do Livro de outros tempos ||003||

Saramago jamais se furtou ao contacto com o p√ļblico. ‚ÄúNunca tive um autor t√£o dispon√≠vel para colaborar com o editor. Ia dar aut√≥grafos todos os dias, a menos que tivesse um compromisso‚ÄĚ, conta ao Observador Zeferino Coelho, um dos mais antigos editores portugueses, respons√°vel pela publica√ß√£o de todos livros que o Nobel lan√ßou em vida.

O escritor chegava cedo e, em regra, n√£o marcava hora para ir embora.

‚ÄúNum s√°bado podia come√ßar a assinar livros √†s 15h30 e terminar √†s 20h. Era comum aparecerem 200 ou 300 pessoas. Nunca reclamava: era um cavalheiro, muito bem educado, de trato elegante, sem formalismos. Brincava, dizia anedotas‚ÄĚ, acrescenta o editor da Caminho.

Só havia uma coisa que o incomodava verdadeiramente: descobrir na fila um rosto conhecido, de cujo nome, por mais que se esforçasse, não conseguia lembrar-se.

O simples facto de admitir a falha de memória parecia-lhe uma desconsideração. De tal maneira que combinou um esquema com o pessoal da editora. Sempre que isso acontecia, fazia-lhes sinal e logo entrava em ação um aliado que, simpático e conversador, arranjava forma de descobrir o nome em falta.

E assim, quando o amigo se aproximava do Nobel, era recebido como se tivessem estado juntos de v√©spera e levava para casa um aut√≥grafo personalizado ‚ÄĒ e com o nome certo, claro.

Em observador.pt

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