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Livrologia

Livrologia

10
Jul16

Observar o ser humano como quem observa uma obra de arte

coffee.jpg

Apaixonada, me confesso.

Não posso e recuso-me a escondê-lo.

Pela tr√≠ade que tenho lido mais persistentemente - Pushkin, Gogol, Dostoi√©vski - foi este √ļltimo quem me conquistou.

Aprende-se muito sobre a vida, sobre as pessoas e sobre o mundo com Dostoiévski.

Ele observa o ser humano¬†como quem observa¬†uma obra de arte num museu, perscurtando-lhe os detalhes, as imperfei√ß√Ķes e a beleza.

E para nos embrenharmos nele, sugiro:

1-Noites Brancas:¬†para quem quer aventurar-se pelos subterr√Ęneos de Dostoi√©vski, deveria come√ßar pela luz que este livro irradia.¬†

2-Crime e Castigo: a culpa, essa grande personagem da escrita dostoievskiana, entranhando-se nos seus pensamentos, nos seus sonhos e em cada fibra do seu ser.

3-Os Demónios: em que tudo é tão absurdo, mas ao mesmo tempo tão penosamente real, que queremos rir, porque tudo aquilo nos diverte. Mas um riso trágico deveras, que o mundo pesa-nos por ser assim.

4-Cadernos do Subterr√Ęneo: por cada p√°gina, um fragmento, 189 ao todo.¬†Cada um deles uma reflex√£o ou especula√ß√£o sobre o tudo e o nada.

Imagem www.pinterest.com

10
Jul16

Nada o espanta

A si creio que nada o espanta, príncipe - acrescentou, olhando com ar céptico o rosto plácido do seu interlocutor. -Dir-se-ia que não se espantar com nada é a característica de um grande espírito: na minha opinião, também se poderia ver nisso a marca de uma profunda estupidez...

Fiódor Dostoiévski-O Idiota

10
Jul16

O que conta é a vida, a vida apenas

Perguntem, perguntem-lhes apenas como todos, sem excepção, compreendem a felicidade?

Ah! Acreditem que não foi quando descobriu a América, mas quando estava para descobri-la que Colombo se sentiu feliz. Persuadam-se de que o momento culminante da sua felicidade talvez se situe três dias antes da descoberta do Novo Mundo, quando a tripulação desesperada se revoltou e esteve prestes a dar meia volta para regressar à Europa.

J√° n√£o se tratava do Novo Mundo, que poderia desmoronar-se. Colombo morreu logo que o viu e sem saber, no fundo, o que tinha descoberto.

O que conta é a vida, a vida apenas, é a procura ininterrupta, eterna da vida, e não a sua descoberta!

Fiódor Dostoiévski-O Idiota

10
Jul16

Fiódor Dostoiévski| Anna, o amor da sua vida

Anna Grigorievna foi o grande amor da vida de Dostoi√©vski. Foi a √ļnica mulher que compreendeu o seu processo criativo, que aceitou os seus dem√≥nios e a sua doen√ßa.

Com 45 anos, tendo fracassado no casamento e sendo repudiado pelas mulheres que sucessivamente amara, apaixona-se pela sua estenógrafa, Anna Grigorievna, estudante de 28 anos, e esta corresponde-lhe!

Introdução de Jorge Sampaio n'O Idiota de Fiódor Dostoiévski

anna.jpgImagem superstyle.ru 

10
Jul16

A Humanidade evoluiu, regredindo

E não julguem que me vencem com a vossa prosperidade, as vossas riquezas, com a raridade das catástrofes e a rapidez dos meios de comunicação!

As riquezas são mais abundantes, mas as forças declinam; já não há pensamento que crie um laço entre os homens, tudo se embotou, tudo se arruinou e todos estão arruinados! 

Fiódor Dostoiévski-O Idiota

10
Jul16

Fiódor Dostoiévski| Sou um proletário da literatura

Durante mais quinze anos, segundo ele próprio diz, fabricará mais cópias do que escreverá romances, ofegante de um prazo a outro, vivendo de adiantamentos mendigados, por vezes de esmolas, não tendo nunca tempo para amadurecer uma obra.

Nunca o p√īde fazer:

Todos os instantes da minha vida est√£o impregnados da prem√™ncia de dinheiro, e pedem-me obras de arte! Venham ent√£o ver em que condi√ß√Ķes trabalho!

E acrescenta:

Sou um prolet√°rio da literatura.

Um prolet√°rio russo que se embriaga de humilha√ß√Ķes, vingando-se depois com gestos loucos!

Introdução de Jorge Sampaio n'O Idiota de Fiódor Dostoiévski

Quanto mais leio menos sei
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Já começou a viagem pelo mundo da Gata Borralheira.
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