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Livrologia

by Miss X

Livrologia

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08
Fev16

Bjørnstjerne Martinus Bjørnson| A poesia, enraizada nas suas entranhas

Durante as minhas leituras, principalmente do livro que William Morton Payne escreveu sobre Bjørnson, descobri que a poesia nasceu com ele e sempre permaneceu consigo. O local onde viveu no seu país natal impressionou-o de tal modo, que a luz, o frio, as cores, os ventos e tudo o que o seu olhar abarcava do seu país estiveram sempre presentes na sua escrita. 

Looking back upon his boyhood he speaks with strong emotion of the evenings when "I stood and watched the sunlight play upon mountain and fiord, until I wept, as if I had done something wrong, and when, borne down upon my ski into one valley or another I could stand as if spellbound by a beauty, by a longing that I could not explain, but that was so great that along with the highest joy I had, also, the deepest sense of imprisonment and sorrow".

 

A poesia, enraizada nas suas entranhas, sempre se revelou em todos os aspectos da sua vida, dos mais prosaicos aos mais solenes: 

Björnson preserved the poetic impulse oh his youth, and continued to give it play even in his envisagement of the most practical modern problems.

 

E em toda a sua obra esteve sempre presente, por detrás de cada palavra, de cada página:

Altough the form of verse was almost wholly abandoned by him during the latter half of his life, the breath of poetry never ceased to exhale from his work.

Altough a poet by instinct, he was not afraid of realism, and did not shrink from giving the brutal aspects of peasant life a place upon his canvas.

 

Os seus textos poéticos tornaram-se letras de hinos patrióticos que celebram, ainda hoje, o espírito norueguês:

Björnson has had the rare fortune of having his lyrics set to music by three composers - Nordraak, Kjerulf, and Grieg.

08
Fev16

William Morton Payne| Björnstjerne Björnson, 1832-1910

Em simultâneo com as minhas leituras de Björnstjerne Björnson, tenho estado a ler este livro que o seu tradutor e crítico, William Morton Payne, lhe dedicou. Escreve sobre as obras principais que Björnson escreveu, sobre a sua vida, eventos, desejos e frustrações deste homem rezingão e mal humorado - dizem -, que punha em polvorosa qualquer lugar onde estivesse. Claro que Björnson é muito mais que o seu mau humor:

The director of three theatres, the editor of three newspapers and the contributor to many others, the promoter of schools and patriotic organizations, the participant in many political campaigns, the lay preacher of private and public morals, the chosen orator of his nation for all great occasions, -these are some of the characters in which we must view him to form anything like a complete conception oh his many-sided individuality.

 

Aliás, Björnson foi e ainda é o grande representante do seu país, a Noruega:

He had become the voice of his people as no one had been before him, the singer of all that was noble in Norwegian aspiration, the sympathetic delineator of all that was essential in Norwegian Character.

 

E mais do que um simples escritor:

Björnson has always been a fighter as well as an artist.

03
Fev16

Bjørnstjerne Bjørnson| Sigurd Slembe

A aventura épica de Sigurd Slembe, apesar de não me ter impressionado, tocou-me.

Um anti-herói, que de tão imperfeito na sua essência é perfeito na sua condição, perdido, mas sempre achado nas suas deambulações geográficas e espirituais, determinado a reclamar as suas raízes, arrancadas por um segredo.

Um verdadeiro drama hamletiano que o seu tradutor, William Morton Payne, não se cansa de elogiar:

[Em] "Sigurd Slembe" ele encontrou um tema inteiramente merecedor do seu génio, e produziu uma das mais nobres obras-primas da literatura moderna.

 

Aliás, Sigurd Slembe na sua solidão humana é o símbolo de todo o povo norueguês:

[E]sta suprema hora de paz de espírito que tem procurado durante tantos anos surge-lhe quando menos o espera, e todas as tempestades da vida se acalmam. [A] reconciliação que a hora da morte traz aos homens, cujas vidas foram marcadas por uma entoação trágica.

 Excertos de William Morton Payne-Björnstjerne Björnson, 1832-1910

sigurd-slembe-16_35156.jpg

Sigurd Slembe-Edvard Munch

1909-Oil on canvas; Munch-museet, Oslo, Norway

www.paintingmania.com

03
Fev16

Bjørnstjerne Martinus Bjørnson| O quarteto fantástico norueguês

Bjørnstjerne Bjørnson continua a despertar a minha curiosidade pela literatura escandinava sobre a qual conheço muito pouco.

Escrever em plena luta pela independência do seu país tornou-o literariamente nacionalista, tornando-se num dos quatro grandes escritores que celebraram a cultura nacional norueguesa. 

Aliás, Henrik Ibsen, Bjørnstjerne Bjørnson, Alexander Kielland e Jonas Lie são o quarteto dos grandes fiordes que exaltaram o passado do seu país, os seus antepassados, os seus mitos, as suas montanhas e o mar.

Fica prometido para mais tarde um ciclo de leitura do quarteto fantástico norueguês.

03
Fev16

Bjørnstjerne Martinus Bjørnson| Sigurd Slembe, o herói trágico

Estou a ler uma tradução de 1888 de Sigurd Slembe e o que mais me agrada nestas edições mais antigas são as notas pessoais dos tradutores sobre a obra e/ou o escritor que estão a traduzir.

Nesta edição em particular, William Morton Payne, para além de tradutor, um crítico literário de renome, extravasa no prefácio a sua paixão pela literatura escandinava, caracterizando a trilogia de Sigurd Slembe:

(...) by the greatest breadth of treatment, by the most masterly delineation of character, and by the highest poetic truth.

Sigurd Slembe é a aventura épica de um herói indomável na sua determinação que busca as suas raízes, reclamando para si tudo aquilo que não lhe foi revelado na infância.

Um herói trágico na sua essência e derrotado no seu passado, presente e futuro. 

Mas não serão as melhores histórias aquelas que narram as derrotas e os derrotados?