Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Livrologia

Livrologia

17
Fev20

Os dias em S√£o Petersburgo

maugham4.jpgDurante os tempos em que permaneceu na R√ļssia com a sua miss√£o de espionagem, Maugham decidiu aproveitar o seu tempo, explorando a cidade de S√£o Petersburgo embrenhando-se na l√≠ngua e literatura do pa√≠s.

Todas as manh√£s tinha uma li√ß√£o de russo e lia avidamente os grandes escritores do passado, mas tamb√©m os contempor√Ęneos como Kuprin, Korolenko, Sologub e Mihail Artzybashev.

Ia a espectáculos como ballet, concertos e teatro e nos poucos e raros dias de sol dava longos passeios pela Avenida Névski.

12
Fev20

O grito do Ipiranga de M√°rio de Andrade

marioandrade2.png

Subestimei M√°rio de Andrade, confesso.

Estou a adorar lê-lo muito mais do que previra.

√Č como ler um louco que escreve no √™xtase da sua criatividade, riscando o papel com a rapidez da inspira√ß√£o que se recusa a deix√°-lo em paz.¬†E naquele aparente caos de palavras e pensamentos que se atropelam, tudo faz sentido, mesmo quando ele pr√≥prio diz que n√£o.

Escolhi propositadamente começar a lê-lo com Pauliceia Desvairada não só porque neste livro ele estabelece as bases do Modernismo, mas também porque analisa o provincianismo cultural que o rodeava naquela época.

Mário de Andrade estava ansioso por quebrar a norma que agrilhoava todos os artistas a uma arte planeada ao centímetro, calculada em cada emoção contida, cada palavra contada pelos dedos.

Pauliceia Desvairada foi o seu grito do Ipiranga e anos mais tarde viria a confessar numa confer√™ncia que foi¬†um livro ‚Äú√°spero de insulto, gargalhante de ironia‚ÄĚ.

06
Fev20

Maugham, um espi√£o extraordin√°rio

maugham4.jpgEu sei que já tinha escrito sobre o facto de Maugham ter sido espião durante parte da sua vida, mas foi uma fase tão fascinante para ele (e também para nós leitores) que não consigo parar de ler os detalhes biográficos sobre as suas aventuras de espionagem.

Quando o Capit√£o Sir William Wiseman prop√īs a Maugham a miss√£o de S√£o Petersburgo, Maugham sentiu-se lisonjeado e muito intrigado.

A possibilidade de pisar com os seus próprios pés o país de Tolstoi, Chekov e Dostoievski era demasiado sedutora para recusar. Além disso, seria a oportunidade perfeita para se afastar das suas responsabilidades maritais que considerava absolutamente entediantes.

Quarenta e oito horas foram suficientes para Maugham aceitar a proposta sem hesitar.

Na R√ļssia passava as suas noites no hotel a escrever relat√≥rios e a encriptar informa√ß√£o.¬†As notas informativas eram altamente apreciadas por Wiseman, que confiava plenamente na perspic√°cia pol√≠tica e no rigor dos dados que o escritor comunicava.

Por mais incrível que possa parecer Maugham, com a sua capacidade de observação, sociabilidade e discrição, foi um espião extraordinário, ainda assim falhou completamente os objectivos da sua missão.

03
Fev20

O processo criativo de M√°rio de Andrade

marioandrade2.png

M√°rio de Andrade escreveu muitas cartas e o seu legado epistolar abrange in√ļmeras pessoas com quem se correspondeu.

Em algumas delas revela como nasceu Pauliceia Desvairada. 

Numa das cartas que escreveu ao poeta Augusto Meyer recorda os passos da sua forma√ß√£o liter√°ria, confessando as preocupa√ß√Ķes que o atormentaram em Dezembro de 1920 e que o inspiraram¬†‚Äúde supet√£o na ideia¬†a frase Pauliceia‚ÄĚ -¬† ‚Äúcircunst√Ęncias apaixonantes de vida, luta em fam√≠lia¬†por causa das minhas ideias e jeitos, falta medonha de dinheiro, enjoo¬†fatigado das literaturas‚ÄĚ.

Numa outra carta, relativamente ao processo criativo de Pauliceia Desvairada, confessa:

Eu escrevia, escrevia, e agora parava porque chegava uma aluna e eu tinha que dar uma lição de piano cuidada que era preparo de exame; ou me chamavam pra jantar, pra almoçar; ou não podia mais, exausto, altas horas, tomava um calmante qualquer, dormia morto.

√Č certo que¬†estava sempre um pouco long√≠nquo, n√£o dava aten√ß√£o¬†bem √†s conversas, ao que comia. Mas sem nenhum ar de¬†esquisito, ningu√©m reparava. S√≥ as li√ß√Ķes, me lembro,¬†eram muito penosas, n√£o via a hora de acabar com aquilo,¬†me libertar. √Äs vezes me brotava uma ideia de poema, uns¬†dois versos, que eu fazia um esfor√ßo danado pra reter na¬†mem√≥ria. E ao mesmo tempo fazendo esfor√ßo ainda maior¬†pra n√£o demonstrar nada, muito... atencioso com os outros,¬†resolvendo bem meus casos...

02
Fev20

O Deus de Derzhavin

gavrila2.png

Tenho partilhado pequenos excertos do poema de Derzhavin - God - que ainda estou a  degustar qual fruto divino.

Durante o período iluminista do século XIX escrever odes ou louvores a Deus estava muito em voga e como Derzhavin, tantos outros o fizeram como Voltaire, Klopstock, Haller, Brockes ou Young.

O mais interessante é que estas odes não têm qualquer carácter religioso, não louvam nenhum dogma ou qualquer religião.

Foram escritas sob a influ√™ncia do de√≠smo que admite a exist√™ncia de Deus de forma racional, recusando a ideia de que Deus consegue alterar a realidade humana, atrav√©s de milagres ou outras manifesta√ß√Ķes divinas, acreditando no indiv√≠duo como reflexo da divindade e, por conseguinte, na sua imortalidade.

28
Jan20

Sophia e o teatro

Untitled.png

Sophia escreveu apenas cinco peças de teatro, mas poderia ter escrito muitas mais.

Quer os seus poemas, quer os seus contos têm uma forte componente visual e de movimento que nos levam a participar cinematograficamente nos seus imaginários. Arriscaria dizer que a escrita de Sophia é um animatógrafo de palavras, de olhares, de sentidos.

Bastasse o seu querer e poderia ter escrito mais teatro, ainda assim a¬†sua liga√ß√£o ao teatro foi muito mais abrangente n√£o s√≥ com¬†textos e interven√ß√Ķes criativas e/ou cr√≠ticas teatrais, mas tamb√©m com a sua¬†Recria√ß√£o Po√©tica da Trag√©dia de¬†Eur√≠pides¬†revelando uma vez mais o seu amor pela Gr√©cia.

2019 foi o ano que escolhi para ler Sophia de Mello Breyner
Visitem o mundo encantado de Sophia
Em 2020 irei ler Jorge de Sena
Venham dar uma volta ao mundo
A Miss X aceitou o Desafio de Escrita dos Pássaros pela 2.ª vez!
Já começou a viagem pelo mundo da Gata Borralheira.
Cinema e literatura num só.
Venham também!
bookini_inverno.png
A imprensa comentada no final de cada mês na Operação Bookini
Espreitem as bookinices
  •  
  • A autora deste blog n√£o adopta o novo Acordo Ortogr√°fico.

    Subscrever por e-mail

    A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

    O que leio, capa a capa

    Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2019
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2018
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2017
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2016
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2015
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2014
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D

    Estante

    no fundo da estante