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Livrologia

Livrologia

31
Out23

Foi anunciado o autor laureado pelo Prémio Nobel da Literatura, o norueguês Jon Fosse

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Foi anunciado o autor laureado pelo Prémio Nobel da Literatura, o norueguês Jon Fosse. A Academia Sueca indicou que o prémio é atribuído "pelas suas peças de teatro e prosa inovadoras que dão voz ao indizível". 

Jon Fosse est√° publicado em mais de 50 l√≠nguas e escreveu romances, pe√ßas de teatro, poesia, livros para crian√ßas e ensaios.¬†Frequentemente comparado a Samuel Beckett, Henrik Ibsen e Thomas Bernhard, a obra de Fosse foca-se em¬†quest√Ķes existenciais como a morte, o amor, a f√© e o desespero.

Escreve, replicando o ritmo e a repeti√ß√£o de uma ora√ß√£o, e a precis√£o obsessiva do seu trabalho transformou o seu estilo numa nova forma liter√°ria, em que a metaf√≠sica ultrapassa o conte√ļdo.¬†Por isso, a experi√™ncia de leitura dos seus livros √© compar√°vel √† da medita√ß√£o.

O autor confessa:

Quando consigo escrever bem, sinto-me conectado com algo que n√£o sou eu de certeza.

Escrever √©, para mim, um ato de escuta. O que escrevo¬†vem do que j√° escrevi antes, no mesmo texto, e de algo mais. N√£o √© a minha imagina√ß√£o, √© algo que,¬†de alguma forma, me √© dado. √Č uma d√°diva.

30
Out23

Vinicius de Moraes guionista e compositor de bandas sonoras

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Para além da crítica cinematográfica, Vinicius de Moraes colaborou em diversos filmes ao longo da sua carreira, principalmente como guionista e compositor de bandas sonoras.

Em 1959, escreveu o guião do filme "Orfeu Negro", dirigido por Marcel Camus. O filme, uma adaptação da peça teatral "Orfeu da Conceição" de Vinicius de Moraes, tornou-se num clássico do cinema brasileiro e ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes em 1959.

Tamb√©m escreveu o gui√£o do filme "Bossa Nova", de 1960, dirigido por Joaquim Pedro de Andrade, e comp√īs a banda sonora de filmes como "O Auto da Compadecida" (2000), "Ganga Zumba" (1963) e "A Falecida" (1965).

30
Out23

√Č preciso confiar em Welles

Orson Welles vem ao Brasil.

Convenhamos que o fato se reveste de maior import√Ęncia para os apaixonados do cinema. Welles √© sangue novo, sangue produzido espontaneamente da revolta de um organismo que n√£o se quis deixar morrer e voltou a se avitaminar em bons frutos, de sumo √°cido. √Č preciso confiar em Welles. Tudo o que h√° de perigoso nesse homem, na sua arte, na sua viol√™ncia, na sua cr√≠tica, no seu desmando, √© necess√°rio √† cultura de um novo cinema que nasce.

O velho cinema, desvirtuado na sua t√©cnica para infiltra√ß√£o do mercantilismo, que a colocou a servi√ßo de um patrim√≥nio est√ļpido de sentimentos burgueses, azedou, sem embargo da boa massa do fundo que hoje j√° n√£o alimenta sen√£o a saudade de alguns f√£s mais tolerantes. Mas isso n√£o satisfaz ningu√©m.¬†

in Cinema de Vinicius de Moraes

29
Out23

Matilde acaba por n√£o pertencer a lugar nenhum

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Matilde nas √ļltimas p√°ginas de Regresso ao Caos¬†sente-se dividida como mulher: deixou de ser a mulher que todos esperavam que fosse e tornou-se na mulher que sempre quis ser.

Nessa √©poca, em que Matilde √© retratada, seria imposs√≠vel a exist√™ncia da mulher que se desnuda para um quadro com o intuito de criar arte.¬† Matilde acaba por n√£o pertencer a lugar nenhum, restando-lhe¬†ficar no ‚ÄúCaos‚ÄĚ, ap√≥s a morte do irm√£o.

Enquanto a família tolerava a veia artística do irmão, por ser homem, a Matilde não lhe perdoou o facto de seguir a vida artística, cortando radicalmente os laços com ela.

29
Out23

A modéstia é uma virtude plebeia e vulgar

Eu n√£o sou uma criadora, mas vivo em permanente contempla√ß√£o da cria√ß√£o. Admiro todas as artes e, acima de todas, a pintura e a m√ļsica. Colecciono obras de arte e... amigos artistas. Comigo pode estar √† vontade, dar largas a todas as suas exuber√Ęncias e caprichos, revelar-se em toda a sua anormalidade!

Não seja modesta, Matilde Osóriz, a modéstia é uma virtude plebeia e vulgar! Venho aqui, como um demónio, para arrebatar a sua alma para os meus domínios!

in Regresso ao Caos (1960) de Natália Nunes

28
Out23

As cinco idades da mitologia grega

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Estou mergulhada em pleno nas Vidas Paralelas de Plutarco, mais particularmente nas vidas de Teseu e Rómulo.

Têm sido páginas e páginas que me têm aberto o portal para um mundo há muito esquecido nas minhas memórias de leitora. Temos tendência para encarar a mitologia grega como meras histórias sobre deuses e deusas, mas não podemos desconsiderar outras figuras como monstros e humanos. 

Aliás, a humanidade na mitologia grega divide-se em cinco idades, que descrevem as várias fases do declínio do homem: da Idade do Ouro, em que não havia sofrimento, à actual Idade do Ferro, caracterizada pela divisão e pela separatividade.

 

Idade do Ouro

Esta seria a primeira idade que a humanidade já viveu. Nessa idade não havia trabalho, não havia luta, não havia guerra, não havia distinção de sexos ou entre deuses e humanos. Na Idade do Ouro vivia-se em comensalidade absoluta, os deuses e os humanos comiam juntos, viviam bem, não havia sofrimento, a morte era um sono, não havia moléstias, não havia nada.

 

Idade da Prata 

A partir da Idade do Ouro, h√° a passagem para uma outra era, sempre em degrada√ß√£o progressiva: a Idade da Prata. Hes√≠odo diz que a prata √© um metal inferior ao ouro, e aqui surge o que Hes√≠odo chama de¬†hybris¬†‚ÄĒ palavra que aparece muito na mitologia grega e que significa falta de medida, n√£o f√≠sica, mas em viol√™ncia moral, no orgulho, na prepot√™ncia, na vaidade.

O homem afasta-se da visão do todo e o ser espiritual é um ser que está ligado à totalidade. Quando, na Idade da Prata, perdemos um quarto da virtude, perdemos exatamente essa integração com o todo. Deste modo, o homem começa a perder o sentido do seu próximo, do outro, do que está ao seu lado. Há uma perda progressiva do sentido do outro e deixamos de reverenciar algo para além de nós mesmos.

 

Idade do Bronze

Passamos então para uma terceira idade, a do Bronze, onde a matriz é a guerra, a violência. Os homens já se inspiram no deus Ares, que tem o apelido de calcheu, isto é, aquele que é do bronze. Predomina o metal, as lanças, a guerra, a força bruta. 

 

Idade dos Heróis

Estranhamente Hesíodo cria a Idade dos Heróis, que seriam de dois tipos: há os que só procuram a violência, a guerra, cheios de hybris, e para esses há o inferno, vão povoar o Hades. E há os heróis da justiça, o que leva Hesíodo a fazer a separação: os heróis da justiça são aqueles que vão fazer a guerra certa e, quando morrem, vão para a ilha dos bem-aventurados.

 

Idade do Ferro

E, finalmente a √ļltima idade, a do Ferro, que estamos a viver.

Hesíodo diz que, quando Prometeu rouba o fogo dos céus e o entrega aos humanos, rebela-se contra Zeus, que ordena que Hefesto crie uma mulher maravilhosa chamada Pandora, para que ela desça até os humanos e provocar a divisão entre o masculino e o feminino.

28
Out23

Teseu ia punindo os malfeitores

De maneira semelhante, Teseu ia punindo os malfeitores, fazendo-os sofrer justamente os mesmos tormentos que tinham sido os  primeiros a fazer sofrer injustamente a outros.

Excerto de Teseu e Rómulo

in Vidas Paralelas de Plutarco

P√°g. 1/8

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Tudo o que escrevi para o Desafio de Escrita dos P√°ssaros est√° aqui!
Já começou a viagem pelo mundo da Gata Borralheira.
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