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Livrologia

Livrologia

29
Mai20

A minha mãe tinha razão

cafe3.pngNeste post o café não tem livros a adoçá-lo, mas memórias.

A minha mais forte e recorrente memória de leitura é a minha mãe constantemente a gritar da cozinha "pára de ler, rapariga, que isso faz-te mal".

Sorria sempre quando a ouvia dizer isto, porque era certo e sabido eu estar com um livro na mão.

Teimosamente insatisfeita, vinha pé ante pé, espreitar-me o sono para ter a certeza de que ele não era feito de páginas de insónia, mas de sonhos que voassem para longe daqueles livros feios e pesados que faziam tão mal à vista e aos quereres de uma mulher, que cada vez mais se afastava do matriarcado tradicional.

A minha mãe tinha razão. Ler fez-me mal, não só aos olhos, mas também à alma.

Tornei-me numa míope inconformista e, para mal dos meus pecados, maior o mal que um livro me provocasse, mais o queria ler, maior a descoberta de absurdo do mundo, mais o amor-ódio aos livros crescia.

O descaramento daquelas páginas de me lerem na face, o espanto pela ausência de sentido da existência.

Aos livros, odeio-os de tanto os amar.

15
Abr20

Pensem nisso

cafe3.pngNeste post o café não tem livros a adoçá-lo, mas tempo que se esvai pelas intermitências das horas que não quero ler, pelas outras em que leio e adormeço e outras tantas em que leio e me deixo perder em devaneios.

Admiro todos aqueles que em quarentena planeiam exemplarmente os seus dias com tantas actividades que, daqui do meu longe, me chegam a entontecer.

Creio que há uma obsessão frenética por ocupar o tempo livre com actividades, como se mantendo-o livre abríssemos a porta aos pensamentos, esse vilões, que apenas nos querem atacar e aniquilar.

Pensar apenas pelo pensar é bom e é uma actividade que deveria ser mais praticada em vez de ser evitada a todo o custo.

Pensem nisso.

24
Mar20

O café não tem livros a adoçá-lo, mas muitas páginas por ler

cafe3.pngNeste post o café não tem livros a adoçá-lo, mas muitas páginas por ler.

Não vou sequer enumerar os projectos de leitura que ainda não conclui e outros que impacientes me aguardam. Mesmo com planos de leitura definidos, desvio-me sempre do caminho e mesmo que arrisque não os cumprir, adoro os meus desvios por leituras inesperadas e não planeadas.

É nas pequenas coincidências, nos encontros e desencontros por páginas que nunca pretendi ler, que tenho descoberto verdadeiras preciosidades literárias.

Nestes tempos conturbados a vontade de ler não tem sido muita, o tempo diminuto, as prioridades outras, mas regresso aos poucos à literatura e ao meu Livrologia.

 

@ Desafio dos Pássaros: estou em dívida para com os pássaros e com o texto do desafio #2.8. Já consegui fazer um esboço do texto e prometo publicá-lo na próxima sexta-feira. Palavra de X.

25
Ago19

Leituras que se arriscam a não ser cumpridas

cafe3.pngNeste post o café não tem livros a adoçá-lo, mas pânico das leituras que se arriscam a não ser cumpridas:

 

@ Sophia é a autora portuguesa que escolhi para 2019, não só pelo seu centenário, mas também pelas coincidências que nos unem. Poucos livros me faltam ler para concluir o seu ciclo de leitura. Mesmo que o tempo me falte Sophia vai ser lida até ao fim.

 

@ Maugham foi puro acaso. Enquanto lia uma colectânea de contos de vários autores encontrei um que lhe pertencia - A Cigarra e a Formiga - e foi a partir daí que o seu ciclo de leitura nasceu.

Até ao momento o livro que mais me impressionou foi A Lua e Cinco Tostões. Quase um tratado - arrisco dizer - sobre as forças poderosas e incontroláveis que existem por detrás da criação artística.

Apesar de tudo, Maugham (ainda) não me conquistou. Talvez Servidão Humana seja o derradeiro livro que me irá convencer da sua mestria.

Veremos.

 

@ A leitura experimental foi um impulso laboratorial a que não consegui resistir. As mesas cheias de livros de auto-ajuda nas livrarias incomodam-me e não poderia escrever sobre este incómodo sem ler um deles. E esta experiência está a ter ainda mais graça, porque tenho estado a aplicar todos os ensinamentos à minha vida real. Depois conto tudo!

22
Ago19

Crimes perfeitos

cafe3.pngNeste post o café não tem livros a adoçá-lo, mas angústia.

Clarice Lispector e as suas crónicas levaram-me directamente para o topo da lista negra de leitores incumpridores da biblioteca.

Por este crime perfeito vivo agora resignada na espera que desespera pelo dia em que poderei trazer mais livros para casa.

Ainda assim puni-me sem misericórdia com alguns dias de férias sem livros, mas desertei desavergonhadamente. Fugi sem olhar para trás e procurei refúgio naquela livraria ao pé do mar.

E que fiz eu?

Trouxe mais livros para casa.

IMG_20190821_231013.jpgFoto Miss X

14
Ago19

Uma livraria na praia

cafe3.png

Este post de pé descalço na areia e de café sem livros tem a adoçá-lo uma praia.

Tenho uma praia do coração que é muito mais que uma praia. É o lugar onde o céu e o mar se encontram na parte da alma que lá deixei.

A ela tento regressar todos os anos para reencontrar-me inteira.

Tem tudo aquilo que sou: um areal a perder de vista, um mar da cor dos meus olhos, um vilarejo de casas pequenas e catitas, um passadiço de madeira que atravessa as dunas, um bar do tamanho de um barco à vela e o mais perfeito: livros na frente para o mar.

Todos os anos uma livraria itinerante surge na praceta em frente à praia onde me perco no regresso dos mergulhos salgados.

Às vezes fico até o sol se pôr por entre páginas que ainda não são minhas e que desejo até ao dia seguinte.

07
Ago19

Rasgava as contracapas de todos os livros que lia

cafe3.pngNeste post o café não tem livros a adoçá-lo, mas cinema.

No filme The Bookshop há uma cena memorável.

O único leitor daquele vilarejo, já de cabelos brancos e rugas indeléveis, rasgava as contracapas de todos os livros que lia, se nelas estivessem impressas as fotografias dos escritores que os escreveram.

Para ele os seres humanos eram incapazes de escrever livros. 

Para ele os livros apareciam espontaneamente escritos como uma flor ou uma borboleta. E provava essa mesma teoria, queimando as contracapas rasgadas.

Todos os seus livros passaram  a ser etéreos.

2019 foi o ano que escolhi para ler Sophia de Mello Breyner
Visitem o mundo encantado de Sophia
Em 2021 irei ler Jorge de Sena
Preparem-se para dar a volta ao vosso mundo
A Miss X aceitou o Desafio de Escrita dos Pássaros pela 2.ª vez!
Já começou a viagem pelo mundo da Gata Borralheira.
Cinema e literatura num só.
Venham também!
bookinices_spring.png
A imprensa comentada no final de cada mês na Operação Bookini
Espreitem as bookinices
A autora deste blog não adopta o novo Acordo Ortográfico.

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