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Livrologia

Livrologia

04
Jan21

Sena é um autor complexo e vasto, um mundo inteiro cabe nele

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Sena é um autor complexo e vasto. Um mundo inteiro cabe nele.

N√£o s√≥ pela vastid√£o dos temas sobre os quais escreveu ‚Äē Amor, Liberdade, Justi√ßa, Humanidade entre outros ‚Äē mas tamb√©m pelas diferentes formas como os expressou ‚Äē poesia, romance, contos, teatro, cr√≠tica, tradu√ß√£o.

Sena foi mais do que um autor, foi o intelectual que Portugal teve o privilégio de ter. Porque Sena escrevia não apenas pelo prazer de escrever, mas para apreender o mundo, estudá-lo, compreendê-lo e quiçá utopicamente solucioná-lo.

Talvez tenha sido essa vontade utópica que o fez elevar a crítica a um outro nível a que Portugal não estava habituado. Aliás, ainda não está.

A sua crítica nasce do seu poetar, porque enquanto criava poesia, reflectia dentro de si e contemplava tudo à sua volta. Por isso, poesia e crítica em Sena são uma só, porque é do poeta que todas as perspectivas e todas as possibilidades brotam.

05
Dez20

Eu o dou tal como o fiz, com todos os arranh√Ķes

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O Caminho para a Dist√Ęncia revela, no pr√≥prio t√≠tulo, a espiritualidade que nos espera no interior das suas p√°ginas.

Vinicius escreveu este seu primeiro livro de poesia imbuído pelas ideias dos intelectuais católicos e metafísicos do Rio de Janeiro.

Nos seus longos versos sobre os tormentos da alma e os seus conflitos internos encontramos um poeta ainda tímido, que observa o mundo através da fé, sem nunca perder o conturbado ponto de vista da alma.

Vinicius em nota introdutória explica a sua génese deste seu primeiro livro:

Este livro √© o meu primeiro livro. Desnecess√°rio dizer aqui o que ele significa para mim como coisa minha ‚ÄĒ creio mesmo que um pref√°cio n√£o o comportaria normalmente.S√£o cerca de quarenta poemas intimamente ligados num s√≥ movimento, vivendo e pulsando juntos, isolando-se no ritmo e prolongando-se na continuidade, sem que nada possa contar em separado. H√° um todo comum indivis√≠vel.
Seus defeitos de ideia s√£o os meus defeitos de forma√ß√£o. Seus defeitos de constru√ß√£o s√£o os meus defeitos de realizador. Eu o dou tal como o fiz, com todos os arranh√Ķes que lhe notei na fixa√ß√£o inicial, virgem de remodela√ß√Ķes, na mesma seiva em que sempre viveu.
Ofereço-o aos meus amigos.
V.M. Rio, 1933
27
Nov20

H√° reflex√Ķes que s√£o verdadeira poesia, apesar de n√£o estarem em verso

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O meu plano era ler apenas três livros de Mário de Andrade, mas à medida que o lia o fascínio ia crescendo. E de três passaram a oito.

Apesar de ter escrito muitos livros sobre v√°rios temas, incluindo m√ļsica e arte, decidi n√£o os ler, por n√£o se incluirem na linha de leitura que pretendia fazer, mas abri uma excep√ß√£o:¬†A Escrava que n√£o √© Isaura.

E porquê?

Porque foi escrito em pleno auge da euforia do modernismo brasileiro. O seu subtítulo esclarece de imediato a sua natureza: Discurso sobre algumas tendências da poesia Moderna.

Este subt√≠tulo faria adormecer o mais desperto e paciente dos leitores, mas nada h√° a temer.¬†N√£o √© um livro pejado de tecnicismos incompreens√≠veis e aborrecidos, muito pelo contr√°rio est√° cheio de reflex√Ķes inestim√°veis sobre a poesia e a sua evolu√ß√£o. E h√° reflex√Ķes que s√£o verdadeira poesia, apesar de n√£o estarem em verso.

25
Nov20

Em cada poema h√° uma gota de sangue derramada

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O saudosismo cai sobre mim sempre que me encontro nas √ļltimas p√°ginas de um livro e √© nesse estado que me encontro, com o final de¬†H√° uma Gota de Sangue em Cada Poema,¬†o primeiro livro de poesia de¬†M√°rio de Andrade.

Em cada poema há uma gota de sangue derramada por todos os que sucumbiram às garras da Primeira Guerra Mundial. Cada poema uma reflexão, uma crítica, um lamento perante uma guerra avassaladora que matou a Humanidade. Poemas frios, sombrios, muito sós, como os seus combatentes.

Escreveu-os sob o pseudónimo de Mário Sobral, talvez por ser um manifesto antibelicista e pacifista contra uma guerra que considerava absurda em que até os passarinhos riem desumanos.

São poemas imaturos, por serem os primeiros, como Mário de Andrade os viria a descrever mais tarde, mas serão eles a marcar o início do seu percurso poético.

13
Nov20

Você é inteligente, mas não tem jeito algum para poeta

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O primeiro livro de Vinicius de Moraes que estou a ler, foi publicado enquanto o poeta estudava na Faculdade de Direito do Catete, no Rio de Janeiro.

O Caminho para a Dist√Ęncia, apesar de marcar o in√≠cio da poesia de Vinicius, viria a ser renegado pelo poeta anos mais tarde.

Contam que Américo Jacobina Lacombe, seu colega, desaconselhou-o a seguir a carreira de poeta:

Você é inteligente, mas não tem jeito algum para poeta. Para ser poeta é preciso ser sonhador e viver com a cabeça nos ares. Você é realista demais para isso.

13
Out20

Leiam Olhinhos de Gato. E porquê? Porque é especial.

logo10.pngSentando-a no colo, Boquinha de Doce ia dizendo:

"Estes¬†olhinhos de gato ‚ÄĒ que n√£o se esquecem... n√£o se esquecem..."
E apertando-lhe o queixo ainda tornava:

"Parecem mesmo uns olhinhos de gato!"

 

A quem queira viajar pelas páginas de Cecília Meireles - a pastora de nuvens - deixo um conselho: leiam Olhinhos de Gato. E porquê? Porque é especial. Mais do que especial, é essencial para compreender profundamente Cecília.

São 13 capítulos que a poeta ia escrevendo e publicando na revista Ocidente, de Lisboa, durante os anos de 1939 e 1940 e que mais tarde foram reunidos em livro.

Ao longo das p√°ginas damos a m√£o a uma menina chamada Olhinhos de Gato (o cognome que Cec√≠lia atribuiu a si pr√≥pria) que nos conduz pelos caminhos e perip√©cias da sua inf√Ęncia, da inf√Ęncia da pr√≥pria poeta com a sua av√≥ Jacinta.

Todas as personagens principais - pessoas reais que conviveram com a Cecília menina - têm cognomes: a avó Jacinta, com quem viveu depois da morte dos pais, é Boquinha de Doce; a ama é Dentinho de Arroz. E todas elas fazem parte da história de Cecília e da sua futura poesia, cujos versos estariam sempre de olhos postos nas nuvens para as quais a menina olhava.

Olhinhos de Gato n√£o √© apenas a hist√≥ria da inf√Ęncia de Cec√≠lia, √© tamb√©m a da sua poesia, por isso √© que √© t√£o especial.

28
Ago20

O conto ¬ęSaga¬Ľ¬†foi inspirado em Jan, o bisav√ī de Sophia

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Isabel Nery na biografia que esceveu sobre Sophia e que estou a ler neste momento conta que o conto Saga¬†foi inspirado em Jan, o bisav√ī de Sophia:

 

Al√©m de uma hist√≥ria de fam√≠lia, j√° passada de gera√ß√£o em gera√ß√£o, a aventura de Jan com o urso e a expuls√£o do navio inspiraram um dos textos mais claramente autobiogr√°ficos de Sophia, o conto ¬ęSaga¬Ľ, publicado no livro Hist√≥rias da Terra e do Mar, em 1984.

(...)

Em entrevista de 1985, Sophia admite que o conto ¬ęSaga¬Ľ nasceu de uma hist√≥ria de fam√≠lia:

O meu bisav√ī veio realmente de uma ilha na Dinamarca, embarcado √† aventura e foi assim que acabou por chegar ao Porto. O epis√≥dio da saga com o capit√£o, o do n√ļmero de circo com a pele de urso no cais, o abandono do navio - tudo isso aconteceu de facto.Tamb√©m s√£o verdadeiras as palavras que ele disse, mais tarde, a uma das netas: "O mar √© o caminho para a minha casa".

in Sophia de Mello Breyner Andresen de Isabel Nery

13
Jul20

Sophia de Mello Breyner Andresen | A Grécia nos seus livros

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O fascínio pela Grécia, arriscaria dizer, nasceu com Sophia.

Também com ela nasceu o encanto pela virtude, pela rectidão e pela inteireza que são próprios do modelo heróico.

O curso de Filologia Clássica, que decidiu abandonar em 1939, proporcionou-lhe um primeiro contacto com a civilização grega, que viria a aprofundar nas sucessivas viagens feitas à Grécia, ao longo da vida. 

Em quase tudo o que escrevia, a Grécia espraiava-se ao sol das suas palavras, especialmente nos livros  Dia do Mar e Coral, em  Geografia e sobretudo em Dual. Aliás, Dual é o livro do seu grande encontro com a Grécia.

Em pequenos apontamentos ou num poema inteiro, a sua amada Grécia estará para sempre consigo.

O autor português de 2021 é Jorge de Sena
Preparem-se para dar a volta ao vosso mundo
A autora portuguesa em destaque de 2019/2020 foi Sophia de Mello Breyner Andresen
Visitem o seu mundo encantado
Tudo o que escrevi para o Desafio de Escrita dos P√°ssaros est√° aqui!
Tudo o que escrevi para Os Desafios da Abelha est√° aqui!
Já começou a viagem pelo mundo da Gata Borralheira.
Cinema e literatura num só.
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A imprensa comentada no final de cada mês na Operação Bookini
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A autora deste blog n√£o adopta o novo Acordo Ortogr√°fico.

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