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Livrologia

Livrologia

30
Abr23

Aceitar e respeitar a obra literária no seu contexto histórico

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No passado dia 23 de Abril comemorou-se o Dia Mundial do Livro. Data instituída pela UNESCO em 1995, escolhida por ter sido o mesmo dia que em 1616 foi sepultado Miguel de Cervantes, coincidindo o dia também com as datas do nascimento e da morte de William Shakespeare.

Este ano incidiu sobre o tema das línguas indígenas.

 

A ditadura do politicamente correcto saiu √† rua com a destrui√ß√£o de obras liter√°rias, com altera√ß√Ķes ad hoc √† escrita original de autores como Agatha Christie. Parece-me que a censura ditatorial regressou √† literatura o que n√£o deixa de ser ir√≥nico quando se apregoa tanto a liberdade.

H√° que aceitar e respeitar a √©poca e o contexto hist√≥rico em que foram escritas, o que implica aceitar um passado em que n√£o havia linguagem inclusiva. J√° Conf√ļcio dizia que devemos estudar¬†o passado, se quisermos decifrar o futuro.

 

A não esquecer a Feira do Livro de Lisboa que irá decorrer entre os dias 25 de Maio e 11 de Junho no Parque Eduardo VII.

30
Abr23

E não era só na sebe de ervilheiras que havia mistério

Penetrava a sebe mas não penetrava o mistério que fugia sempre.

E n√£o era s√≥ na sebe de ervilheiras que havia mist√©rio. Em todas as copas das √°rvores, dentro de todos os bosques, no seio rec√īndito de todo o arvoredo, havia sempre qualquer coisa que, se eu me afundava na densidade da folhagem, parecia fugir de mim, esconder-se, mas continuar num rumorejar difuso, num adejar discreto √† minha volta, mais adiante um pouco, mais al√©m...

in Horas Vivas: Mem√≥rias da Minha Inf√Ęncia¬†(1952) de Nat√°lia Nunes

29
Abr23

Natália Nunes, a escritora para além da escrita

NATALIA.jpgNascida em Lisboa, a 18 de Novembro de 1921 Nat√°lia Nunes para al√©m de ficcionista foi¬†tradutora, traduzindo¬†Dostoievsky, Tolstoi, Simonov, Elsa Triolet, Violette Leduc, Balzac e Roger Portal, para editoras como a Portug√°lia, Edi√ß√Ķes Cosmos e Edi√ß√Ķes Aguilar, do Rio de Janeiro.

No ensaio, escreveu ainda sobre Dostoievski, Raul Brandão, Augusto Abelaira, José Cardoso Pires, entre outros autores, sobretudo para as revistas Vértice e Seara Nova.

Licenciada em Ciências Histórico-Filosóficas pela Faculdade de Letras de Lisboa, especializou-se mais tarde como Bibliotecária-Arquivista em Coimbra, tendo ocupado o cargo de conservadora no Arquivo Nacional da Torre do Tombo e de bibliotecária na Escola Superior de Belas Artes, conciliando com a escrita.

28
Abr23

Todo o mal que ela podia fazer-nos se evitava com essa simples abstenção: não olhar

Havia temporadas em que me esquecia da existência dessa raposa da capoeira velha. Mas de outras vezes, quando era obrigada a passar-lhe defronte, evitava olhar para os seus domínios.

Sabia que a manhosa não gostava nada de que olhassem a sua morada. Todo o mal que ela podia fazer-nos se evitava com essa simples abstenção: não olhar.

Apesar disto sempre ia deitando uma olhadelazita pelo canto dos olhos. Isso, na verdade, não era bem olhar e o que ela acima de tudo detestava era que nós mirássemos de frente, sem disfarces.

Essa raposa velhaca passara a ocupar a capoeira desde o dia em que a C√Ęndida Maluca se sentara ali e se pusera a gritar: -Raposa! Raposa! L√° est√° ela...

Eu não a vi entrar para a capoeira nesse dia mas, o que é certo, é que foi desde então que ela passou a viver lá.

in Horas Vivas: Mem√≥rias da Minha Inf√Ęncia¬†(1952) de Nat√°lia Nunes

27
Abr23

A imaturidade de um povo é sempre espelho da imaturidade dos seus governantes

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Se me permitem uma observação que não é dirigida contra ninguém, nem contra partidos, eu penso que a imaturidade de um povo é sempre espelho da imaturidade dos seus governantes.

Se um povo se manifesta ou parece imaturo √© porque provavelmente os dirigentes que dele se aproximaram, n√£o tomaram em conta as realidades; n√£o se aproximaram dele do √Ęngulo por que deveriam ter-se aproximado.

 

Excerto da entrevista Diário Popular,  30 de Setembro de 1976 por Baptista-Bastos

in Entrevistas 1958-1978, edição de Mécia de Sena e Jorge Fazenda Lourenço

25
Abr23

Reencontrar os meninos e as meninas que fomos

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√Ä procura dos tempos perdidos da inf√Ęncia, em plena fuga da idade adulta, Nat√°lia Nunes escreve na primeira pessoa e descreve-nos os olhares, as experi√™ncias, as perguntas sem resposta, as aventuras dos tempos de menina que passou em plena natureza, em Oliveira de Frades, bem longe da grande cidade onde vivia.

O mais delicioso deste livro -¬†Horas Vivas: Mem√≥rias da Minha Inf√Ęncia -¬† s√£o as observa√ß√Ķes de pura simplicidade e¬† ingenuidade que nos convidam a entrar nas nossas mem√≥rias de inf√Ęncia e a reencontrar os meninos e as meninas que fomos.

24
Abr23

Porque as flores não eram apenas feitas de pétalas coloridas e de perfume

No jardim gostava de andar de canteiro para canteiro, de recanto para recanto, a descobrir os segredos das flores. Porque as flores não eram apenas feitas de pétalas coloridas e de perfume, tinham uma vida, sentimentos, que nós podíamos conhecer.

Quando olhava para a cara dos amores-perfeitos via logo que eles se estavam a rir de mim, a fazer troça. Tinham cara mas eram uns descarados...

in Horas Vivas: Mem√≥rias da Minha Inf√Ęncia¬†(1952) de Nat√°lia Nunes

P√°g. 1/4

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