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Livrologia

Livrologia

26
Set23

Nat√°lia Nunes | Autobiografia de uma Mulher Rom√Ęntica

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A desilus√£o amorosa de uma personagem¬†feminina, que se refugia na prov√≠ncia, seria uma descri√ß√£o redutora de¬†Autobiografia de uma Mulher Rom√Ęntica.¬†

Um livro que marcou uma época em que a literatura de autoria feminina começou a ganhar mais destaque, em paralelo com a luta pela emancipação intelectual da mulher portuguesa.

Neste e nos seus futuros livros, Nat√°lia Nunes teve a ousadia de escrever sem medo sobre o papel e as limita√ß√Ķes da mulher em Portugal, durante os anos 50 e 60. N√£o √© apenas feminismo, mas o feminino na sua ess√™ncia.

Como j√° tinha referido anteriormente,¬†a sua escrita tem caracter√≠sticas¬†woolfianas, servindo-se de uma¬†t√©cnica narrativa de mon√≥logo interior, que aplica o fluxo de¬†consci√™ncia para exp√īr a complexidade do pensamento humano. Uma escrita de¬†car√°cter confessional que mergulha numa complexa an√°lise psicol√≥gica das viv√™ncias da personagem.

Mergulhei de tal forma neste livro que me esqueci frequentemente do que me rodeava e essa √© a prova da adora√ß√£o que senti pela leitura desta¬†Autobiografia de uma Mulher Rom√Ęntica.

25
Set23

Ant√≥nio Gede√£o tinha ¬ęum cora√ß√£o de velho¬Ľ

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Como ele pr√≥prio h√°-de declarar, com o seu habitual desassombro, no document√°rio de Diana Andringa, ‚Äún√£o tinha mais nada a dizer como poeta‚ÄĚ.

E se √© verdade que a sua poesia p√īde, atrav√©s dos cantautores, chegar a um p√ļblico mais vasto que a elite que habitualmente l√™ poesia, ‚Äúo que muito lhe agradou‚ÄĚ, tamb√©m √© verdade que Gede√£o acabou por ficar acantonado no tempo da revolu√ß√£o ‚Äúo que tem prejudicado a sua leitura e descoberta pelas novas gera√ß√Ķes‚ÄĚ, admite Cristina Carvalho. (...)

Enquanto foi cientista, escritor, poeta, professor R√≥mulo de Carvalho tamb√©m teve dois casamentos, dois filhos (Frederico Carvalho, f√≠sico-nuclear, e Cristina Carvalho, escritora), cosia os seus pr√≥prios bot√Ķes, criou sozinho uma filha beb√© quando a mulher, a escritora Nat√°lia Nunes, passou mais de um ano em Paris a estudar, ia religiosamente ao cinema todos os s√°bados √† noite.

Aos 25 anos foi dado como inapto para o servi√ßo militar por ter, nas palavras do m√©dico, ‚Äúum cora√ß√£o de velho‚ÄĚ. Talvez este m√©dico tenha percebido que o cora√ß√£o de R√≥mulo vinha de longe, ‚Äúdo fundo do tempo‚ÄĚ, assombrado.

A verdade é que só aos 90 anos o coração lhe falharia em consequência de uma isquémia cardíaca. Morreu uma semana depois de ser operado. Era o dia 19 de fevereiro de 1996.

in Observador

25
Set23

Bal√£o Esvaziado

Cansei os braços
a pendurar estrelas no céu.
Destino dos fados lassos.
Tudo termina em cansaços
braços
e estrelas
e eu.

A vida flui (parece) como um novelo que se desenrola
como um leque silencioso que se abre,
enquanto, no ovo, um rumor se encaracola, se encaracola e desenrola,
até quando, num repente,
se dispara, incandescente,
como na dança do sabre.

√ď del√≠rio de sentir,
doença de interrogar,
febre do nunca atingir!
Temperatura de partir
na esteira do insaciar.

Rescendem h√ļmus as ancas,
terras morenas e brancas,
campo de jogo androceu.
Afrouxam os braços lassos.
Tudo termina em cansaços,
terras
e braços
e eu.

Estrelas, p√Ęntanos, abismos,
patamares da mesma escada,
dedos da mesma aliança.
Tudo morre em tédio e em nada.
Tudo maça.
Tudo enfada.
Tudo pesa.
Tudo cansa.

Poema Balão Esvaziado in Movimento Perpétuo 1956

in Obra Completa de António Gedeão

24
Set23

Gostam de ler sobre drag√Ķes, magia, monstros, feiti√ßos?

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Já ouviram falar de ficção escapista?

Se gostam de ler sobre drag√Ķes, magia, monstros, feiti√ßos, e sentem que √© muito mais agad√°vel viver algumas horas nesses mundos imagin√°rios do que na cinzenta realidade, ent√£o saber√£o do que estou a falar.

Aliás, um leitor curioso gosta de ler todo o tipo de livros, desde livros nus e crus sobre a realidade, livros históricos sobre o passado da humanidade, livros distópicos, livros de poesia e também livros de ficção escapista para uma pausa bem merecida.

A expressão ficção escapista geralmente define a escrita que permite ao leitor escapar do tédio do mundo real para uma realidade alternativa, uma realidade imaginada e arquitectada pelo autor que compensa a imprevisibilidade do mundo real, oferecendo ao leitor uma certa estrutura, racionalidade e resolução.

√Č um termo¬† que nas hostes liter√°rias √© sussurrado com¬†um trejeito de condescend√™ncia como se n√£o fosse literatura "s√©ria", por servirem o √ļnico prop√≥sito de¬†escapar, de fugir da realidade da vida quotidiana.

A fic√ß√£o escapista n√£o √© apenas um v√≠cio mau e barato dos desiludidos e entediados pela vida, que buscam ref√ļgio numa literatura menor para esquecer os problemas do dia-a-dia. √Č uma fic√ß√£o que abre um porta, que mostra a luz do sol l√° fora, que nos d√° um lugar para onde ir, um lugar onde queremos estar, naquele exacto momento em que mergulhamos nas suas p√°ginas.

Ler um J.R.R. Tolkien, um C.S. Lewis, uma J. K. Rowling pode n√£o substituir a nossa realidade, mas faz-nos muito felizes quando deambulamos pelo seu imagin√°rio.

24
Set23

√Č como se o sol me atravessasse toda e me tornasse num ser transl√ļcido

Aqui estou outra vez √† beira-mar. A meus p√©s a orla das algas e dos bichos marinhos com este cheiro penetrante, intenso, nauseante, a vida qu√≠mica, elementar, viscosa. Um sol fogoso, sobre o mar azul e a praia vermelha. Vejo-me incolor nesta euforia de cores, √© como se o sol me atravessasse toda e me tornasse num ser transl√ļcido.

√Č irris√≥ria, grotesca, a minha presen√ßa de espectro nesta paisagem colorida.

in¬†Autobiografia de uma Mulher Rom√Ęntica¬†(1955) de Nat√°lia Nunes

23
Set23

Os deveres p√ļblicos levaram Plutarco v√°rias vezes a Roma

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Plutarco ou L√ļcio M√©strio Plutarco¬†nasceu numa fam√≠lia abastada, membro da elite grega, cerca de¬†46 a 47 d.C., em¬†Chaeronea, centro da Gr√©cia.¬†Filho de Arist√≥bulo, ele pr√≥prio bi√≥grafo e fil√≥sofo.

Em 66-67 d.C. Plutarco estudou matemática e filosofia em Atenas com o filósofo Amónio.

Os deveres p√ļblicos levaram-no v√°rias vezes a Roma, onde leccionou filosofia, fez muitos amigos e talvez tenha conhecido os imperadores Trajano e Adriano.

Uma inscrição délfica revela que ele possuía cidadania romana e que o seu nome de família romano, Mestrius, foi adoptado do seu amigo Lucius Mestrius Florus, um consul romano.

23
Set23

Teseu tinha muitas coisas semelhantes a Rómulo

Ora, pareceu-me que Teseu tinha muitas coisas semelhantes a R√≥mulo, porque, tendo sido¬†ambos gerados clandestinamente e fora de leg√≠timo matrim√≥nio, tamb√©m tiveram ambos o¬†murm√ļrio de haverem nascido da semente dos deuses:¬†Ambos valentes, como todos sabem.

Excerto de Teseu e Rómulo

in Vidas Paralelas de Plutarco

Quanto mais leio menos sei
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Já começou a viagem pelo mundo da Gata Borralheira.
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