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Livrologia

by Miss X

Livrologia

by Miss X

19
Fev19

Um apelo à leitura da Sophia poetisa

Untitled.pngSe exagero na partilha de poemas de Sophia, n√£o me arrependo.

Os poemas dela raramente s√£o excesso. S√£o sempre o pouco que nos falta.

 

A poesia ocupa pouco espaço.

 

Os parcos versos lidos na partida para o trabalho ou no regresso a casa deixam esta marca indelével que nenhum cinzentismo do dia-a-dia apagará.

 

E à guisa de ritual iniciático, para todos aqueles que querem começar e/ou recomeçar a ler a sua poesia, deixo uma sugestão de ciclo de leitura cronológico dos livros de poesia que publicou e que facilmente encontrarão em qualquer biblioteca:

 

1944 Poesia I

1947 Dia do Mar

1950 Coral

1954 No Tempo Dividido

1958 Mar Novo

1962 Livro Sexto

1967 Geografia

1972 Dual

1977 O Nome das Coisas

1977-1982 Navega√ß√Ķes

1989 Ilhas

1994 Musa

1997 O B√ļzio de C√≥s

19
Fev19

Ecos neste templo que é a natureza

Untitled.pngQuando leio a poesia de Sophia sinto-a sempre perfeita, delicada.

 

Cada verso um sussurro de paz.

 

Palavras quase intocáveis que ressoam como ecos neste templo que é a natureza. Versos que guardo para orar:

O suor/Das forças amarradas a si mesmas.

 

Alimentando o vazio como um fogo.

 

Odiei o que era f√°cil.

 

Pelas tuas m√£os medi o mundo.

18
Fev19

Como se a capacidade de dar à luz galgasse as margens dos livros

logo8.pngTodas estas mulheres que me têm acompanhado - Duras, Sophia e Clarice - caminham, lado a lado, por todos os meus caminhos.

 

As suas palavras vagueiam pelo meu pensamento do nascer ao sol posto, tornando o meus dias mais líricos e mais belos.

 

Há na escrita feminina uma vastidão sem limites, como se a capacidade de dar à luz galgasse as margens dos livros.

16
Fev19

Delitos livrescos por boas causas

cafecomlivros3.png

Continuo o meu caminho pela delinquência livresca. Desta vez de castigo sem requisitar até dia 20 de Fevereiro.

 

Tudo por causa de Clarice que recusei devolver. Leio e releio, avanço páginas, regresso às mesmas que já tinha lido.

 

Sei que a sua leitura não vai ser linear como tantas outras. Vai ser circular, infinita, sem fim, como nascer e morrer num só acto.

13
Fev19

Na poesia de Sophia há espaço, maior que um abraço

Untitled.pngUma pequena pausa na prosa de Sophia para uma pequena viagem pela sua poesia que sempre me foi um b√°lsamo.

 

Na claustrofobia dos dias bastam-me os versos de Sophia para levantar voo e pousar numa das suas √°rvores, numa das suas rochas, num dos seus mares, o ponto de encontro entre os homens e os deuses.

 

Na poesia de Sophia há espaço, maior que um abraço, e nada pode contê-lo.

07
Fev19

Sophia & Eu

Untitled.pngNa comemoração do centenário de Sophia, com leituras a dois com o meu filho - conforme prometido -, ao longo do ano vamos viver e respirar Sophia, a poetisa da liberdade.

 

Nunca niguém escreveu tão magnificamente sobre o mar, sobre a alma de pássaro, sobre a imensidão de uma paisagem, sobre a liberdade, em suma, como ela. Aprendi a ler com os seus livros. A ver a beleza do que me rodeava. A ouvir o mar. A sentir a terra. A viajar para esse reino tão longínquo, o da Imaginação.

 

Sophia entrou pela primeira vez na minha vida aos 6 anos com A Fada Oriana.

Mulher do Norte, como eu.

Nascida a 6 de Novembro, como eu.

 

Viveu no meu imaginário de criança e na mulher que cresceu.

Todas as palavras que brotaram da sua pena s√£o e continuar√£o a ser pura magia.

 

Especialmente as palavras que ela dedicou às crianças, esses pequenos seres que trazem a beleza na alma.

Como Miguel Sousa Tavares disse,¬†‚ÄúPedra, luz, fruto, manh√£, mar, vento, nisto todos nos reconhecemos, por isso citamos de cor os seus poemas e passamos de gera√ß√£o em gera√ß√£o os seus livros infantis, com que tantos de n√≥s aprendemos o fasc√≠nio da leitura‚ÄĚ.

 

Dizia ela que 'o poeta escreve para salvar a vida'.

E n√£o o fazemos todos?