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Livrologia

by Miss X

Livrologia

by Miss X

23
Mai19

Eu ou Clarice?

logo_clarice.pngOntem li Clarice às escondidas de Cecília. 

Clarice, apesar de sombria, inspira-me muito. Causa-me √≠mpetos de escrita espont√Ęnea e inadi√°vel.

Como se as nossas sombras se tocassem - sendo a dela muito mais elevada e genial que a minha -, criando esta luz sobre a brancura do papel, que poisa à cabeceira da minha cama.  

Escrevo impetuosamente como nunca, quando a leio. A tinta desliza sobre o papel antes do bico da esferogr√°fica lhe tocar.

Raramente leio o que escrevo no momento imediato da escrita, mas quando o faço, dias depois, pergunto-me sempre quem escreveu: eu ou Clarice?

21
Mai19

Romanceiro da Inconfidência

cecilia_logo.jpgUma pequena pausa na leitura para escrever um pouco sobre o seu Romanceiro da Inconfidência.

 

Inspirada por uma visita a Ouro Preto,¬†Cec√≠lia escreve 107 poemas sobre os quais viria a revelar mais tarde: "Deixei Ouro Preto ‚ÄĒ e seguiram comigo todos os seus fantasmas."

 

Creio que foram esses fantasmas que a impeliram à escrita da história da Conjuração Mineira à qual viria a dedicar anos da sua vida, não só à escrita, mas também à pesquisa histórica para criar este romanceiro épico.

 

Recorro √†s palavras de Jos√© Bento, que melhor do que eu, explica de que trata este Romanceiro da Inconfid√™ncia e descreve a sua import√Ęncia, n√£o s√≥ hist√≥rica, mas literariamente:

Romanceiro da Inconfidência, [que] traça um vigoroso quadro da tentativa de rebelião verificada em 1789 em Vila Rica, Minas Gerais, conhecida por Inconfidência Mineira: sobre o fundo da época e dos interesses que então urdiam suas teias movem-se os homens impelidos pela ambição do poderio ou do ouro, pelos sonhos de grandeza ou pelos ideais revolucionários.

Neste Romanceiro, são duramente estigmatizados a cobiça e a delegação, a exploração e a prepotência, o jogo das conveniências torpes e o julgamento impiedoso e precipitado dos homens.

José Bento in Sobre Cecília Meireles

15
Mai19

Estarei eu j√° saciada de Clarice?


logo_clarice.png

Estarei eu j√° saciada de Clarice? Talvez.

 

Desde Janeiro que a trago comigo no braço e o meu bichinho de leitura anda já irrequieto por outras paisagens literárias.

 

Com o marcador na página 418 estou já para além do meio destas crónicas de 700 páginas. Há muito tempo que não tinha um livro tão pesado. Livros assim são difíceis de transportar por estas ruas estreitas de sal e maresia.

 

Prefiro os mais leves que me caibam numa m√£o.

18
Abr19

Os poemas que mais parecem can√ß√Ķes

cecilia_logo.jpgCecília merecer ser lida ao ar livre, ao sol.

Em cada estrofe, em cada verso, a vida sem filosofia.

 

Cinquenta e oito p√°ginas volvidas desta antologia po√©tica e continuo deslumbrada com os poemas que mais parecem can√ß√Ķes.

 

Há tanta musicalidade na simplicidade com que escreve a existênca humana, o sentido da vida, a solidão, a perda, que queremos cantá-los até que a voz nos doa.

13
Abr19

Em busca de um poeta que iluminasse os dias vazios de Sophia

cecilia_logo.jpgAo ler as palavras de Clarice senti desejo de poesia. De poemas alegres como contraponto às suas palavras sombrias.

 

Parti ent√£o em busca de um poeta que iluminasse os dias vazios de Sophia. E porque n√£o poemas vindos do outro lado do oceano, do mesmo lado de Clarice?

 

Procurei e encontrei Cecília desfalecida numa estante onde já ninguém ou poucos a procuram. Li-lhe a primeira página, um acaso sem coincidência, onde apareceu escrito o seu poema Motivo, o mesmo pelo qual escreve, o mesmo que me levou a procurá-la:

 

Eu canto porque o instante existe

e a minha vida est√° completa.

N√£o sou alegre nem sou triste:

sou poeta.

09
Abr19

De onde lhe vem tamanha inspiração?

Untitled.png√Ä medida que leio a poesia de Sophia, perto j√° dos seus √ļltimos livros de poemas, pergunto-me de onde lhe vem tamanha inspira√ß√£o para a escrever.

 

Há uma certa aura de misticismo em torno da inspiração, esse ser etéreo e secreto, que nem todos os poetas gostam de revelar, mas que Sophia não receia nem hesita em expor.

 

Disse um dia que Picasso e Lorca tiveram uma grande influência na sua poesia, quiçá o primeiro pintando em verso e o segundo desenhando palavras a tenham subjugado à sua Musa.

 

Sophia invoca-a, evocando tamb√©m outros nomes como Cam√Ķes e Pessoa, convidados de honra do seu banquete po√©tico, trazendo-os a si e imortalizando-os consigo, n√£o se deixando ofuscar pela grandiosidade de quem enaltece, de quem louva, mas escrevendo lado a lado, despretensiosa e honestamente como s√≥ ela soube ser e escrever.