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Livrologia

Livrologia

13
Nov19

A viagem pelo mundo da Gata Borralheira

gata.pngNovamente de regresso a Sophia, retomei a leitura da História da Gata Borralheira que de tão pequena é tão grande em significado, em simbologias, em contextos, em variantes do contar, que as minhas reticências em terminá-la alongam-se muito para além dos três pontos.

Demoro-me propositadamente para escrever sobre as minudências de um dos contos mais lidos em todo o mundo, e sempre que escrevo sobre mais um detalhe, descubro muitos mais. 

Ali√°s, ando t√£o fascinada com esta viagem de descoberta pelo mundo da Gata Borralheira que decidi¬†- sim, enlouqueci de vez - prolongar a minha estadia, n√£o s√≥ pelas vers√Ķes de outros autores (imensas), mas tamb√©m pelo cinema (com pipocas ) para finalmente solucionar o meu grande mist√©rio de inf√Ęncia.¬†

Depois conto tudo, mas as pipocas s√£o todas minhas.

07
Nov19

Medindo a temperatura de Manuel Bandeira

bandeira.png

Já aqui tinha referido que nesta antologia que estou a ler, Manuel Bandeira seleccionou poemas que melhor definem cada fase da sua poesia.

Medindo a temperatura ao que escreveu, conseguimos facilmente desvendar a sua evolução em direcção ao modernismo, uma fase marcante não só para a sua poesia, mas também para toda a poesia brasileira. 

bandeira.pngGráfico  by Miss X

05
Nov19

Document√°rio: Sophia, na primeira pessoa por Manuel Mozos

√Č HOJE, N√ÉO PERCAM

Untitled.pngA propósito de Sophia, para quem voltarei brevemente para as suas Histórias da Terra e do Mar, não poderia deixar de partilhar aqui o novo documentário que foi recentemente exibido no DocLisboa 2019 e que a RTP irá exibir na véspera do seu aniversário (e do meu também, por coincidência cósmica): 

 

Sophia, na primeira pessoa por Manuel Mozos

Dia 5 de Novembro de 2019 na RTP1 às 22:30h

 

N√£o queria fazer uma coisa definitiva mas dar pistas, criar no p√ļblico o interesse em descobrir mais sobre a poeta, a mulher, a pessoa de causas. Por mim, o que fui lendo levou-me a perceber que esse lado solar de que tanto falam n√£o corresponde √† verdade, porque havia nela e naquilo que ela escrevia um lado de viol√™ncia, de fantasmagoria, de pesadelo. Por muito cheia que fosse a sua vida h√° nela um lado sombrio, uma grande solid√£o que est√£o presentes nos seus poemas. Era uma pessoa muito contradit√≥ria e foram essas contradi√ß√Ķes que me interessou explorar.

 

Não fui filmar à Grécia, nem sequer ao Algarve, recorri a imagens que havia em arquivo, imagens não usadas de outros filmes que os realizadores gentilmente me cederam e dei-lhes uma nova vida.

- diz o realizador, em conversa com o Observador.

 

N√£o percam!

03
Nov19

Um só livro que de tão precioso deveria ser meu

bandeira.png

Como já aqui tinha comentado, Manuel Bandeira sempre se envolveu pessoalmente na selecção dos poemas para as suas antologias.

Nesta, em particular que estou a ler, a organização é invejável.

Cada capítulo intitula uma fase da poesia que publicou e dentro de cada um deles a selecção dos poemas que melhor definem cada fase sua. Uma antologia como esta permite-nos conhecer o melhor de Manuel Bandeira.

A Cinza das Horas, Carnaval, O Ritmo Dissoluto, Libertinagem, Estrela da Manhã, Lira dos Cinquent' Anos, Belo Belo, Opus, 10, Estrela da Tarde, Poemas Traduzidos, Mafuá do Malungo e Outro Poemas - jóias incrustadas num só livro que de tão precioso deveria ser meu.

31
Out19

A poesia como um ritual de passagem de um livro a outro

cafecomlivros.pngFiz de propósito para me demorar o mais possível, mas chegou ao fim a leitura das crónicas de Cecília.

Por causa dela ou por causa de mim, estou uma vez mais de castigo na biblioteca, mas todos eles sabem que quando me demoro mais na devolução de um livro, é porque me é especial e acabam por me deixar estar mais tempo com ele.

Est√° a ser dif√≠cil este meu at√© breve a Cec√≠lia, mas outros livros esperam e desesperam pela minha leitura. A √ļltima p√°gina foi mais bonita ainda, porque descobri um¬†novo local de leitura, com boa m√ļsica e com a natureza a entrar pelas portas adentro. Tem um ar muito havaiano, como o pr√≥prio nome, e ser√° s√≥ meu.

Estou já a meio da antologia poética de Manuel Bandeira. A poesia sempre foi a minha intermitência entre leituras, como um ritual de passagem de um livro a outro e sabe sempre a pouco.

Até ao próximo livro, Manuel Bandeira será o meu companheiro.

20
Out19

Manuel Bandeira e as cartas trocadas com Clarice Lispector

bandeira.png

Clarice deu-me a conhecer Manuel Bandeira através das cartas que trocou com o poeta.

Muitos dos amigos que gravitavam em torno de Clarice se renderam ao seu feitiço, numa mescla de amizade e amor. Manuel Bandeira ficou fascinado no primeiro encontro "com os seus olhos de piscina" e, mais tarde, viria a fascinar-se com a sua escrita.

N√£o resisto a partilhar uma das cartas que Manuel Bandeira escreve, com um carinho profundo por Clarice, incentivando-a a escrever poesia:

 

Clarice querida,

Um dia que eu estava me caceteando no Lido num desses almo√ßos-homenagens, lembrei-me de voc√™ e as minhas saudades se traduziram numa quadrinha que escrevi no menu e passei ao Chico, que estava sentado em frente de mim. Agora quis relembr√°-la e n√£o consegui. S√≥ me recordo que fazia uma brincadeira verbal com o seu nome e o √ļltimo verso era Clara‚Ķ Clarinha‚Ķ Clarice.

Vou ver se o Chico guardou o papelzinho ou se lembra dos outros versos para lhe mandar. Conto-lhe isso só para dizer que tenho sempre muitas saudades de você, Clarice. Sobretudo de seu olhar e da sua voz, ambos tão pessoais. Quando é que vocês pensam em vir ao Brasil?

Demorei em responder essa carta que voc√™ me escreveu porque contava que sa√≠sse em princ√≠pios de novembro a minha Apresenta√ß√£o da Poesia Brasileira ‚Äď queria escrever ao lhe mandar um exemplar do livro. Mas a impress√£o demorou mais do que o editor contava. Ir√° depois.

Estou esperando com grande curiosidade o seu segundo romance. Primeiro, porque tudo que vem de você me interessa. Segundo, porque ouvi dizer que o Alceu Amoroso Lima anda dizendo que o novo romance ainda é melhor que o primeiro.

Sabe que vou dar em livro, editado pelo Zélio Valverde, a minha antologia dos poetas bissextos? Sai a matéria já aparecida em Autores & Livros mais outros bissextos (Chico, Joel Silveira, Guilherme de Figueiredo, etc.). Se tivese comigo aqueles poemas seus que você mostrou um dia, incluiria você também. Ficará para uma segunda edição. Quer me mandar algumas coisas? Você é poeta, Clarice querida. Até hoje tenho remorso do que disse a respeito dos versos que você me mostrou. Você interpretou mal as minhas palavras. Você tem peixinhos nos olhos: você é bissexta: faça versos, Clarice, e se lembre de mim.

Sua carta de julho deu uma grande alegria. Você nunca é falante, barulhenta. O que você escreve nunca dói nem fere os ouvidos. Você sabe escrever baixo. E sua assinatura, Clarice, é você inteirinha:

Clara… Clarinha… Clarice.

Receba um grande abraço do velho amigo

Manuel

Av. Beira Mar 406, ap. 40

O Livrologia é finalista dos Sapos do Ano
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Votem até 30 de Novembro. Aqui!
A Miss X aceitou o Desafio de Escrita dos P√°ssaros Espreitem o ninho
2019 foi o ano que escolhi para ler Sophia de Mello Breyner
Visitem o mundo encantado de Sophia
point.png
Em 2020 irei ler, ao longo de todo o ano, um autor português. Mas ainda é segredo! Querem tentar adivinhar?
A imprensa comentada no final de cada mês na Operação Bookini
Espreitem as bookinices

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