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Livrologia

Livrologia

31
Ago22

Sem ti, eu faria talvez poemas, e nada mais

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S√£o Paulo, 3/10/59

Meu amor, minha querida Mécia

(...) A minha vida e não só ela, como eu próprio, não tem sentido senão em função de ti.

Por¬†ti e para ti, pelo teu amor eu vivo, ou nada valeria para mim ‚Äď esta √© que √© a verdade.

√Čs a¬†minha consci√™ncia, o meu gosto de viver, a minha dignidade, tudo o que vale a pena. Sem ti,¬†eu faria talvez poemas, e nada mais. Mas f√°-los-ia? Acharia que valia a pena faz√™-los? Ou¬†apenas sonambulamente vaguearia? Oh meu amor, minha vida que tu √©s.(...)

Beijos, beijos e saudades do teu que te aperta contra o coração

Jorge

 

in¬†Correspond√™ncia Jorge de Sena e M√©cia de Sena ¬ęVita Nuova¬Ľ¬†(Brasil, 1959-1965)

com organização de Maria Otília Pereira Lage

31
Ago22

V√°rios fragmentos de versos ou versos inteiros, que se me organizaram num poema e num soneto

Hoje, pela manhã, surgiram-me vários fragmentos de versos ou versos inteiros, que se me organizaram num poema e num soneto, que espero seja o primeiro da sequência por que anseio há tanto. Julgo-os do melhor que tenho feito, e satisfazem-me em comparação com o que, e raramente, andava fazendo.

Di√°rio 1953-1954 - 12/2/54

in Diários de Jorge de Sena

31
Ago22

Hoje nevou esplendorosamente em Lisboa

Hoje nevou esplendorosamente em Lisboa, como creio nunca chegara a acontecer. Efeitos de terem levantado um pouco a "Cortina de Ferro" em Berlim... n√£o h√° d√ļvida... Veio logo este ar de Sib√©ria, que d√° a Lisboa e √† serra de Monsanto ares de grande Europa. Mas a serra, onde o Edgar Cardoso me levou e a outros para ver a neve, era realmente um magn√≠fico espect√°culo.

Di√°rio 1953-1954 - 2/2/54

in Diários de Jorge de Sena

31
Ago22

Considero a humanidade um defeito completo

Escrevi longamente ao Ramos Rosa, a quem devia duas cartas.

Disse-lhe: Quanto a essa inocência que me diz ter perdido politicamente, que perdê-la seja por si só um mal, não creio. Em sentido restrito, em tudo como no amor, é preciso começar por perdê-la. Mas não superar esta perda, isso, sim, que é um mal: análogo ao do adolescente que faz a sua virtude do horror que lhe causaram as primeiras experiências do amor. O que, manifestamente, não é virtude nenhuma.

Eu tenho para mim que o nosso dever de intelectuais é compreender até que ponto as coisas são mais e insubstituivelmente como são.

As ideias s√£o pensadas e vividas por seres humanos, que n√£o julgo defeituosos sen√£o na medida em que considero a humanidade um defeito completo.

Di√°rio 1953-1954 - 30/1/54

in Diários de Jorge de Sena

30
Ago22

Só em 1940 vim a conhecê-lo pessoalmente

marioandrade2.pngO primeiro livro dele que li deve ter sido Primeiro Andar, comprado na excelente livraria da cidade, Vida Social, que além dos clássicos e das novidades, além de obras em francês e inglês, tinha essa coisa rara: alguns livros dos modernistas, sempre editados em pequenas tiragens e muito mal distribuídos.

Foi a √ļnica livraria em toda a minha vida onde vi Serafim Ponte Grande, de Oswald de Andrade, cuja edi√ß√£o quase secreta foi de 500 exemplares. Em 1938, j√° em S√£o Paulo, li Macuna√≠ma. Em 1939 e 1940 li os outros livros de M√°rio.

Só em 1940 vim a conhecê-lo pessoalmente, numa visita que lhe fizemos Décio de Almeida Prado, Paulo Emilio Salles Gomes e eu.

A partir dali tivemos rela√ß√Ķes cordiais mas meio cerimoniosas, embora nos v√≠ssemos com certa freq√ľ√™ncia, inclusive porque S√£o Paulo era menor, com pouco mais de um milh√£o de habitantes e toda a gente se cruzava nas poucas exposi√ß√Ķes, livrarias e espet√°culos.

in O Mário que eu conheci de Antonio Candido

30
Ago22

Eu sou um escritor difícil

Eu sou um escritor difícil
Que a muita gente enquizila,
Porém essa culpa é fácil
De se acabar duma vez:
√Č s√≥ tirar a cortina
Que entra luz nesta escurez.

 

Excerto do poema Lundu do Escritor Difícil

in A Costela do Gr√£ C√£o

in Poesias Completas I (1941) de Mário de Andrade

30
Ago22

E o mar ondula e desmaia

E o mar ondula e desmaia,
Depois me empurra é fatal
O mar me empurra pra areia
Sou atirado na praia
Das palmeiras, minha rua...

Excerto do poema Canto do Mal-de-Amor

in A Costela do Gr√£ C√£o

in Poesias Completas I (1941) de Mário de Andrade

P√°g. 1/16

Quanto mais leio menos sei
O autor português de 2021/2022 é Jorge de Sena
Preparem-se para dar a volta ao vosso mundo
A autora portuguesa em destaque de 2019/2020 foi Sophia de Mello Breyner Andresen
Visitem o seu mundo encantado
Tudo o que escrevi para o Desafio de Escrita dos P√°ssaros est√° aqui!
Tudo o que escrevi para Os Desafios da Abelha est√° aqui!
Já começou a viagem pelo mundo da Gata Borralheira.
Cinema e literatura num só.
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Notícias literárias ou assim-assim em Operação Bookini
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