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Livrologia

Livrologia

30
Abr24

Comprei alguns livros da Colecção Biblioteca da Censura

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A 23 de Abril celebou-se o¬†Dia Mundial do Livro.¬†Comemorado desde 1996, este ano foi assinalado com um cartaz muito especial, que¬†assinala os 500 anos do nascimento de Cam√Ķes. ¬ęEsta comemora√ß√£o n√£o reverencia apenas o legado liter√°rio do poeta, mas tamb√©m pretende destacar a vastid√£o do seu conhecimento e a influ√™ncia duradoura que exerce sobre as culturas de l√≠ngua portuguesa em todo o mundo.¬Ľ

 

E, j√° que se fala de Cam√Ķes, a n√£o perder a leitura do artigo:Com que pena lembramos Cam√Ķes? de F√°tima Vizeu Pinheiro: ¬ęCelebrar Cam√Ķes √© celebrar a aspira√ß√£o de amor que todo o homem traz em si, fogo que arde sem se ver.¬† Celebrar Cam√Ķes √© celebrar Abril sem que os cravos tapem o poeta.¬Ľ

 

Logo a seguir, comemoraram-se 50 anos do 25 de Abril e, √† guisa de celebra√ß√£o, comprei alguns livros da¬†Colec√ß√£o Biblioteca da Censura. Entre 1933 e 1974, o Estado Novo censurou e proibiu uma longa lista de¬†livros, por os considerar capazes de ‚Äúpervers√£o da opini√£o p√ļblica‚ÄĚ. Agora podemos ler alguns desses livros que constam dessa mesma colec√ß√£o. Na capa de alguns deles consta o carimbo da proibi√ß√£o original do Estado Novo.

 

E falando de censura, ¬ęA¬†hist√≥ria da censura √© longa e universal. Cinquenta anos passados do 25 de Abril, importa reflectir acerca das raz√Ķes de estado invocadas para proibir determinantemente a leitura de uma ou de v√°rias obras de um autor. O caso portugu√™s √© particularmente interessante. Num pa√≠s de analfabetos, proibir a leitura parece ser um n√ļmero de com√©dia semelhante a proibir um cego de ver televis√£o.¬Ľ Obrigat√≥rio ler¬†A longa noite dos livros censurados de Vasco Medeiros.

30
Abr24

Esta terra molhada est√°-me absorvendo

Quem é, mas quem é o senhor que não é igual a mim. Seria eu a contar-lhe a minha história e afinal não consigo porque nem voz já tenho. Já não tenho nada, nada a não ser esta insegurança, esta sensação de nada e se me tocar não me sinto, já nem através das pálpebras o pressinto.

Diga-me quem é porque me sinto a desaparecer por entre este musgo. Esta terra molhada está-me absorvendo. Ao mesmo tempo, é uma boa sensação.

in Estranhos Casos de Amor (2003) de Cristina Carvalho

 

29
Abr24

As leis científicas são condensadas por Gedeão

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Qual √© o destino ‚Äď na poesia ‚Äď dessas competidoras, √†s vezes¬†complementares, energias da ci√™ncia e da poesia?

A primeira √© uma¬†actividade mental intrinsecamente p√ļblica e quantific√°vel, esta √ļltima, uma¬†energia opaca cujas origens escapam aos contornos racionais.

As leis científicas são condensadas por Gedeão em imagens concisas que lhe permitem alegorizar - em contrastes irónicos e, muitas vezes, inquietantes - a existência humana como subjectividade confusa ou enganada, como um jogo de sombras em torno de uma busca equívoca - ao mesmo tempo, desesperada e irrealizável - por uma libertação da nossa história colectiva dominada por conflitos.

Excerto de An Introduction to the Poetry of António Gedeão

de Christopher Damien Auretta

29
Abr24

Poema do Verde Prado

Enquanto a Lua sobe, o ala√ļde
soa, ressoa, pertinaz, plangente.
Passa de negro o espectro da virtude
movendo os l√°bios fervorosamente.

Bala o cordeiro manso, e a voz ecoa,
tímida e branda, sonolenta e mole.
Dos prados desce às ruas de Lisboa.
Nem uma aragem na folhagem bole.

Silêncio.
Apurando o ouvido sobre a loisa,
e forcejando o fecho,
parece ouvir-se ao longe qualquer coisa.
√Č a Terra girando no seu eixo.

Poema do Verde Prado

4 Poemas da Gaveta

in Obra Completa de António Gedeão

28
Abr24

A ¬ęmiss√£o socr√°tica¬Ľ n√£o tinha por objectivo a mera promo√ß√£o intelectual

filosofia.pngA ¬ęmiss√£o socr√°tica¬Ľ n√£o tinha por objectivo a mera promo√ß√£o intelectual dos que o ouviam; longe disso, ao admitir como aut√™ntica virtude humana o conhecimento, combatendo a ignor√Ęncia estava tamb√©m a perseguir o aperfei√ßoamento moral dos indiv√≠duos - o mal e as condutas injustas s√£o apenas fruto da ignor√Ęncia e a √©tica √© correlativa √† sabedoria.
imageedit_3_3426030251.png

28
Abr24

Porque perfume só o têm certas flores delicadas

Quando o jardineiro se afastou, a irm√£, que estava presente, n√£o se conteve:

- Não fale em perfume, referindo-se a um manjerico. Porque perfume só o têm certas flores delicadas. O manjerico é quase uma planta de jardim potager, até serve para temperos de cozinha. Há no seu cheiro, cheiro e não perfume, qualquer coisa de ordinário, de plebeu, não lhe parece?

in Vénus Turbulenta (1997) de Natália Nunes

27
Abr24

Ternuras, mimos, palavras doces, que lhe ouvisse só para gatos

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Na rua, caminhavam lado a lado, sem dar o bra√ßo. At√© porque do bra√ßo dele pendia um guarda-chuva que mantinha uma dist√Ęncia regimental.

O namoro acabou, n√£o sei quando. Mas ao longo da vida esse guarda-chuva perdurou, n√£o como objeto utilit√°rio, mas como reserva de privacidade, resguardo de emo√ß√Ķes que Augusto Abelaira s√≥ deixava transparecer relativamente a acontecimentos ou ideias. Muito raramente em rela√ß√£o a pessoas. Ternuras, mimos, palavras doces, que lhe ouvisse s√≥ para gatos.
E, no entanto sabíamos que era um homem sensual.

Da√≠ que agora, depois do seu desaparecimento, rememorando os anos de conv√≠vio e relendo o que escreveu, n√£o resista a um pequeno exerc√≠cio mental tanto a seu gosto e me interrogue sobre se para ele os amigos foram verdadeiramente amigos, se os amores foram verdadeiramente amores ou simplesmente personagens √ļteis ao di√°logo que ele manteve com o mundo, esse mundo que ele questionou incessantemente. Personagens √†s vezes simp√°ticas, fascinantes, mesmo. Outras terrivelmente ma√ßadoras.

Augusto Abelaira não escondia o fastio do tributo a que o convívio o obrigava.

P√°g. 1/8

Quanto mais leio menos sei
Tudo o que escrevi para o Desafio de Escrita dos P√°ssaros est√° aqui!
Já começou a viagem pelo mundo da Gata Borralheira.
Cinema e literatura num só.
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