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Livrologia

Livrologia

26
Abr19

P√°ssaro

Aquilo que ontem cantava

j√° n√£o canta.

Morreu de uma flor na boca:

n√£o do espinho na garganta.

 

Ele amava a √°gua sem sede,

e, em verdade,

tendo asas, fitava o tempo,

livre de necessidade.

 

Não foi desejo ou imprudência:

n√£o foi nada.

E o dia toca em silêncio

a desventura causada.

 

Se acaso isso é desventura:

ir-se a vida

sobre uma rosa t√£o bela,

por uma ténue ferida.

 

Antologia Poética - Cecília Meireles

25
Abr19

A eterna busca pela perfeição do mundo da moda

logo10.pngOs versos de Cecília são tão intemporais e transversais a todos os tempos do mundo, que podemos cometer esta ousadia de olhar através deles os nossos próprios tempos.

 

Não diminuindo o poema onde os versos se inserem, nem descaracterizando a mensagem original nele contida, quando os li vi a eterna busca pela perfeição do mundo da moda, que deixa cicatrizes sem misericórida em quem por ele passa.

 

Pobres serpentes sem lux√ļria,

que são crianças, durante o dia.

Dez anjos anémicos, de axilas profundas,

embalsamados de melancolia.

25
Abr19

Ar Livre

A menina transl√ļcida passa.

Vê-se a luz do sol dentro dos seus dedos.

Brilha em sua narina o coral do dia.

 

Leva o arco-íris em cada fio do cabelo.

Em sua pele, madrepérolas hesitantes

pintam leves alvoradas de neblina.

 

Evaporam-se-lhe os vestidos, na paisagem.

√Č apenas o vento que vai levando seu corpo pelas alamedas.

A cada passo, uma flor, a cada movimento, um p√°ssaro.

 

E quando p√°ra na ponte, as √°guas todas v√£o correndo,

em verdes l√°grimas para dentro dos seus olhos.

 

Antologia Poética - Cecília Meireles

25
Abr19

A Voz do Profeta Exilado

Cansei-me de anunciar teu nome

√†s multid√Ķes desatinadas;

e, quando desdobrei teu rosto,

responderam-me com pedradas.

 

Deixei essas praias ferozes

de areias e alucinação.

Fui no meu barco de perigo,

de silêncio e de solidão.

 

Solucei nas rochas desertas,

equilibrei-me na onda brava.

Curvei de espanto a minha fronte:

e com as √°guas do mar chorava.

 

Chorei pelas gentes perdidas

de loucura e orgulho. Depois,

por minhas vis√Ķes, por meus gestos.

E, finalmente, por nós dois.

 

Em que outros países, de que estranhos

mundos, alguém espera pela

minha voz, salva de martírios,

condutora da tua Estrela?

 

Diante dos horizontes próximos,

aflige-se o meu coração.

Não sei se é o tempo da chegada,

ou sempre o da navegação.

 

Antologia Poética - Cecília Meireles

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