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Livrologia

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10
Jan24

Natália Nunes demonstra na sua obra uma constante interrogação sobre a vida humana

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Espírito lúcido, irrequieto, exigente, aberto a novidade e ao aprofundar de questões, sensível ao lado trágico mas também risível das coisas, Natália Nunes demonstra na sua obra uma constante interrogação sobre a vida humana, encarada desde os seus aspectos mais concretos até elocubrações tácitas de personagens movidas pela inquietação, mas vistas de fora, em lúcidos manejos de uma narração desenvolta.

Os livros de Natália mais emblemáticos são talvez as narrativas curtas sobre eventos insólitos, personagens obsidiadas por visões ou terrores persecutórios, casos patológicos que o livro estuda ou, em certos casos, apenas dá a ver — resultando da patologia ou dos inacostumados efeitos de ridículo que alcançam a função cómica, com aspectos de farsa divertida.
Tingida entretanto pelo melancólico veio de uma inexplicabilidade que marca a sua concepção do humano.Recorde-se que ter vinte anos em 1941, a meio da guerra e no auge do salazarismo, não era fácil a quem desejava concretizar uma relação com a estética e o pensamento; não só devido à censura e aos perigos pessoais que ela implicava, mas ainda porque, arrostando com tais perigos, uma boa dúzia de figuras literárias se agigantavam, na esteira do neo-realismo, então no auge da emergência pública, ao mesmo tempo que certos vultos da presença, ou outros, incertos na escolha (ou receio) de integrarem um desses dois grupos, disputavam lugares cimeiros nesse período que foi dos mais ricos das nossas Letras.

in A nuvem turbulenta : bosquejo da obra literária de Natália Nunes de Maria Alzira Seixo, 
Colóquio/Letras, n.º 186, Maio 2014, p. 204-209

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