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Livrologia

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13
Out19

Manuel Bandeira sentado num sofá com Cecília Meireles

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aqui tinha comentado que Manuel Bandeira me chegou pela voz de três mulheres - Clarice, Sophia e Cecília - mas ainda não revelei de que forma cada uma delas o anunciou.

A primeira vez que vi Manuel Bandeira foi numa fotografia de 1962 em que estava sentado num sofá juntamente com Drummond, Vinicius de Moraes e Cecília.

Não sabia quem era aquela figura castiça de óculos encavalitados no nariz, de olhar curioso, como quem pergunta.

23316776_1579261492153316_10671260346462992_n.jpg@ cultura.estadao.com.br

Desconheço a profundidade da amizade que unia Cecília Meireles ao poeta, mas imagino que não tenham sido amigos íntimos, apesar da poetisa frequentar o mesmo círculo intelectual que orbitava em torno de Manuel Bandeira e manterem amigos em comum, como Mário de Andrade.

Manuel Bandeira afirmou numa entrevista que Cecília Meireles era a representação da poesia pura:

Eu acho que a Cecília Meireles é a maior poeta brasileira da primeira metade do século, porque para nós outros, para disfarçar um pudor de sentimentalismo, a gente se refugia no humor, e ela nunca. Ela sempre foi poeta puro.

 

A admiração era mútua e escreveram poemas que dedicaram um ao outro.

Manuel Bandeira dedicou a Cecília um dos seus improvisos que se viria a tornar num dos poemas que melhor retrata o lirismo da poetisa:

Improviso

Cecília, és libérrima e exata
Como a concha.
Mas a concha é excessiva matéria,
E a matéria mata.
Cecília, és tão forte e tão frágil
Como a onda ao termo da luta.
Mas a onda é água que afoga:
Tu, não, és enxuta.
Cecília, és, como o ar,
Diáfana, diáfana.
Mas o ar tem limites:
Tu, quem te pode limitar?
Definição:
Concha, mas de orelha;
Água, mas de lágrima;
Ar, com sentimento.
— Brisa, viração
Da asa de uma abelha.

 

Com um improviso destes, quem não gostaria de conhecer Manuel Bandeira?

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