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Livrologia

Livrologia

31
Jul21

N√£o querem ser livres, querem estar seguros

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Este Verão tem sido o Verão da indiferença.

Indiferença perante a pandemia e as regras ridículas que nos são impostas. Já ninguém respeita a incoerência governativa que este país tem sofrido à mercê dos delírios de políticos que não sabem gerir um país, quanto mais uma pandemia.

Mas receio que esta indiferença se aprofunde e nos leve a um lugar de onde não conseguiremos voltar. 

Creio que os portugueses estejam já numa fase em que estão preparados para voluntariamente submeterem a sua liberdade individual em prol da paz, da estabilidade, da segurança, mesmo que fictícias. Não querem ser livres, querem estar seguros.

Aliás, creio que há um equívoco generalizado do conceito de liberdade em Portugal que se vai acentuando cada vez mais, em que para se ser livre basta ter dinheiro. E isto preocupa-me.

31
Jul21

Ah não, nem o que vejo a mim me vê

Contemplo inutilmente a voz que surge

e √© t√£o in√ļtil como contempl√°-la.

In√ļtil escrev√™-la, dar-lhe a fala

mansa e prov√°vel com que procur√°-la

por entre ecos urgentes e confusos.

 

Se eu próprio a escuto quando a vejo escrita

que só a entendo se me esqueço dela,

que sombras, que arvoredos à janela

o recordar ao recordar congela

como escolhidos, contemplados ecos?

 

Murm√ļrios vagos de amarguras n√≠tidas

sem sonhos inconfessos nem paisagens;

ciência certa de secretas viagens

pelo silêncio impuro de outras margens:

memórias são que pelo olhar se espelhem?

 

Ah não, nem o que vejo a mim me vê,

nem me é visão distante o que conheço.

E o próprio contemplar que, escrito, esqueço,

acaso é de outro acaso com que teço,

in√ļtil, um sentido em quem me l√™.

Poema De Poesia Falemos...

Fidelidade (1958)

in Poesia II de Jorge de Sena

30
Jul21

√Čdouard Louis, a crian√ßa martirizada que se tornou num intelectual brilhante**

Louis-photo-5-2.jpg

N√£o h√° nada mais revolucion√°rio do que a verdade.

~√Čdouard Louis~

√Č t√£o raro encontrar algu√©m que escreva t√£o apaixonadamente sobre um autor e, mais raro ainda, que me conven√ßa a fazer um desvio das minhas leituras para ir ao encontro de um novo autor que n√£o conhe√ßo.

Mas foi o que aconteceu durante estas f√©rias ao ler um artigo de Gon√ßalo Frota no √ćpsilon sobre √Čdouard Louis, um jovem romancista franc√™s que tem sido uma revela√ß√£o liter√°ria, especialmente porque todos os seus textos s√£o autobiogr√°ficos. Ali√°s, t√£o chocantes que mais parecem fic√ß√£o.

E o teatro está simplesmente a adorá-lo, com a encenação dos seus textos.

Não é estranho porque a história da minha vida é muito teatral.

Tenho borboletas na barriga como h√° muito n√£o tinha.

Vou incluí-lo nas minhas próximas compras livrescas e veremos se ficarei absolutamente rendida.

Espero que sim.

**Frase de¬†Jan Le Bris de Kerne sobre √Čdouard Louis no √ćpsilon

29
Jul21

Eu escuto que n√£o escuto

Às vezes quando a noite avança

e drapejantes param luminosas trevas,

eu escuto que n√£o escuto

sequer teus l√°bios horizontes de asas.

 

Excerto do poema O Rei de Tule

Fidelidade (1958)

in Poesia II de Jorge de Sena

29
Jul21

E os destinos vivem-se como outra vida

E os destinos vivem-se

como outra vida. Ou como solid√£o.

E quem l√° entra? E quem l√° pode estar

mais que o momento de estar só consigo?

 

Diz-me assim devagar coisa nenhuma:

o que à morte se diria, se ela ouvisse,

ou se diria aos mortos, se voltassem.

Excerto do poema Fidelidade

Fidelidade (1958)

in Poesia II de Jorge de Sena

28
Jul21

Tínhamos alergia às ditaduras

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Nesta fase da leitura de Sena j√° o conhecemos suficientemente bem para adivinhar qual a sua postura perante a ditadura.

Um inconformista e um humanista Jorge de Sena chegou a envolver-se numa tentativa falhada de golpe de Estado militar contra o regime salazarista em 1959 - o Golpe da Sé -  partindo voluntariamente para o exílio nesse mesmo ano, nunca mais regressando a Portugal de forma definitiva.

Jorge de Sena partiu em 1959 para o exílio, porque estava "coarctado" na sua liberdade. "Saímos para ele escrever sem pensar nos limites que lhe eram impostos", explica a sua mulher. 

Jorge de Sena exilou-se ent√£o voluntariamente no Brasil, onde chegou a 7 de Agosto. "Passou a ter condi√ß√Ķes de vida e de trabalho que potenciaram a sua criatividade", diz Jorge Fazenda Louren√ßo, especialista na obra deste autor.¬†

Nos anos seguintes, "ir a Portugal era um jogo", porque entre 1959 e 1968 "tinha ordem de prisão", conta Mécia de Sena. Saíram do Brasil por causa do golpe militar em 1964. "Tínhamos alergia às ditaduras. Saímos do Brasil também por causa da ditadura", explica Mécia.

in P√ļblico

28
Jul21

N√£o sei porque n√£o falam disto

N√£o sei porque n√£o falam disto.

Será porque falar ameaça no hálito tão ténue

a flor lindíssima que o menor sopro mata?

Falando todavia, tudo se suspende;

e que n√£o existe para sempre mesmo depois das palavras?

Excerto do poema A Cidade Feliz

Fidelidade (1958)

in Poesia II de Jorge de Sena

P√°g. 1/8

Quanto mais leio, menos sei

O autor português de 2021 é Jorge de Sena
Preparem-se para dar a volta ao vosso mundo
A autora portuguesa em destaque de 2019/2020 foi Sophia de Mello Breyner Andresen
Visitem o seu mundo encantado
Tudo o que escrevi para o Desafio de Escrita dos P√°ssaros est√° aqui!
Tudo o que escrevi para Os Desafios da Abelha est√° aqui!
Já começou a viagem pelo mundo da Gata Borralheira.
Cinema e literatura num só.
Venham também!
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A imprensa comentada no final de cada mês na Operação Bookini
Espreitem as bookinices
A autora deste blog n√£o adopta o novo Acordo Ortogr√°fico.

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