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Livrologia

Livrologia

19
Jul19

Ainda não me deslumbrou, isso é certo

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Retomei a leitura de Servid√£o Humana.

Oitenta p√°ginas volvidas e ainda n√£o tenho uma opini√£o coerente e objectiva para partilhar. Logo eu que sou t√£o opinativa sobre tudo o que leio desde a primeira p√°gina.

Ainda não me deslumbrou, isso é certo.

Servidão Humana é  marcadamente autobiográfico e sempre que volto a página sofro da sempiterna sensação de dejá-vu, de que já li tudo aquilo. E de facto li: na biografia de Maugham, escrita por Selina Hastings.

Ler a sua biografia enquanto leio os seus livros, talvez tenha sido um erro. Um erro que me ir√° provavelmente custar um dos seus melhores livros.

13
Jul19

O que menos gosto em Maugham

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Maugham até agora ainda não se tornou num dos meus favoritos. Retomei a leitura de Servidão Humana e talvez me conquiste.

O que menos gosto em Maugham √© a sua escrita desconectada, quase mec√Ęnica. Como se a sua escrita fosse um plano que vai seguindo, escolhendo as palavras certas para atingir um determinado objectivo.

A sua criatividade √©¬†calculada, n√£o inspirada. Quando podia ir mais al√©m numa ideia, continha-se como que amedrontado pela censura do p√ļblico.

Ali√°s, n√£o √© segredo que alterava os seus textos para ir de encontro √† popularidade do seu p√ļblico, especialmente os seus textos dram√°ticos.

Optou por subjugar a sua escrita ao sucesso junto dos seus leitores e, desse modo, condenou-se à mediania.

12
Jul19

Uma espécie de leitura experimental

cafecomlivros.pngDepois de ter escrito sobre os livros de auto-ajuda fui desafiada a ler um - como ousam! - e a coment√°-lo aqui no blog.

Uma espécie de leitura experimental à qual decidi chamar atentado anti-literário.
Andei √† procura de um livro com uma quantidade aceit√°vel de clich√©s - haveria? - sobre algo que contribu√≠sse para a minha evolu√ß√£o pessoal - o clich√© mais imperdo√°vel - e um que contivesse o menor n√ļmero de erros gramaticais por par√°grafo (boa sorte para mim).
Ainda caí na tentação de comprar qualquer coisa do Gustavo Santos - vocês sabem do meu profundo amor sarcástico e imortal por ele - mas correria o sério risco de ter uma arritmia cardíaca de gargalhada grave.

Desisti da ideia.
Entretanto tive a (in)felicidade de encontrar um - foi difícil, mas consegui - onde não conste a palavra ou variantes de fod@-s3, cocó, auto-estima, sabedoria ou espiritualidade.
Ainda não vou revelar o escolhido, mas confesso que já o comecei a ler e estou neste momento imersa em experiências pavlovianas com macacos, tácticas publicitárias e promessas inconfessáveis.

07
Jul19

Preparo-me para dizer boa-noite a Clarice

IMG_20190623_184034.jpgFoto Miss X

Com uma infusão de tília,  lavanda e camomila, ervas com propriedades calmantes, preparo-me para dizer boa-noite a Clarice.

J√° nas¬† √ļltimas oito p√°ginas, a minha longa leitura de Clarice aproxima-se do fim.¬†

Intensa e sombria, ler Clarice assim, de um f√īlego s√≥, deixa-nos exauridos. Ainda assim, ser√° um adeus com regresso.

Vou voltar à minha Sophia conforme prometido e mergulhar nas suas Histórias da Terra e do Mar.

04
Jul19

Os livros de auto-ajuda


cafecomlivros.png

Nunca valorizei os livros de auto-ajuda.

Sempre os considerei livros a abarrotar de clichés, estudos duvidosos, peritos com pouca perícia e veracidade científica nula.

Os poucos que li e outros que tentei ler, nunca me ajudaram em absolutamente nada.

Desconfio sempre de títulos portentosos que anunciam uma mudança apocalíptica nas nossas vidas e a ideia implícita de um conhecimento tão bom de tão óbvio, mas que nós, meros mortais, nunca conseguiríamos apreender.

E √© espantoso constatar que o mercado das publica√ß√Ķes de autoconhecimento e de desenvolvimento pessoal foi um dos que mais cresceu nos √ļltimos anos. Ou seja, os portugueses est√£o a ler menos mas, os livros de auto-ajuda est√£o a vender mais.¬†

O que nos diz isto?

Que os portugueses n√£o andam sedentos de cultura.

Andam esfomeados de ego.

03
Jul19

A nossa literatura merece ser lida e destacada

cafecomlivros3.pngAcuso-me de discriminação propositada da literatura portuguesa nos meus ciclos de leitura, mas esta discriminação tem uma causa.

Estudei literatura portuguesa na faculdade e, quer a leitura, quer o estudo foram de tal modo exaustivos que agora a (re)leitura é-me avessa. 
Agora quero ler o que não li, literaturas que não conheço ou conheço de menos: francesa, inglesa, brasileira, africana, russa, latino-americana, asiática...
Uma vida humana não seria suficiente para ler tudo aquilo que quero ler. E o que vou lendo, um pouco de cada continente, é a minha tentativa de imortalidade.

Apesar disso, decidi fazer um ciclo de leitura por ano com um autor nacional.

Em 2019 a minha escolha foi Sophia de Mello Breyner Andresen.
Para 2020 ainda não decidi, mas a escolha vai ser difícil.