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Livrologia

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02
Jan18

Lev Tolstoi| A Sonata a Kreutzer

Pol√©mico e controverso √† √©poca - em 1889 - e ouso dizer, ainda hoje, A Sonata a Kreutzer √© um di√°logo no comboio entre dois passageiros, que mais parece um mon√≥logo, em que abordam¬†o¬†casamento¬†e as rela√ß√Ķes entre¬†homem¬†e¬†mulher,¬†de uma forma agreste, fria e desapaixonada.¬† Todo este di√°logo encerra em si as pr√≥prias opini√Ķes de Tolstoi, desvendadas no posf√°cio deste livro, como se o autor criasse com ele uma cartilha sobre a arte de bem amar, a si pr√≥prio, aos outros e a Cristo.

Tenho de confessar que a leitura deste livro foi perturbadoramente obsessiva. Desde a primeira p√°gina fui levada para bem longe das ideias criadas e recriadas pelo mundo sobre a uni√£o de um homem e de uma mulher.

Neste livro tudo pode estar erradamente certo e tudo pode estar correctamente errado.

09
Dez17

Nikolai Gogol| Noites na Granja ao Pé de Dikanka

As Noites na Granja ao Pé de Dikanka reune os seguintes contos:

A Feira de Sorótchinets

Noite de S√£o Jo√£o

Noite de Maio ou a Afogada

A Carta Perdida

Noite de Natal

A Vingança Terrível

Ivan Fiodorovitch Chponka e a sua Tia

Um Lugar Embruxado

 

Sobre estes seus contos, escreve o próprio Gogol com a sua peculiar ironia:

Irra, coisa esquisita: "Noites na Granja ao Pé de Dikanka"! Que "Noites" são estas? Vejam só o que deitou ao mundo um abelheiro qualquer! Deus omnipotente! Como se fossem poucos os gansos depenados em prol da escrita e os trapos desbaratados para o fabrico de papel! Como se fosse pouca a gente de todas as classes e escumalhas a sujar os dedos de tinta! Agora também o abelheiro se lembrou de entrar na onda! Francamente, o papel impresso prolifera de tal modo que já não sabemos o que mais embrulhar com ele.

09
Dez17

Aleksandr Blok| Os Doze

Aleksandr Blok tornou-se o poeta da revolução ao escrever o poema Os Doze, um dos mais controversos da poesia russa, onde descreve doze soldados bolcheviques, comparando-os aos doze apóstolos, que avançavam pelas ruas de Petersburgo enquanto uma feroz tempestade de inverno se abate sobre eles. 

Um cr√≠tico¬†definiu Os Doze como¬†‚Äúa maior manifesta√ß√£o do esp√≠rito russo desde Dostoi√©vski‚ÄĚ. Sabem-no de cor na R√ļssia e √©¬†a soma po√©tica da alma russa, contendo em cada verso a¬†harm√≥nica do oper√°rio, o √≥rg√£o da Igreja, os tambores militares e a balalaika camponesa.

Blok sempre acreditou que a revolu√ß√£o conduziria a R√ļssia¬†pela purifica√ß√£o, aniquilando o velho mundo.
08
Dez17

Lev Tolstoi| Polikuchka, o Enforcado

Polikuchka era desonesto. 

Um dia decidiu contrariar a sua própria natureza, sendo honesto e dizendo a verdade, mas a sociedade não perdoa àqueles que se redimem, preferindo reprimir eternamente quem errou.

Polikuchka por saber que ninguém acreditaria na sua honestidade redentora, preferiu enforcar-se.

Não por se sentir mal pelos erros do passado, mas porque quis corrigi-los e a sociedade nunca o deixaria fazê-lo sem mácula.

 

Ah, o dinheiro! O dinheiro! Tantos pecados se lhe devem! disse Dutlov. N√£o h√° nada neste mundo que cause tantos pecados como o dinheiro.

in Polikuchka, o Enforcado de Lev Tolstoi

08
Dez17

Lev Tolstoi| A Terra que um Homem precisa

Li algures que a maior fraqueza do ser humano é o querer.

O querer humano parece nunca ter fim. Como Pahóm, o agricultor desta história, que com toda a terra do mundo nas mãos, morreu à mercê deste seu querer obsessivo, que nunca ficaria saciado.

Com tanta terra que quis gananciosamente ter, foram precisos apenas sete palmos dela para o enterrar: “Portanto, de que adianta uma pessoa ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?" - Marcos 8:36

 

Nascemos sem nada, partimos desta vida sem nada levar, a não ser, sete palmos de terra.

in A Terra que um Homem precisa de Lev Tolstoi

07
Dez17

Lev Tolstoi| Os Três Eremitas

De tão pequena, é uma das raras histórias que Tolstoi narra com tal simplicidade, que revela uma grande e profunda verdade: a humildade da espiritualidade não vive nos ritos ostensivos, mas no mais profundo interior do ser humano.

 

O romancista russo era um homem profundamente espiritual e considerava como seu dever escrever literatura did√°ctica para educar e iluminar os seus leitores, revelando uma atitude moralista perante a vida. Depois de ler O Mundo como Vontade e Representa√ß√£o¬†de Arthur Schopenhauer, que defende, entre outras coisas, que a ren√ļncia asc√©tica √© o √ļnico caminho verdadeiro para a piedade, Tolstoi¬†ficou fascinado com a cria√ß√£o de hist√≥rias¬†sobre a¬†pobreza sagrada, sendo Os Tr√™s Eremitas¬†o¬†auge da sua miss√£o.

A mensagem moral de Tolstoi √© bastante clara: o Bispo, que representa a Igreja Ortodoxa da R√ļssia (e, por extens√£o, todas as Igrejas Crist√£s), com o seu ritual ostensivo e vazio,¬†carece lamentavelmente de profundidade m√≠stica e da compreens√£o inata da humilde eremita, exemplificando assim que a transforma√ß√£o e transcend√™ncia verdadeiras,¬† s√≥ podem vir de dentro do ser humano.

Tradução livre do inglês de www.theculturium.com

07
Dez17

Aleksandr Pushkin| Eugénio Onéguin

O drama desta história de amor é contado de forma tão leve que mal lhe sentimos a dor.

A dor cai como uma pena e, n√≥s leitores, n√£o sabemos se choramos ou sorrimos no √ļltimo verso.

Tal como no amor.

 

(...) Pushkin, tanto nos gestos como no estilo, guardava ainda h√°bitos aristocr√°ticos e acreditava na hierarquia dos g√©neros. Precisamente por isso a violava. Nunca teria escrito¬†Eug√©nio On√©guin se n√£o soubesse que n√£o se podia escrever assim. Os seus prosa√≠smos, a descri√ß√£o do quotidiano, as trivialidades, a fala popular constru√≠am-se, em grande parte, como uma t√©cnica proibida, destinada a escandalizar o p√ļblico.¬†

Andrei Siniávski, crítico literário russo, no seu livro Passeios com Pushkin

in Introdu√ß√£o por Nina e Filipe Guerra in¬†Eug√©nio On√©guin¬†de¬†Aleksandr Pushkin, Rel√≥gio d'√Āgua Editores¬†

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