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Livrologia

Livrologia

31
Jul19

Fui arrancada da idade das trevas enciclopédicas para o advento iluminista da auto-ajuda

CON13.png

Já comecei a ler o Franskenstein da auto-ajuda, aliás estou na página 42, e só por esta façanha mereço um grande aplauso.

A primeira grande revelação foi-me dada com um estalo de obviedade que até andei de lado nas minhas convições científicas. Afinal o cérebro humano é um grandesíssimo preguiçoso e "anda sempre à procura de maneiras de se esforçar menos." Constato que o cérebro e os funcionários públicos têm mais em comum do que alguma vez imaginara, derrubando assim as teorias de toda uma vida que tresandavam a complexidades inexplicáveis pelo bom senso.

Mas este livro numa só frase explicou tudo, tornando-me mais iluminada que um estádio de futebol, também ele um antro de excelência de espírito crítico e raciocínio lógico.

Fui arrancada da idade das trevas enciclopédicas para o advento iluminista da auto-ajuda. O momento de transição não está a ser fácil: o meu raciocínio ou lá o que resta dele está a bater contra as paredes do meu crâneo que nem um autista e, desta vez, as canções da Maria Leal não têm nada a ver com isso.

28
Jul19

Um Frankenstein da auto-ajuda

lab.png

A promessa deste livro - aquele cujo nome não deve ser pronunciado - é que podemos mudar os nossos hábitos, se compreendermos como funcionam.

Não precisei de ler muito. No prólogo somos imediatamente informados que há uma ciência dos hábitos e estou ansiosa pela parte científica disto. Não podia estar mais animada!

Como uma placa de petri cheia de bactérias esfomeadas.

Tenho 426 páginas pela frente e já me sinto uma pessoa completamente diferente, um Frankenstein da auto-ajuda.

Não sei quantas páginas vou aguentar - talvez mais do que as da Margarida Rebelo Pinto -, mas o prometido é devido e vou sair disto de duas formas: ou com a reputação literária arruinada ou uma cliché-dependente.

26
Jul19

The covers of the books are like a roof and four walls: a house

Emily Mortimer in The Bookshop (2017)@ www.imdb.com

 

She told me once: "When we read a story, we inhabit it; the covers of the books are like a roof and four walls: a house."

She, more than anything else in the world, loved the moment when you've finished a book and the story keeps playing like the most vivid dream in your head. And after that, she loved taking long walks to clear her mind of all the emotions and feelings the book had started within her.

in The Bookshop by Isabel Coixet

26
Jul19

Tinha passado a vida em busca de algo que não merecia ser encontrado

Era fácil imaginá-lo, apaixonado pelas teorias da igualdade e dos direitos humanos, a debater, a discutir, a lutar atrás das barricadas em Paris, a fugir à frente da cavalaria austríaca em Milão, preso aqui, exilado ali, de esperança sempre intacta erguendo bem alta essa palavra que parecia mágica, a palavra Liberdade; até que, por fim, vergado pela fome e pela doença, velho e sem outro meio de manter o corpo e a alma unos senão as lições que conseguia dar a alunos pobres, veio parar a esta cidadezinha aprumada, subjugada por uma tirania pessoal maior do que qualquer outra na Europa.

Talvez a sua taciturnidade escondesse um desprezo pela raça humana, que abandonara os grandes sonhos da sua juventude e chafurdava agora numa indiferença indolente; ou talvez estes trinta anos de revolução lhe tivessem ensinado que os homens não estão preparados para a liberdade e pensasse que tinha passado a vida em busca de algo que não merecia ser encontrado.

Servidão Humana-W. Somerset Maugham

25
Jul19

Leituras intermitentes e muito pouco disciplinadas

cafecomlivros.pngEste ano as minhas leituras têm sido intermitentes e muito pouco disciplinadas.

Propositadamente.
Em 2019 decidi que iria ser um ano de leitura mais espontânea, sem a rigidez de ciclos de leitura que muitas vezes me prendem a um só autor durante doze meses.
Autores que me apeteceram ler, li-os, só porque sim. Eliot, Duras, Lispector e Cecília Meireles, tão díspares, mas que têm sido um deleite nas minhas horas vagas.
E também Sophia de Mello Breyner Andresen, a única autora que consta de um ciclo de leitura.
Acompanhando o ano do seu centenário tenho estado a ler toda a sua obra ao longo do ano. Na Primavera li toda a sua poesia e até ao Inverno tenciono ler os contos infantis.
Não têm sido muitos os autores que li este ano, mas os poucos que li, li-os intensamente.
As minhas leituras clamam já por um pouco de descanso e, apesar de ir lendo nos bastidores do blog, as publicações no Livrologia vão tornar-se mais esparsas durante os próximos tempos de veraneio.

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Quanto mais leio, menos sei

O autor português de 2021/2022 é Jorge de Sena
Preparem-se para dar a volta ao vosso mundo
A autora portuguesa em destaque de 2019/2020 foi Sophia de Mello Breyner Andresen
Visitem o seu mundo encantado
Tudo o que escrevi para o Desafio de Escrita dos Pássaros está aqui!
Tudo o que escrevi para Os Desafios da Abelha está aqui!
Já começou a viagem pelo mundo da Gata Borralheira.
Cinema e literatura num só.
Venham também!
bookinices_spring.png
A imprensa comentada no final de cada mês na Operação Bookini
Espreitem as bookinices
A autora deste blog não adopta o novo Acordo Ortográfico.

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