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Livrologia

Livrologia

21
Jul21

O processo criador de Sena

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Como é que um autor que mantém uma profissão diariamente, consegue ter tempo e calma para escrever tanto, de forma tão diversificada e tão densa? Esta é a questão que mais me fascina em Sena. Como conseguiu ele manter o seu processo criador com mil e um afazeres no seu dia-a-dia?

Dom√≠nio, disciplina, orienta√ß√£o,¬†exercidos sobre o nosso esp√≠rito a todas as horas,¬†como uma prepara√ß√£o constante, implac√°vel, humilde¬†e atenta daquele momento em que o poema¬†aparece. E ele ent√£o, surgindo s√ļbito, sem que¬†saibamos o que vai dizer, dir√°.

~ Jorge de Sena ~

 

Uma espontaneidade reflectida √© assim que v√°rios estudiosos definem o processo criador de Sena. Nada planeado e tudo fruto do pensamento que surge, tal como a m√ļsica que¬†para ele era um¬†processo mental, interior, permanente, e por isso¬†aparentemente espont√Ęneo. Quando j√° n√£o podia¬†como que sust√™-la por mais tempo, acontecia-lhe,¬†numa esp√©cie de ¬ędorm√™ncia alheia¬Ľ at√© ao momento¬†da sua materializa√ß√£o verbal.*

Nunca concebi nada, antes de começar a escrever.

Nada escrevi que de uma vez não escrevesse e não considerasse escrito de uma vez para sempre.

~ Jorge de Sena ~

* O Essencial sobre Jorge de Sena de Jorge Fazenda Lourenço

15
Jul21

Mar de Pedras, o conto preferido de Sena

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Decidi abrir um pequeno parêntesis para homenagear este conto que estou a ler - Mar de Pedras - um dos preferidos de Jorge de Sena.

A personagem principal é o Venerável Beda, historiador, crítico e poeta, mais conhecido pela sua Historia ecclesiastica gentis Anglorum.

Desde a sua juventude que o Venerável Beda foi um estudioso, um sábio, um escritor e um frade, tornando-se legendária a sua santidade, especialmente num episódio em particular, de que trata este conto, o sermão às pedras.

12
Jul21

E que direi do p√ļblico leitor?

conversatorio3_1.pngPorque, na verdade, a gente neste mundo alimenta-se ou sobrevive dessas migalhas do banquete dos outros, que é a estima ou a simpatia que eles nos manifestem.

E que direi do p√ļblico leitor?

Tudo de bem - ele, sem quase ajuda que tantos pares meus têm tido profusa, atenta e dedicada, e, o que é mais, em serviço permanente, afinal foi esgotando estes meus livros todos.

Levou mais tempo do que se passa com os êxitos do momento?

Sem d√ļvida - e por isso os do momento se acabam quando ele passa, e ningu√©m os ressuscitar√° por indevidamente esquecidos. Se bem que eu n√£o acredite em eternidade alguma, sempre h√° uns tempos mais compridos que outros.

Jorge de Sena

Santa Barbara, Julho de 1977

09
Jul21

Uma grande unidade interior

conversatorio3_1.pngUma grande¬†unidade interior, um tom que √© a pr√≥pria voz do poeta, preside a todas¬†estas poesias que, afinal, se verifica serem apenas uma. √Č que a linguagem de Jorge de Sena √© a fus√£o de um pensamento, de uma palavra¬†e de um acto. E dela tamb√©mm se poderia dizer o que o cr√≠tico franc√™s¬†L√©on-Gabriel Gros disse de um outro poeta: que vive de ¬ęduas exig√™ncias contradit√≥rias: a fidelidade aos dados da inspira√ß√£o, √†s sensa√ß√Ķes elementares, e ao rigor intelectual que se manifesta no pr√≥prio¬†objecto verbal¬Ľ.

António Ramos Rosa-Cadernos do Meio Dia
Fev. de 1959.

07
Jul21

√Č bom? √Č mau? √Č assim.

conversatorio3_1.pngPretendo, afinal, insinuar que não encontro na obra de Jorge de Sena nem o gratuito, nem o fácil, nem o habilidoso, - mas sim, e sempre, a afirmação de uma personalidade que, consciente da sua riqueza, utiliza essa mesma consciência com um ariete.

Daí, se me não engano, esse tom pessoal, esse polemismo, essa arremetida que a sua obra tantas vezes assume.

√Č bom? √Č mau? √Č assim.

Joel Serr√£o in Gazeta Musical e de Todas as Artes

Lisboa, Maio 1960

04
Jul21

Tudo o que existe nasce sem raz√£o

conversatorio3_1.pngA História do Peixe-Pato é um conto estranho, tortuoso, labiríntico que representa a busca e o encontro com o Outro. O Outro como outra pessoa e/ou o Outro dentro de nós.

Este conto √© t√£o amb√≠guo que sofre de uma duplicidade que nos confunde, como v√°rios espelhos que exibem diferentes reflexos, sendo o mesmo e √ļnico, aquele que se mira neles.

H√° nele uma din√Ęmica naturalista e existencialista que saltita pela exist√™ncia, desaguando no absurdo do nascimento e da morte dos seres humanos. Ali√°s, revelando o que sempre soub√©mos, mas que renegamos constantemente, que o ser humano¬†n√£o sabe de onde veio, porque est√° aqui, o que deve fazer ou para onde vai. Em suma, a grande revela√ß√£o da efemeridade da exist√™ncia, da qual n√£o h√° fuga poss√≠vel, e que est√° destinada ao esquecimento.

Tudo o que existe nasce sem razão, mantém-se por fraqueza e inércia e morre por acaso.

~Sartre~

21
Jun21

Sena à conversa com a sua poesia

sena4.png

O aparente distanciamento de Jorge de Sena nunca foi arrog√Ęncia ou sentido de superioridade, muito pelo contr√°rio apenas timidez.

Sena sempre disse o que tinha a dizer, doesse a quem doesse e, se na verdade h√° arrog√Ęncia, na mentira n√£o haver√° com certeza humildade.

Sena n√£o conseguiria estar em sil√™ncio com o seu leitor, mesmo que tentasse. Nos seus pref√°cios sente-se o prazer que tem em conversar com o seu leitor, talvez o √ļnico que o compreenderia. Tamb√©m conversava com a poesia, a sua musa intemporal:

MADRIGAL

Se vieres, poesia,
a mim ter comigo,
em mim n√£o encontras
o teu velho amigo.

Mal onde procures,
j√° estive, n√£o estou:
e mesmo que queiras
que eu parta: nao vou.

Que a vida que tenho,
se o mundo a levar,
ainda é com ela

que esperas durar.

Quanto mais leio, menos sei

O autor português de 2021 é Jorge de Sena
Preparem-se para dar a volta ao vosso mundo
A autora portuguesa em destaque de 2019/2020 foi Sophia de Mello Breyner Andresen
Visitem o seu mundo encantado
Tudo o que escrevi para o Desafio de Escrita dos P√°ssaros est√° aqui!
Tudo o que escrevi para Os Desafios da Abelha est√° aqui!
Já começou a viagem pelo mundo da Gata Borralheira.
Cinema e literatura num só.
Venham também!
bookinices_spring.png
A imprensa comentada no final de cada mês na Operação Bookini
Espreitem as bookinices
A autora deste blog n√£o adopta o novo Acordo Ortogr√°fico.

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