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Livrologia

Livrologia

25
Mai20

Era uma mulher corajosa

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Nos anos seguintes ela confirma a vocação liberal ao se tornar militante contra a ditadura do Estado Novo português:

Com f√ļria e raiva acuso o demagogo

E o seu capitalismo das palavras.

 

√Č eleita deputada constituinte em 1975 ap√≥s a¬†Revolu√ß√£o dos Cravos.

‚ÄúEra uma mulher corajosa‚ÄĚ, diz Vilma Ar√™as.

‚ÄúEm 1968, quando vivi em Lisboa, ouvi muitas confer√™ncias que ela apaixonadamente proferiu contra o regime salazarista, fazendo os ouvintes se arrepiarem de medo e admira√ß√£o.‚ÄĚ

@ Estad√£o

24
Mai20

Krylov nunca teve qualquer intenção de ser um escritor de fábulas

krylov1.png

As palavras levam-nos por vezes por caminhos que nunca nos ocorreria percorrer e geralmente a nossa escrita chega a um destino mais longínquo do que aquele que inicialmente tínhamos traçado.

Krylov nunca teve qualquer inten√ß√£o de ser um escritor de f√°bulas. Vivia das tradu√ß√Ķes das f√°bulas de La Fontaine, mas √† medida que as traduzia a vontade de as escrever ia crescendo no seu √≠ntimo.

Apesar de alguns dos seus temas terem sido baseados em Esopo e La Fontaine, moldou-os sob a sua pena, escrevendo fábulas repletas de raposas, corvos, lobos e ovelhas que se tornaram em estereótipos sociais russos, personagens de uma sátira que apelava moralmente ao senso comum, ao trabalho árduo e à justiça.

O seu primeiro livro de fábulas, com o alto patrocínio da família imperial, foi publicado em 1809 e a sua leitura viria a enriquecer de certa forma a linguagem, visto que muito dos seus aforismos tornaram-se parte da fala quotidiana dos russos.

20
Mai20

O Centro de Cultura Infantil

biblioteca infantil2b55c6b5bc42a_g.jpg

Pavilhão Mourisco, edifício onde funcionou a primeira Biblioteca Infantil do Brasil, fundada por Cecília Meireles

@ ceciliameireles2009.blogspot.com

 

Cec√≠lia para al√©m de poeta foi tamb√©m autora de livros infantis, sendo uma defensora ac√©rrima de uma educa√ß√£o p√ļblica, laica e de alto n√≠vel, como meio de diminuir as desigualdades do pa√≠s.

Em 1934 cria com o  marido Fernando Dias o Centro de Cultura Infantil, uma biblioteca para crianças.

Cr√≠tica tenaz do presidente Get√ļlio Vargas a quem chamava "O Ditador", Cec√≠lia foi v√≠tima da censura ditatorial ao ver o seu centro fechado em 1937, perante den√ļncias de que tinha livros de conte√ļdo educacional duvidoso.

Um dos livros responsáveis pelo fecho do centro foi As Aventuras de Tom Sawyer de Mark Twain.

18
Mai20

De poeta para poeta

cecilia_logo.jpg

Conhecendo Cecília como conheço, através das suas palavras, dos seus voos pelas nuvens e dores terrenas, sei que se entristeceu pelo desencontro com Fernando Pessoa, e que o desapontamento que terá sentido foi apenas por desconhecer ou não compreender o motivo que levou Pessoa a faltar ao encontro. 

Ainda assim escreveu palavras belíssimas sobre o que sempre sentiu por Pessoa, de poeta para poeta:

Eu creio bem que intimamente nos pareçamos, como se parecem as pessoas de origem comum.

N√£o s√≥ descendemos ambos de a√ßorianos, o que √© uma psicologia especial√≠ssima, como tivemos ambos grandes mergulhos na literatura inglesa. Ele at√© escreveu em ingl√™s. E esses mergulhos j√° vinham, a meu ver, tanto nele como em mim, por uma necessidade que se poderia chamar talvez de ‚Äėinsular‚Äô ‚Äď um sentido de separa√ß√£o, de aus√™ncia, de mar em redor‚Ķ

E por todos esses motivos, você sabe que os açorianos, os irlandeses, os celtas são criaturas tão de sonho que estar acordado já é um grande sacrifício…

Tanto ele como eu nos aproximamos de investiga√ß√Ķes m√≠sticas e m√°gicas do mundo. Ele chegou mesmo a ser astr√≥logo de renome, segundo ouvi dizer. Eu, apenas fiquei pasmada diante das feiti√ßarias do mundo.

17
Mai20

Cecília Meireles e Fernando Pessoa, um encontro que não aconteceu

cecilia_logo.jpg

O desencontro de Cecília Meireles e Fernando Pessoa aconteceu numa noite chuvosa de Dezembro de 1934 em Lisboa e este episódio caricato viria a ficar marcado no desapontamento de Cecília:

Cec√≠lia, bonita, expansiva, na flor de seus 33 anos, estava em Portugal para proferir confer√™ncias. Pessoa estava no pen√ļltimo ano de sua vida e acabara de sair de grave crise de neurastenia. Tinha de idade 46.

Pode ser que, semanas antes, tivesse visto no¬†Di√°rio de Lisboa¬†a foto da mo√ßa e um artigo de seu confrade Jos√© Os√≥rio de Oliveira anunciando o desembarque em Lisboa de uma ‚Äúviajante ilustre‚ÄĚ, a ‚Äúpoetisa do Brasil‚ÄĚ.

Contudo é pouco provável que Pessoa houvesse lido qualquer coisa dela. Mas Cecília sabia dele e o admirava: seu marido, o artista gráfico Fernando Correia Dias, era português.

Os dois Fernandos se conheciam. Curiosamente, ambos desapareceriam no mesmo ano: Pessoa de cirrose hepática, Correia Dias por vontade própria, depois de um longo histórico de depressão.

Fato é que Cecília quis conhecer Pessoa e um encontro foi marcado, provavelmente no café A Brasileira, no Chiado. Pessoa não apareceu. Após duas horas de espera, o marido achou melhor desistir.

De volta ao hotel, há um pequeno volume à espera dela. Trata-se do recém-impresso Mensagem, hoje um dos títulos mais célebres em língua portuguesa. Na página de rosto, uma dedicatória:

 

A Cec√≠lia Meyreles, alto poeta, e a Correia Dias, artista, velho amigo e at√© c√ļmplice na invoca√ß√£o da Apolo e Atena.

Fernando Pessoa, 10-XII-34

 

Ela acusou o recebimento num cart√£o lac√īnico:

 

Cec√≠lia Meireles ‚Äď cumprimenta e agradece.

 

Desapontada?

Muito j√° se especulou sobre as raz√Ķes de Pessoa.

Prosperou a vers√£o pouco fi√°vel de que a principal delas era de ordem transcendental: os astros o teriam dissuadido de comparecer ao encontro.

Heitor Grilo, o segundo marido de Cecília, teria difundido essa história depois da morte dela em 1964. A própria Cecília não contribuiu muito para esclarecer o episódio.

Apenas, numa carta a Armando Cortes Rodrigues, escreveu em 1944: ‚ÄúComo lamento n√£o o ter conhecido!‚Ä̬†

 

in Fernando & Cecília por Eustáquio Gomes

Transcrição do original em português do Brasil

@ Revista Am√°lgama

13
Mai20

T√£o simples, mas com tanto l√° dentro

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Comecei a ler Contos Exemplares de Sophia e a edição que estou a ler é tão simples na sua capa e contracapa, mas com tanto lá dentro, que sei que me vou demorar mais que o previsto.

Primeiro, tem um prefácio delicioso de António Ferreira Gomes que começa assim:

Provocação, desde o próprio título!... Contar histórias, e histórias exemplares, nestes tempos de literatura - romance, novela, filme ou poema - sem herói, sem personagens, sem enredo, sem objecto, sem desfecho?

Só Sophia para ousar disciplinar exemplarmente o mundo e dar-lhe uns tabefes de palavras, pedagogicamente poéticas, com a voz mais doce que poderíamos ouvir.

E depois, uma belíssima dedicatória ao marido que contém tanto amor que poucas palavras bastam:

Para o Francisco

que me ensinou a coragem

e a alegria do combate desigual.

11
Mai20

Só publico os poemas quando começo a achar que os vou perder

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Naturalmente, ela que, agora, volta a escrever com a Primavera:

Estou sempre em casa...

Sou como os relógios de cuco, só saio quando há sol.

 

Passou o dia sem pegar na caneta e no pequeno caderno de capa azul e folhas cor de pérola onde estão os seus mais recentes poemas, manuscritos e emendados com a cor que calha.

No Inverno fico mais doente, n√£o vou a tempo de apanhar os poemas.

Eu para escrever preciso de paz, silêncio e liberdade... faltando estas coisas não se pode escrever.

Só publico os poemas quando começo a achar que os vou perder.

 

 

@ P√ļblico

2019 foi o ano que escolhi para ler Sophia de Mello Breyner
Visitem o mundo encantado de Sophia
Em 2021 irei ler Jorge de Sena
Preparem-se para dar a volta ao vosso mundo
A Miss X aceitou o Desafio de Escrita dos Pássaros pela 2.ª vez!
Já começou a viagem pelo mundo da Gata Borralheira.
Cinema e literatura num só.
Venham também!
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A imprensa comentada no final de cada mês na Operação Bookini
Espreitem as bookinices
A autora deste blog n√£o adopta o novo Acordo Ortogr√°fico.

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