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Livrologia

Livrologia

30
Jun20

Como os m√ļsicos da orquestra usavam os seus fatos alugados

Era como se ele tivesse querido guardar o seu ser à margem do vivido, por não haver na vida acto nenhum onde o ser pudesse ser cumprido e a existência concreta fosse apenas deturpação, falsificação, profanação.

E assim ele tinha resolvido usar a sua pr√≥pria vida como n√£o sendo dele, us√°-la como os m√ļsicos da orquestra usavam os seus fatos alugados.

in Praia

Contos Exemplares - Sophia de Mello Breyner Andresen

29
Jun20

A Praia da Granja num conto

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O conto de Sophia que estou a ler - Praia - tem uma praia real por detrás dele: a Praia da Granja. Era nesta praia, na Casa Branca, onde Sophia passava as férias de Verão com a família, que a inspiração a despertava, levando-a a escrever os mais belos poemas e histórias.

A mítica Casa Branca na Praia da Granja ainda guarda as memórias de Sophia, ao sabor das ondas e da maresia que tanto a encantaram:

Mas a pequena povoa√ß√£o nortenha foi tamb√©m o local onde come√ßou a escrever poemas, ainda mal tinha chegado √† adolesc√™ncia. A escrita, compulsiva, tanto podia acontecer na pr√≥pria casa de f√©rias como nos caf√©s das redondezas. ‚ÄúA Barraquinha‚ÄĚ era um desses espa√ßos, no qual Sophia permanecia horas sem fim, ‚Äúvirada para o mar e remetida ao sil√™ncio, mas sempre a escrever‚ÄĚ, como relembrou em entrevistas Maria Jos√© Santos, filha da concession√°ria de ent√£o.

 

Numa carta Sophia confessou o porquê da sua Granja ser tão importante para ela:

Sophia de Mello Breyner confessava, aos 25 anos, numa carta dirigida a Miguel Torga, que ‚Äúa Granja √© o s√≠tio do mundo de que eu mais gosto. H√° aqui qualquer alimento secreto‚ÄĚ.

 

Para além da Praia da Granja ser retratada no conto, há também um clube à beira-mar onde todos se reuniam depois do veraneio, que existiu mesmo:

Mal atravessa o caminho de ferro as mem√≥rias atropelam-se. ‚ÄúEra aqui a Assembleia!‚ÄĚ, aponta, enf√°tica, para a cratera gigantesca onde come√ßam a ser erguidos os alicerces, aludindo ao clube privado onde todas as tardes e noites se encontravam os veraneantes.

Nos seus amplos sal√Ķes, a que s√≥ acediam membros abastados ou fam√≠lias com passado nobre, como era o caso dos Andresen, tanto se discutia pol√≠tica como se jogava t√©nis e bridge ou se dan√ßava at√© altas horas da noite.

O ambiente da Assembleia seria plasmado no conto ‚ÄúPraia‚ÄĚ, no qual √© descrito o quotidiano de um clube √† beira-mar em que todos os membros est√£o demasiados absorvidos com o presente para se preocuparem com o futuro.

29
Jun20

E era difícil dizer de que tempo ele vinha

E era difícil dizer de que tempo ele vinha; pois dos personagens das histórias de um tempo antigo ele tinha a voz, o olhar e os gestos. Mas não o destino, nem a vida vivida.

Era mesmo como se ele tivesse rejeitado todo o destino, toda a vida vivida, como uma coisa alheia, exterior e falsa e lhe bastasse aquele momento, aquele bar, aquela mesa, aquela conversa, aquele copo.

 

in Praia

Contos Exemplares - Sophia de Mello Breyner Andresen

28
Jun20

Ciclo de Leitura | Sophia de Mello Breyner Andresen

livrologia.png

Tudo sobre: Sophia de Mello Breyner Andresen

O Rapaz de Bronze

A √Ārvore

O Espelho ou o Retrato Vivo

A Menina do Mar

Os Três Reis do Oriente

A Noite de Natal

O Cavaleiro da Dinamarca

A Fada Oriana

O Colar

A Floresta

 

Histórias da Terra e do Mar:

 

Contos Exemplares:

 

Cem Poemas de Sophia

1944 Poesia I

1947 Dia do Mar

1950 Coral

1954 No Tempo Dividido

1958 Mar Novo

1961-O Cristo Cigano

1962 Livro Sexto

1967 Geografia

1972 Dual

1977 O Nome das Coisas

1977-1982 Navega√ß√Ķes

1989 Ilhas

1994 Musa

1997 O B√ļzio de C√≥s

 

Biografia:

Sophia de Mello Breyner Andresen de Isabel Nery

28
Jun20

À mercê de um mundo que não perdoa a sensibilidade, nem a gentileza

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O mundo vai como o rei, nu.

Não sei se será do eclipse, sinal de apocalipse como diriam os antigos, ou se da própria sombra dos tempos que ilumina o que se esconde na aparência das coisas. Cair de joelhos e reverenciar a ilusão da vida é contraproducente e a transparência humana a cada um diz respeito, não sendo assunto mundano que se discuta como um jogo de futebol.

O país vive assoberbado pelo seu próprio vazio e o espanto não se pode calar perante o que se escreve ou o que se diz levianamente, por piada ou só porque sim.

Pedro Lima como tantos outros seres humanos merecem respeito e silêncio pela sua humanidade, que se esvaiu como pó ao vento, à mercê de um mundo que não perdoa a sensibilidade, nem a gentileza.

P√°g. 1/9

2019 foi o ano que escolhi para ler Sophia de Mello Breyner
Visitem o mundo encantado de Sophia
Em 2021 irei ler Jorge de Sena
Preparem-se para dar a volta ao vosso mundo
Tudo o que escrevi para o Desafio de Escrita dos P√°ssaros est√° aqui!
Já começou a viagem pelo mundo da Gata Borralheira.
Cinema e literatura num só.
Venham também!
bookinices_spring.png
A imprensa comentada no final de cada mês na Operação Bookini
Espreitem as bookinices
A autora deste blog n√£o adopta o novo Acordo Ortogr√°fico.

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