Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Livrologia

Livrologia

27
Out20

Baratynsky & Nastasya

 

Yevgeny Baratynsky.jpeg

Baratynsky por influência de amigos, conseguiria obter a licença do Imperador para se retirar do exército.

Casa-se com a filha do major-general Gregory G. Engelhardt - Nastasya Lvovna Engelgardt - e ficam a viver em Muranovo. Com nove filhos, a vida familiar de Baratynsky parecia feliz, mas uma profunda melancolia se foi abatendo sobre a sua mente e a sua poesia. A sua vida tornou-se insuportavelmente monótona para a sua rebeldia, o que viria a reflectir-se na sua poesia.  O humor de Baratynsky evoluiu do pessimismo para a desesperança e a elegia tornou-se na sua forma preferida para expressá-la.

Em 1843 viaja para Paris onde passa o Inverno a frequentar sal√Ķes liter√°rios, onde lia os seus poemas traduzidos em franc√™s, conhecendo poetas como Alphonse de Lamartine e Alfred de Vigny.

No ano seguinte viaja para N√°poles, onde viria a falecer por doen√ßa s√ļbita.

27
Out20

Farewell, farewell, you brilliant summer skies!

Farewell, farewell, you brilliant summer skies!

Farewell, farewell to nature's splendour!

The waters gleaming in their golden scales,

the woods with their enchanted murmur!

Oh happy dream of fleeting summer joys!

Excerto do poema Autumn

Yevgeny Baratynsky

in Chapter II - Around Pushkin

The Penguin Book of Russian Poetry - edited by Robert Chandler,

Boris Dralyuk and Irina Mashinski

26
Out20

1919, ano do nascimento de Sophia

sophia001.jpg

Natal de 1919 na Quinta do Campo Alegre, no ano de nascimento de Sophia, um dos bebés da foto

@ Sophia de Mello Breyner Andresen de Isabel Nery

 

Conspira√ß√Ķes, atentados, tiroteios nas ruas e cenas de pugilato na Assembleia faziam parte do¬†quotidiano dos portugueses em 1919, ano do nascimento de Sophia.

Desse ambiente de guerra civil¬†d√° conta o av√ī Tom√°s, que registava a sua revolta e discord√Ęncia pela situa√ß√£o do pa√≠s nos¬†cadernos pessoais. Um deles tem a capa gravada com o t√≠tulo Agenda Memorial-Di√°rio -1919. A√≠¬†escreveu, riscou e rabiscou com caneta preta de tinta permanente logo no in√≠cio do ano, a 11 de¬†janeiro:¬†¬ęA noite foi agitada. Muita tropa nas ruas. As patrulhas de vez em quando disparam.¬Ľ¬†Logo¬†no m√™s seguinte,a 22 de fevereiro anota a vermelho, no canto da p√°gina, ¬ęmotins graves¬Ľ.

(...)

Sophia nasce num país que fugia e morria. Em 1919, Portugal atinge um pico de 69 mil emigrantes e faz o luto de quase outros tantos habitantes (60 mil) levados pela pneumónica. No ano de batismo da poeta perdiam-se milhares de vitimas de doenças infectocontagiosas como o tifo, sintoma de miséria: 2282 mortes contabilizadas só nesses doze meses.

(...)
Mas não há escombros, ameaças nem guerra eminente que possam impedir certas urgências da natureza. Tal como a morte, o nascimento não se adia, nem se atrapalha com momentos históricos mais ou menos atribulados. Simplesmente acontece. E a Sophia aconteceu-lhe às 11 horas e 20 minutos do dia 6 de novembro de 1919, em casa dos pais, na Rua António Cardoso, n.o 170, no Porto.

(...)

√Ä hora a que Sophia nasceu, o av√ī Tom√°s viajava no comboio de Lisboa para o Porto e o pai¬†preparava-se para erguer perante a matilha dos seus c√£es de ca√ßa a primeira filha. Sem mais¬†delongas, e apesar do frio agreste de um novembro no Norte do pa√≠s, Jo√£o Henrique Andresen¬†entendeu urgente levar a rec√©m-nascida ao alpendre para a apresentar ao universo. Talvez um¬†momento premonit√≥rio da rela√ß√£o quase m√≠stica que a poeta viria a acalentar com a natureza, uma¬†constante na sua obra e um tra√ßo marcante da sua personalidade.

(...)

Rendido ao amor pela mais nova Mello Breyner - ¬ęEstive muito tempo com a rica neta ao colo.¬†Querida e que amor ela √©! Que ternura me faz!¬Ľ

in Sophia de Mello Breyner Andresen de Isabel Nery

26
Out20

Eu prometi tomar conta da floresta

- Vem connosco, Oriana- tornaram a pedir as andorinhas.

- Eu prometi tomar conta da floresta - respondeu a fada - e uma promessa é uma coisa muito importante.

Então as andorinhas fitaram-na com olhos pretos duros e brilhantes e, com um ar severo, disseram:

- Oriana, não mereces ter asas. Tu não amas o espaço e a liberdade.

Oriana baixou a cabeça e respondeu:

- Eu fiz uma promessa.

As andorinhas viraram-lhe as costas e n√£o fizeram mais caso dela.

A Fada Oriana - Sophia de Mello Breyner Andresen

25
Out20

Baratynsky na Finl√Ęndia

Yevgeny Baratynsky.jpeg

Baratynsky foi destacado para um regimento na Finl√Ęndia, onde permaneceu durane seis anos, levando uma vida calma e isolada, escrevendo poesia.

Nos seus primeiros poemas tentou¬†escrever de um maneira diferente de Pushkin, que ele idolatrava e considerava o modelo da perfei√ß√£o. E conseguiu-o, escrevendo num estilo realista e acolhedor, com um toque sentimental.¬†Nos seus poemas sobre a Finl√Ęndia, as descri√ß√Ķes est√£o entre as melhores. A natureza rigorosa da Finl√Ęndia era adorada por Baratynsky.

25
Out20

Ler a biografia de um autor enquanto lemos os seus livros

profile.jpg

Ler a biografia de um autor não é essencial para compreendê-lo. Muitas vezes a biografia de nada serve para compreender a sua escrita, mas se quisermos conhecê-lo profundamente para além dos muros das suas palavras, nada melhor do que ler a sua biografia.

E preferencialmente enquanto estivermos a ler os seus livros. A experiência de leitura torna-se mais profunda e cativante. Vivemos em pleno não só a escrita do autor, mas também o ambiente e a era em que viveu. 

Comecei por experimentar este método de leitura com Somerset Maugham e continuei a fazê-lo com Sophia de Mello Breyner Andresen.

Tem sido uma experiência memorável, com a leitura a tornar-se tridimensional, com todos os cinco sentidos aplicados a cada palavra que leio.

Uma experiência que tenciono repetir, porque o melhor do mundo é ler assim.

25
Out20

Bounded by nothing but infinity

He is extinguished! but he greeted all

that lives beneath the sun;

his heart responded to each living call

touching the heart of man;

on wings of thought he soared through earth and sky,

bounded by nothing but infinity.

Excerto do poema On the Death of Goethe

Yevgeny Baratynsky

in Chapter II - Around Pushkin

The Penguin Book of Russian Poetry - edited by Robert Chandler,

Boris Dralyuk and Irina Mashinski

O autor português de 2021 é Jorge de Sena
Preparem-se para dar a volta ao vosso mundo
A autora portuguesa em destaque de 2019/2020 foi Sophia de Mello Breyner Andresen
Visitem o seu mundo encantado
Tudo o que escrevi para o Desafio de Escrita dos P√°ssaros est√° aqui!
Tudo o que escrevi para Os Desafios da Abelha est√° aqui!
Já começou a viagem pelo mundo da Gata Borralheira.
Cinema e literatura num só.
Venham também!
bookinices_spring.png
A imprensa comentada no final de cada mês na Operação Bookini
Espreitem as bookinices
A autora deste blog n√£o adopta o novo Acordo Ortogr√°fico.

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

O que leio, capa a capa

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2015
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2014
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D

Estante

no fundo da estante