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Livrologia

by Miss X

Livrologia

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27
Ago18

William Somerset Maugham| O médico que nunca o quis ser

Hospital St. Thoma's em meados de 1900 @ www.pinterest.pt

 

Em 1896 termina as suas primeiras duas histórias - A Bad Example e Daisy - e envia-as para a editora. 

Infelizmente, a história não agradou à editora e Maugham, como muitos grandes autores antes dele, lançou a sua carreira com o inevitável sabor da rejeição. Mas o escritor não ficou desanimado e começou a trabalhar numa nova história com base nas suas experiências como estudante de medicina.

Nessa altura, Maugham tinha começado a trabalhar como assistente de obstetrícia. Participou em cesarianas e ajudou a dar à luz uma média de três bebés por dia. Em três semanas participara em 63 partos.

O escritor começou a desenvolver uma obsessão por mulheres que morriam durante o parto, tornando-se num tema recorrente nas suas histórias. Primeiro em Liza of Lambeth (1897), mais tarde em Mrs. Craddock (1904), em The Merry-Go-Round (1904) e em Cakes and Ale (1930).

A teoria psicanalítica tentaria explicar a criatividade e a obsessão do escritor como uma transferência subliminar do desejo pré-edipiano da sua mãe para gerar filhos.

Em 1897 sai de St. Thoma's ao concluir os estudos. É convidado a trabalhar na obstetrícia, mas recusa, dedicando-se à escrita a tempo inteiro. 

25
Ago18

William Somerset Maugham| Retrato

Retrato de Somerset Maugham 1949 por Graham Sutherland

@ www.tate.org.uk

 

O primeiro de muitos retratos de Sutherland que conheceu Maugham em St. Jean Cap Ferrat, e foi convidado a pintar o seu retrato.

Maugham tinha então 75 anos.

O banco de bambu e a cor de fundo em tom ocre foram utilizados propositadamente como referência aos muitos dos cenários dos livros de Maugham no Extremo Oriente.

O retrato foi pintado a partir de desenhos feitos por Sutherland durante as sessões com o escritor.

Tradução livre do inglês @ www.tate.org.uk

25
Ago18

William Somerset Maugham| A inquietude nómada da imaginação

Vintage Doctors Bag / Leather Doctor Travel Bag / Medical Oddities

Mala de médico utilizada em 1900 @ www.pinterest.pt

 

Na Primavera de 1894, Maugham decidiu viajar durante seis semanas por Itália: Florença, Pisa, Veneza, Milão e Verona. O escritor acreditava (tal como eu) que a viagem era uma parte necessária da aprendizagem de um autor, mantendo assim a inquietude nómada da imaginação.

Nesse mesmo ano, começou o seu estágio clínico. Começa no ambulatório e esta experiência é descrita com vivacidade através da personagem Philip Carey, o estudante de medicina, em Of Human Bondage. Depois passa a assistente nas enfermarias cirúrgicas, dando pontos, tratando de feridas e substituindo ligaduras, também assistindo às cirurgias.

Passou seis meses na área administrativa, recolhendo o historial clínico dos pacientes, registando informações clínicas e efectuando análises.

Maugham confessou que achava mais fácil lidar com os pacientes do sexo masculino, visto que as mulheres eram muito exigentes e estavam sempre a reclamar com as enfermeiras.

Apesar das longas horas de turno, Maugham nunca parou de escrever.

25
Ago18

William Somerset Maugham| Os tempos de estudante

Resultado de imagem para young somerset maugham@ www.pinterest.pt

 

Quando Maugham se inscreveu em 1892 em St. Thoma's, havia cerca de 60 estudantes de medicina.

Há inclusivé uma descrição de St. Thoma's pelo próprio escritor em Of Human Bondage.

Maugham morava num rés-do-chão, no n.º 11 da Vincent Square, que dava para os campos de jogos da Westminster School. A senhoria era uma esplêndida mulher chamada Senhora Freeman, que Maugham descreveu vividamente em Cakes and Ale. O escritor vivia a 10 minutos a pé do hospital e nunca teve dificuldades financeiras como estudante. 

Em 1892 os estudantes de medicina liam Demonstrations of Anatomy de Ellis e Bones de Ward. A dissecação era realizada regularmente pela manhã e os livros ajudavam os estudantes de medicina a memorizar e a dissecar o corpo humano. Maugham nunca mostrou muito interesse pela anatomia, apesar de ter trabalhado diligentemente.

Sempre esteve mais interessado em escrever e registava num caderno tudo o que ouvia e via, tornando-se estas anotações numa fonte de material para os seus futuros livros. 

Maugham escrevia todas as noites, conciliando a escrita com os estudos de medicina.

25
Ago18

William Somerset Maugham| A medicina como observatório literário

Imagem relacionada@ englishbookgeorgia.com

 

Muitos dos seus leitores e alguns críticos consideraram os seus anos como estudante de medicina como um hiato na sua vertente criativa, no entanto, Maugham confirmou o contrário.

Viver em plena agitação da cidade de Londres, conhecer pessoas das mais variadas classes sociais, pessoas que nunca teria conhecido se exercesse uma profissão diferente, observá-las nas situações mais extremas, de profunda ansiedade, em busca de significados que justificassem as suas existências.

Maugham declarou que tudo o que viu e sentiu como estudante de medicina ganhou valor literário.

Vi homens morrerem. Vi-os sofrer com a dor. Aprendi o que era a esperança, o medo e a ajuda.

 

Nessa época, muitos escritores escreviam sobre o valor moral de uma vida de sofrimento, mas Maugham, pelo contrário, assistiu à cruel realidade de como é corrosivo o sofrimento para a humanidade do ser, de como a doença se enredava de forma hostil em torno da alma, como um sacrifício expiatório que poderia conduzir à morte.

O escritor ficou marcado por todas as emoções humanas subjacentes à crueldade da vida e da morte, ambas no mesmo espectro da sua escrita.

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