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Livrologia

Livrologia

10
Jun24

Este livro era um dobre a finados pelo neo-realismo

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Poucos livros de fic√ß√£o nos dois √ļltimos dec√©nios levantaram no nosso meio liter√°rio t√£o grande agita√ß√£o, produzindo na imprensa peri√≥dica uma vultuosa soma de coment√°rios, como Finisterra, o √ļltimo livro deste escritor, sobretudo na ala esquerda dos literatos e dos jovens acad√©micos.

Verg√≠lio Ferreira comenta o acontecimento no vol. I da sua Conta Corrente (p. 230): "Invulgar agita√ß√£o no arraial das letras. Carlos de Oliveira publicou um novo romance, Finisterra. O mais pequeno livro seu foi sempre justo motivo de contentamento e excita√ß√£o geral. Mas nunca como agora. Abelaira declarou-o logo 'o maior livro que se publicou em Portugal h√° trinta anos' [...] Um outro cr√≠tico declarou o futuro do romance gravemente comprometido ou encerrada mesmo a sua carreira, por n√£o se ver como ser agora carreira a continuar [...] Eu passei uns olhos ligeiros pelo livro [...] e pareceu-me um livro, precioso, sem d√ļvida, mas talvez (n√£o ser√°?) do g√©nero bibelot, trabalhado a buril e todo cerzido de hermetismo [...] Tenho de reler Finisterra com aplica√ß√£o. Uma coisa, todavia, me pareceu evidente e foi que este livro era um dobre a finados pelo neo-realismo."

in A Ressurreição das Florestas (1997) de Natália Nunes

09
Jun24

Uma história feliz de iniciação, de descoberta e sonho

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Graças a um estilo ático, numa escrita fluente e bem ritmada, a autora de O Gato de Uppsala proporciona uma leitura fácil e atraente. 

Na sua simplicidade art√≠stica, O¬†Gato de Uppsala¬†prop√Ķe leituras diversas na hist√≥ria que conta. H√° uma vis√£o poliss√©mica da natureza, do amor, da humanidade e da animalidade.¬†

A narrativa apresenta um sentido inici√°tico que unifica as personagens e os elementos naturais em que vivem e que as envolvem.

Esta √© uma hist√≥ria de amor entre dois jovens, Elvis e Agnetta, uma hist√≥ria feliz de¬†inicia√ß√£o, de descoberta e sonho: a viagem, a p√©, desde Uppsala at√© Estocolmo,¬†movidos pelo desejo de descobrir o mist√©rio do mar e de ver uma das maravilhas do¬†seu tempo ‚Äď o grande e rico Vasa ‚Äď navio de guerra mandado construir por Gustavus¬†II Adolphus, rei da Su√©cia. Quis o destino que, no dia 10 de Agosto de 1628, dia da¬†viagem inaugural, a vida de Elvis e Agnetta fosse salva por um gato.

in gatoduppsala.wordpress.com

09
Jun24

Uma coisa é certa: as pessoas são sempre as mesmas

Como se vê, estas aventuras podiam ser intemporais, passadas nos dias de hoje ou há cem, duzentos, quatrocentos anos. As cidades crescem, consegue-se mudar o curso dos rios, inventa-se muito, fala-se com novas palavras, vamos existindo, vamos existindo...

Uma coisa é certa: as pessoas são sempre as mesmas e os seus sentimentos não mudam nem mudarão, a não ser que um dia deixe de haver pessoas, o que pode acontecer.

in O Gato de Uppsala (2009) de Cristina Carvalho

08
Jun24

A poesia de Gedeão desenvolve uma complexa ironia epistemológica

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Em √ļltima an√°lise, a poesia de Gede√£o desenvolve uma complexa ironia epistemol√≥gica, que √© particularmente vis√≠vel naqueles poemas onde ele traz¬†na proximidade disjuntiva a linguagem de verifica√ß√£o que caracteriza as ci√™ncias emp√≠ricas e a linguagem finamente modulada de¬†significado incorporado na intensidade do transporte metaf√≥rico.
Ele revela assim uma unidade subjacente, embora não inteiramente neutra, de missão mimética operando em todo o real, em todas as suas formas de manifestação e representação simbólica, apesar da natureza ser ostensivamente divergente dos valores de verdade alcançados pela experimentação científica, por um lado, e pela experiência literária, por outro.

Excerto de An Introduction to the Poetry of António Gedeão

de Christopher Damien Auretta

08
Jun24

Poema das Coisas

Amo o espaço e o lugar, e as coisas que não falam.
O estar ali, o ser de certo modo,
o saber-se como é, onde é que está e como,
o aguardar sem pressa, e atender-nos
da forma necess√°ria.

Serenas em si mesmas, sempre iguais a si próprias,
esperam as coisas que o desespero as busque.

Abre-se a porta e o próprio ar nos fala.
As cortinas de rede, exactamente aquelas,
a cadeira onde a memória está sentada,
a mesa, o copo, a chávena, o relógio,
o móvel onde alguém permanece encostado
sem volume e sem tempo,
nós próprios, quando os olhos indignados
nas p√°lpebras se encobrem.

P√Ķe-se a pedra na m√£o, e a pedra pesa,
pesa connosco, forma um corpo inteiro

Fecha-se a m√£o, e a m√£o toma-lhe a forma,
conhece a pedra, entende-lhe o feitio,
sente-a macia ou √°spera, e sabe em que lugares.
Abre-se a m√£o, e a mesma pedra avulta.

Se fosse o amor dos homens
quando se abrisse a m√£o j√° l√° n√£o estava.

Poema das Coisas

Poemas Póstumos 1983

in Obra Completa de António Gedeão

07
Jun24

Mantivemos em comum amigos antigos e novos amigos

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O fecho de O Século separou-nos. Voltamos a trabalhar juntos na RTP onde ele foi diretor do Departamento de Assuntos Culturais e o Mário Dionísio director de Programas.

Em 50 anos de convívio, nas voltas da vida, o relacionamento nunca se alterou. Nem os casamentos desfeitos, nem os amores renovados que cada um foi fazendo.

Mantivemos em comum amigos antigos e novos amigos. Ele foi trazendo as suas namoradas a minha casa, como trouxera a Susi, antes de se casarem, quando ela era ainda uma menina.

P√°g. 1/3

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Tudo o que escrevi para o Desafio de Escrita dos P√°ssaros est√° aqui!
Já começou a viagem pelo mundo da Gata Borralheira.
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