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Livrologia

Livrologia

04
Mai24

Porque para ele tudo poderia ser o mesmo e o contr√°rio

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Porque Abelaira, como ser √©tico que era, reconhecia aos amigos direitos mais do que deveres e nessa medida permitiu afetos, lealdades, cumplicidades. E sobretudo o prazer, cada vez mais raro neste tempo em que se privilegia a seguran√ßa da certeza e as grandes inquieta√ß√Ķes est√£o banidas, a par da partilha do gosto de discorrer, de inquirir, de p√īr em causa o √≥bvio.¬†Ou o que √© considerado √≥bvio.

Com ele tudo podia ser objeto de discussão. Porque para ele tudo poderia ser o mesmo e o contrário. No plano das ideias, considerava que era absolutamente proibido… proibir.

02
Mai24

Assim, segundo a lenda, nasceu Roma

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29
Abr24

As leis científicas são condensadas por Gedeão

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Qual √© o destino ‚Äď na poesia ‚Äď dessas competidoras, √†s vezes¬†complementares, energias da ci√™ncia e da poesia?

A primeira √© uma¬†actividade mental intrinsecamente p√ļblica e quantific√°vel, esta √ļltima, uma¬†energia opaca cujas origens escapam aos contornos racionais.

As leis científicas são condensadas por Gedeão em imagens concisas que lhe permitem alegorizar - em contrastes irónicos e, muitas vezes, inquietantes - a existência humana como subjectividade confusa ou enganada, como um jogo de sombras em torno de uma busca equívoca - ao mesmo tempo, desesperada e irrealizável - por uma libertação da nossa história colectiva dominada por conflitos.

Excerto de An Introduction to the Poetry of António Gedeão

de Christopher Damien Auretta

27
Abr24

Ternuras, mimos, palavras doces, que lhe ouvisse só para gatos

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Na rua, caminhavam lado a lado, sem dar o bra√ßo. At√© porque do bra√ßo dele pendia um guarda-chuva que mantinha uma dist√Ęncia regimental.

O namoro acabou, n√£o sei quando. Mas ao longo da vida esse guarda-chuva perdurou, n√£o como objeto utilit√°rio, mas como reserva de privacidade, resguardo de emo√ß√Ķes que Augusto Abelaira s√≥ deixava transparecer relativamente a acontecimentos ou ideias. Muito raramente em rela√ß√£o a pessoas. Ternuras, mimos, palavras doces, que lhe ouvisse s√≥ para gatos.
E, no entanto sabíamos que era um homem sensual.

Da√≠ que agora, depois do seu desaparecimento, rememorando os anos de conv√≠vio e relendo o que escreveu, n√£o resista a um pequeno exerc√≠cio mental tanto a seu gosto e me interrogue sobre se para ele os amigos foram verdadeiramente amigos, se os amores foram verdadeiramente amores ou simplesmente personagens √ļteis ao di√°logo que ele manteve com o mundo, esse mundo que ele questionou incessantemente. Personagens √†s vezes simp√°ticas, fascinantes, mesmo. Outras terrivelmente ma√ßadoras.

Augusto Abelaira não escondia o fastio do tributo a que o convívio o obrigava.

25
Abr24

Foi morto naquele mesmo lugar, pelas mãos de Rómulo

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23
Abr24

Ana Maria é a história desencontrada de todas as mulheres

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A escrita de Cristina Carvalho √© acess√≠vel e plena de uma resson√Ęncia po√©tica, talvez o leitor se depare com alguma simplicidade, uma simplicidade enganadora, bem diferente da que se encontra naqueles romances¬†em que se percebem todas as palavras e todas as ideias do princ√≠pio ao fim.

√Č nesse h√ļmus que se encontra o desafio da sua leitura, o seu puro deleite, a sua recompensa.

Ana Maria √© a hist√≥ria desencontrada de todas as mulheres que um dia decidiram partir, partir pela sua felicidade e ficaram presas √†s mesmas regras de que fugiam, as √ļnicas regras que conheciam; aturando maridos manhosos, perdoando aos homens que as tra√≠ram, acreditando que um dia o Sol seria o centro das suas vidas.¬†A sempre estrela da vida.

in Acrítico - Leituras Dispersas de António Ganhão

22
Abr24

Um homem que espera como cientista e sofre como poeta

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Gede√£o foi longe para criar¬†uma po√©tica madura e privada que, no entanto, fala √† nossa psique coletiva. O poeta comprime nas linhas tensas dos seus poemas as reivindica√ß√Ķes divergentes da ci√™ncia e da imagina√ß√£o po√©tica.
Consequentemente, cada poema incorpora uma mudança temporal-espiritual registando a modulação incomum do pensamento e sentimento de um homem que espera como cientista e sofre como poeta.

Excerto de An Introduction to the Poetry of António Gedeão

de Christopher Damien Auretta

20
Abr24

Augusto Abelaira tinha na altura uma namorada

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O que era aparentemente contraditório: assumir, em muitos aspetos, uma imagem de outros tempos, sendo um homem enamorado do futuro.

E vem-me ent√£o √† mem√≥ria uma das primeiras recorda√ß√Ķes que dele guardo quando, vinda do Liceu Franc√™s, onde dominava o esp√≠rito da liberdade, mergulhei no ambiente sufocante da Faculdade de Letras de Lisboa.

Augusto Abelaira tinha na altura uma namorada, uma jovem morena de aspeto recatado que ele acompanhava no fim das aulas. Digo ‚Äúnamorada‚ÄĚ, embora entre eles n√£o se tivesse jamais notado qualquer manifesta√ß√£o de intimidade, nem sequer de ternura e menos ainda de amor.

Quanto mais leio menos sei
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