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Livrologia

by Miss X

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18
Mai19

Cecília Meireles | Prisioneira da morte

2.jpgCecília Meireles em 1959, declamando poemas num encontro

@ memorialdademocracia.com.br

 

Observando o rosto de Cecília Meireles na míriade de fotografias a preto e branco que vagueiam por aí, ninguém diria que os contornos suaves da sua face, que o seu olhar luminoso, que o seu sorriso fácil e o seu modo de estar tranquilo fossem tão fustigados pela vida, ou melhor pela ausência dela.

 

No intervalo que vai do seu nascimento à sua morte, Cecília perdeu, perdeu sempre, tendo como fiel companheira a morte.

 

Aprender a morte foi das experiências existenciais mais marcantes para Cecília. Para ela cada dia vivido surpreendia-a, e chegou a revelar que era uma dádiva que não lhe interessava receber. Trouxe-lhe muita solidão, um sentimento de incoerência, transformando-a num ser etéreo, incapaz de prender as suas raízes, por culpa da própria transitoriedade de tudo.

 

Orfã, viria a perder a irmã que não chegou a conhecer e a avó que a criara na sua orfandade, o suicídio do marido e a sua própria morte por doença.

Nas mortes dos seres que ama vai ela própria morrendo.

José Bento in Sobre Cecília Meireles