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Livrologia

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05
Jul19

As rosas de Clarice

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Quem nunca roubou não vai me entender.

E quem nunca roubou rosas, então é que jamais poderá me entender.

-Clarice Lispector

 

Como prometido durante a visita ao jardim secreto de Clarice, escrevo agora sobre as suas rosas. As suas, as dos outros, as que roubou.

Há inclusivé um ensaio da Prof. Dra. Maria José Ribeiro (FURB) sobre este tema, cuja leitura recomendo, As Rosas de Clarice Lispector: Travessia, Transfiguração e Denúncias da Flor:

A rosa revela o ser em seus vários contrastes, entre a completude e a fragmentação, entre a sanidade e a loucura, entre o si mesmo e o Outro. E nesse espaço entre o eu e o Outro, a rosa ajuda a revelar o mundo exterior, tendo como ponto de partida um mergulho profundo no mistério da flor.

Ainda não li todos os livros de Clarice, mas nos que li encontrei certamente rosas, cultivadas misticamente, como pequenas deusas castigadoras de espinhos, mas às quais nos submetemos hipnótica e cegamente:

Rosa é flor feminina que se dá toda e tanto que para ela só resta alegria de se ter dado. Seu perfume é mistério doido. Quando profundamente aspirada toca no fundo íntimo do coração e deixa o interior do corpo inteiro perfumado. O modo de ela se abrir em mulher é belíssimo. As pétalas tem gosto bom na boca - é só experimentar. 

A páginas tantas Clarice confessa, assim mesmo, despudoradamente, que já as roubou. E o bem que soube tê-las roubado! Eram mais cheirosas, mais bonitas, mais dela.

Flores e espinhos são belezas que se dão juntas. Não queira uma só, elas não sabem viver sozinhas...
Quem quiser levar a rosa para sua vida, terá de saber que com elas vão inúmeros espinhos. Não se preocupe, a beleza da rosa vale o incômodo dos espinhos...

Mas a rosa mais bonita de todas era aquela que o médico tinha no consultório. Uma rosa que viveu em água mais tempo do que todas as outras. Talvez por pura paixão.

E uma relação íntima estabeleceu-se entre o homem e a flor: ele a admirava e ela parecia sentir-se admirada. E tão gloriosa ficou, e com tanto amor era observada, que se passavam os dias e ela não murchava.
O Livrologia vai contar os dias até ao Natal com o calendário literário do advento.
Até dia 24 de Dezembro.
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