Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Livrologia

by Miss X

Livrologia

by Miss X

18
Abr19

Os poemas que mais parecem can√ß√Ķes

cecilia_logo.jpgCecília merecer ser lida ao ar livre, ao sol.

Em cada estrofe, em cada verso, a vida sem filosofia.

 

Cinquenta e oito p√°ginas volvidas desta antologia po√©tica e continuo deslumbrada com os poemas que mais parecem can√ß√Ķes.

 

Há tanta musicalidade na simplicidade com que escreve a existênca humana, o sentido da vida, a solidão, a perda, que queremos cantá-los até que a voz nos doa.

13
Abr19

Em busca de um poeta que iluminasse os dias vazios de Sophia

cecilia_logo.jpgAo ler as palavras de Clarice senti desejo de poesia. De poemas alegres como contraponto às suas palavras sombrias.

 

Parti ent√£o em busca de um poeta que iluminasse os dias vazios de Sophia. E porque n√£o poemas vindos do outro lado do oceano, do mesmo lado de Clarice?

 

Procurei e encontrei Cecília desfalecida numa estante onde já ninguém ou poucos a procuram. Li-lhe a primeira página, um acaso sem coincidência, onde apareceu escrito o seu poema Motivo, o mesmo pelo qual escreve, o mesmo que me levou a procurá-la:

 

Eu canto porque o instante existe

e a minha vida est√° completa.

N√£o sou alegre nem sou triste:

sou poeta.

09
Abr19

De onde lhe vem tamanha inspiração?

Untitled.png√Ä medida que leio a poesia de Sophia, perto j√° dos seus √ļltimos livros de poemas, pergunto-me de onde lhe vem tamanha inspira√ß√£o para a escrever.

 

Há uma certa aura de misticismo em torno da inspiração, esse ser etéreo e secreto, que nem todos os poetas gostam de revelar, mas que Sophia não receia nem hesita em expor.

 

Disse um dia que Picasso e Lorca tiveram uma grande influência na sua poesia, quiçá o primeiro pintando em verso e o segundo desenhando palavras a tenham subjugado à sua Musa.

 

Sophia invoca-a, evocando tamb√©m outros nomes como Cam√Ķes e Pessoa, convidados de honra do seu banquete po√©tico, trazendo-os a si e imortalizando-os consigo, n√£o se deixando ofuscar pela grandiosidade de quem enaltece, de quem louva, mas escrevendo lado a lado, despretensiosa e honestamente como s√≥ ela soube ser e escrever.

05
Abr19

Ler poesia por mim, só porque quero, só porque sim

Untitled.pngAcabada a leitura d' O Nome das Coisas, poucos livros me faltam para acabar de ler toda a poesia de Sophia.

 

Sinto-me ao mesmo tempo feliz, por finalmente concretizar este desejo de ler toda a sua poesia, mas também triste, por brevemente deixar de ter os seus versos para me iluminar os dias.

 

Raramente leio poesia e, quando acontece, raramente o faço espontaneamente. Por detrás da poesia que leio, sempre houve outros motivos que não os meus.

 

Um dia vou tentar ler poesia por mim, só porque quero, só porque sim.

Est√° prometido.

03
Abr19

Um novo método de leitura

cafecomlivros3.pngTenho experimentado um novo método de leitura que consiste em ler alternadamente dois escritores distintos. Já o tinha tentado há mais tempo, mas desta vez decidi fazê-lo com mais disciplina.

 

Quem me tem acompanhado tem percebido que vou partilhando excertos do que leio alternadamente, quer de Sophia de Mello Breyner Andresen, quer de Clarice Lispector.

 

Tem sido mais difícil do que esperava, porque há dias em que sinto vontade de ler mais uma do que outra e vice-versa.

 

Hoje, por exemplo, não tive paciência que chegasse para ler Clarice e, quando assim é, prefiro ler Sophia. Dias há em que a luz de Sophia é demasiada e refugio-me nas sombras de Clarice. E constatei que a escolha destas duas mulheres, apesar de ter sido pura coincidência, foi a dicotomia perfeita, entre luz e sombra.

30
Mar19

Manuel Bandeira, o poeta de Sophia e Clarice

Untitled.pngEnquanto lia Geografia parei subitamente nestes versos com sabor a água de coco e chinelo no pé:

Gosto de ouvir o português do Brasil

Onde as palavras recuperam sua subst√Ęncia total

Concretas como frutos nítidas como pássaros

 

Umas páginas adiante deparo-me com o poema Manuel Bandeira, a sua homenagem a este poeta brasileiro - nas leituras há também acasos -, com quem  Clarice Lispector trocava cartas.

A leitura de Clarice pede já poesia brasileira, poesia que pouco ou nada conheço e, que este acaso delicioso trouxe até mim.

Respeito os acasos, para mim sinais divinos, e decidi subjugar-me a este: vou ler Manuel Bandeira.

Clarice e Sophia deram-mo a conhecer, quase em simult√Ęneo, e prometo que vou ler os seus poemas como Sophia o fez:

Estes poemas caminharam comigo e com a brisa

Nos passeados campos da minha juventude

Estes poemas poisaram a sua m√£o sobre o meu ombro

E foram parte do tempo respirado