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Livrologia

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30
Jun22

Eis aí uns pensamentos jogados no papel

marioandrade2.png

M√°rio de Andrade sofreu muito com o preconceito por ser homossexual.

Naquele tempo o autor n√£o o reconheceu publicamente devido √†s press√Ķes sociais de uma cultura conservadora, mas viria a confess√°-lo numa carta escrita ao seu amigo Manuel Bandeira:

 

(...) Está claro que eu nunca falei a você sobre o que se fala de mim e não desminto. Mas em que podia ajuntar em grandeza ou milhoria pra nós ambos, pra você, ou pra mim, comentarmos e elucidar você sobre a minha tão falada (pelos outros) homossexualidade? Em nada.

Valia de alguma coisa eu mostrar o muito de exagero nessas contínuas conversas sociais? Não adiantava nada pra você que não é indivíduo de intrigas sociais. Pra você me defender dos outros? Não adiantava nada pra mim porque em toda vida tem duas vidas, a social e a particular, na particular isso só interessa a mim e na social você não conseguia evitar a socialisão absolutamente desprezível duma verdade inicial.

Quanto a mim pessoalmente, num caso t√£o decisivo pra minha vida particular como isso √©, creio que voc√™ est√° seguro que um indiv√≠duo estudioso e observador como eu h√° de t√™-lo bem catalogado e especificado, h√° de ter tudo normalizado em si, si √© que posso me servir de ‚Äúnormalizar‚ÄĚ neste caso.

(...) Eis aí uns pensamentos jogados no papel sem conclusão nem sequencia, faça deles o que quiser.

30
Jun22

Meus lábios são que nem destroços

Meus lábios são que nem destroços
Que o mar acalanta em sossego.

A luz do candieiro te aprova,
E ... não sou eu, é a luz aninhada em teu corpo
Que ao som dos coqueiros do vento
Farfalha no ar os adjetivos.

 

Excerto do poema XI Ai momentos de físico amor - Poemas da Negra

in Remate de Males (1930) de Mário de Andrade

29
Jun22

Eu era praticamente um escritor nocturno e de fim-de-semana

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Em que medida √© que as suas obriga√ß√Ķes¬† de chefe de uma fam√≠lia numerosa t√™m estimulado ou comprometido a sua produ√ß√£o liter√°ria?

 

Muita gente neste mundo tem sido pai de nove filhos ou mais, ou tem sido formado em engenharia e sido escritor, sem que isso constitua motivo de espanto.

Parece que, comigo, não é assim. Talvez que a razão esteja em que, nos meus trinta anos de escritor, eu escrevi muitíssimo -  e as pessoas, na sua maioria menos velozes ou mais preguiçosas do que eu, não entendem como é que eu sempre tive tempo para tudo. 

Tive at√© tempo para muitas mais coisas. Mas, quanto √†s obriga√ß√Ķes de chefe de fam√≠lia, em si mesmas, h√° duas maneiras de entend√™-las: em que medida tive de trabalhar mais do que os outros, proporcionalmente, para sustentar a dita cuja fam√≠lia, e em que medida tive de dedicar tempo √† educa√ß√£o dos meus filhos.

(...)

Em Portugal, trabalhando como funcion√°rio p√ļblico, com obriga√ß√Ķes de hor√°rio (de que, diga-se a verdade, nem sempre fui muito respeitador), e com obriga√ß√Ķes de desloca√ß√£o pelo pa√≠s (a que devi, durante quinze anos, o ficar a conhecer Portugal como poucos o conhecer√£o, porque poucos ter√£o usado de uma tal oportunidade com as preocupa√ß√Ķes de v√™-lo culturalmente, que eu tive), e ainda como director liter√°rio de uma editorial, eu era praticamente um escritor nocturno e de fim-de-semana.

 

Excerto da entrevista O Tempo e o Modo, Lisboa, n.¬ļ 59, Abril de 1968

in Entrevistas 1958-1978, edição de Mécia de Sena e Jorge Fazenda Lourenço

29
Jun22

As p√°trias velhas

As p√°trias velhas n√£o se inventam: vivem-se

 

Excerto do poema¬†¬ęOs poetas se publicam todavia.¬Ľ

Poemas "Políticos e afins" (1972-1977)

in 40 Anos de Servidão de Jorge de Sena

28
Jun22

M√°rio de Andrade foi um homem cheio de inquietude

marioandrade2.png

Mário de Andrade foi um homem cheio de inquietude. Tanto que para além de querer aprender tudo o que houvesse para aprender, também quis mudar algo no mundo à sua maneira.

Como tal participou em pol√≠ticas p√ļblicas, especialmente enquanto foi respons√°vel pelo¬†Departamento de Cultura do Munic√≠pio de S√£o Paulo, onde esteve √† frente de projetos para a Biblioteca Municipal (agora chamada de Biblioteca M√°rio de Andrade), a Discoteca P√ļblica e parques da cidade.¬†

Criou também a proposta que fundaria o Serviço do Património Histórico e Artístico Nacional, que mais tarde se tornou num instituto autárquico de preservação patrimonial do Ministério da Cultura.

Em 1938, chegou também a assumir a direcção do Instituto de Artes da actual Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

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