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Livrologia

Livrologia

10
Jan20

Desafio de escrita dos p√°ssaros #17

Aumentam as sombras

ao deitar dos Sóis

e tu, na partitura tombas

em sustenidos e bemóis.

 

Tocas-me em dós de silêncio,

Beijas-me em rés de ternura,

E no si agudo do momento

Desfaleço em rima de tontura.

 

Na falta de ar de uma sinfonia

Respiro o solfejo de uma pauta

E tu voas na mesma melancolia

Que a Lua sente pelo astronauta

 

Por entre a penumbra do solstício

e a luz de um acorde és um traço

Sofrendo em desafinado suplício

O desacerto do teu compasso.

06
Jan20

Ainda n√£o se inscreveram no Desafio dos P√°ssaros?

1- Dez semanas hipnóticas de pura ansiedade, de cabeçadas na parede, de desmaios e noites sem dormir por falta de inspiração ou excesso dela. Pura adrenalina! A melhor droga do mundo para nos sentirmos vivos que nem um carapau;

2-Escrever em português, portanto Jorge Jesus tu não entras;

3-Escrever em prosa ou poesia, mesmo que não rime, o que importa é que venha do coração (roubei esta ao Tony Carreira);

4-Escrever ficção ou realidade. Também se aceitam realidades virtuais ou paralelas; 

5-N√£o ultrapassar as 400 palavras. Todas as outras que sobrarem, escondam-nas bem escondidinhas, porque v√£o precisar delas para o desafio da semana seguinte;

6-Não se discrimina ninguém com base na idade, nem na plataforma bloguista. Toda a gente entra;

7-Não sejam chatos, juntem-se a nós e inscrevam-se em desafiodospassaros@gmail.com, indicando o nome, endereço do blog e autorização para a publicação dos textos no blog desafiodospassaros.blogs.sapo.pt;

8-Ofereço o meu ombro para chorar e a minha gargalhada para rirmos juntos;

9-Palavras de conforto grátis e abraços virtuais de todos nós, participantes, porque nos apoiamos uns aos outros nesta demanda;

10-Nem sei porque é que ainda estão a ler isto, quando podiam estar já a tratar da inscrição.

Regras AQUI.

03
Jan20

Desafio de escrita dos p√°ssaros #16

Querido Sentido da Vida,

N√£o sei se existes e a existires n√£o sei por onde andas.

Uns dizem que estás no deserto, outros no mar, outros no céu. Sei que te persigo num misto de espanto e incompreensão, sempre acreditando que te vou encontrar e que me dirás qual a minha missão no mundo.

Não, ainda não entendi o que é para fazer, o que estou aqui a fazer.

Durante a minha inf√Ęncia eras tu que ali estavas sempre ao meu lado. Tudo fazia sentido, tudo tinha um sentido, existias, justificando a minha exist√™ncia nas mais pequenas coisas.

Só que as pequenas coisas cresceram e desapareceste na grandeza delas.

Perdi-te e n√£o sei onde te encontrar.

A vida perguntou ao sentido quanto sentido a vida tem. O sentido respondeu à vida que a vida tem tanto sentido quanto sentido o sentido tem.

Reinventei-te nesta lengalenga que canto no apequenar das coisas que se tornaram demasiado grandes para mim. 

√Č no pequenino da vida que procuro todo o sentido que perdi.

Ainda existes? Onde est√°s?

A tua,

X

27
Dez19

O desafio dos p√°ssaros comentado

Os P√°ssaros pediram e aqui estou eu para desabafar todo o sofrimento que tem sido a primeira temporada do desafio dos p√°ssaros que termina j√° em Janeiro com a publica√ß√£o do √ļltimo texto.

Se me perguntarem de onde me veio a inspira√ß√£o, poderia mentir com todas as teclas, que a inspira√ß√£o desceu sobre mim qual Esp√≠rito Santo e me iluminou com as ideias mais idiotas de que h√° mem√≥ria. S√≥ que n√£o.¬†A minha inspira√ß√£o veio do p√Ęnico que tenho sentido desde o dia em que me inscrevi.

N√£o sei como √© que o resto dos seres humanos funciona, mas o p√Ęnico tem um efeito em mim absolutamente imprevis√≠vel e com consequ√™ncias irrevers√≠veis. Basta lerem tudo aquilo que escrevi - 15 preciosidades - para perceberem do que estou a falar e aproveito para deixar um pequeno coment√°rio a cada um deles:

#1 Problemas, só problemas

Foi um dos temas que mais rapidamente escrevi. Recordo-me que quando recebi o email rabisquei de imediato o texto de rajada, num pedaço de papel rasgado. Em cinco minutos ficou escrito e foi muito estranho. Foi como se este tema estivesse latente em mim à espera de voar. 

 

#2 O amor e um estalo

Este tema desencadeou uma reac√ß√£o quase m√≠stica da minha inspira√ß√£o. Quando li o tema n√£o conseguia parar de ouvir na minha mente Por una Cabeza de Carlos Gardel. O que viesse a escrever teria de ser um tango e assim foi. Reescrevi a letra de uma m√ļsica que adoro.¬†

 

#3 Uma aventura/momento que te tenha marcado

Escolhi escrever sobre o primeiro momento, antes de todos os outros momentos marcantes que viria a ter: o meu nascimento e o nascimento da minha m√£e, como m√£e.

 

#4 A Beatriz disse que n√£o. E agora?

Tentei imaginar como seria dizer "n√£o" em verso. E assim foi.

 

#5 Estás na fila para o purgatório e Hitler está à tua frente. Ninguém o quer aceitar e a fila não anda. Escreve a tua intervenção para convencer um dos lados a aceitá-lo

Este foi o tema que mais gozo me deu escrever. Quando me sentei na cadeira, escrevi durante horas seguidas até que o texto ficasse exactamente como eu queria. Diverti-me tanto a escrevê-lo que se transformou num dos meus favoritos.

 

#6 Escreve uma hist√≥ria rom√Ęntica baseada no cl√°ssico "O Amor, uma cabana‚Ķ e um frigor√≠fico"

N√£o gosto de escrever sobe temas rom√Ęnticos e o texto que escrevi revela um pouco isso. Sinto que n√£o foi o mais inspirado dos textos e obviamente que fiquei do lado do Lobo Mau. Adoro vil√Ķes.

 

#7 A Constança precisa duma máscara capilar mas o teu patrão só quer que vendas compotas de abóbora com amêndoa. Convence-a a escolher a compota para usar como máscara capilar

Tive um ataque de ansiedade com este tema. Nada do que escrevia me parecia bem. Foram muitas as tentativas falhadas, muitos rascunhos que foram parar ao lixo antes da versão final. Um dos temas mais difíceis.

 

#8 Escreve uma carta para a criança que foste

Aquilo que verdadeiramente queria escrever, não o escrevi por motivos de privacidade. Muito ficou por escrever à criança que fui, ainda assim escrevi o essencial.

 

#9 Acordaste nu, sem te recordar de nada, numa ilha deserta

Demorei quase a semana inteira a decidir como raio iria escrever sobre isto.  Inventar um Correio da Manhã da passarada pareceu-me a melhor opção, tal era o desespero.

 

#10 Já chegámos? Já chegámos?

Este tema fez-me claramente recordar o meu filho quando era mais pequeno. Ele fez-me tantas vezes esta pergunta que finalmente decidi responder-lhe: que a chegada não é o mais importante, mas sim a viagem até lá.

 

#11 Um dia na tua família… do ponto de vista do teu animal de estimação

Escrever este texto divertiu-me imenso e adorei como ficou no final.

 

#12 Aqueles pássaros não se calam

Tinha prometido a mim mesma que um dos temas teria que ser inteiramente dedicado às crianças e este foi o tema perfeito para cumprir a promessa.

 

#13 Reescreve o final dum filme

Quis com este tema escrever também sobre a actualidade e nada melhor que um naufrágio para o fazer. O Titanic tem muitas semelhanças com Portugal.

 

#14 Não nasci para isto

Um dos meus preferidos, este texto saiu-me das entranhas. Adorei escrevê-lo e reflecte aquilo em que acredito. Este texto sou toda eu.

 

#15 O Pai Natal decidiu reformar-se e as entrevistas começam esta semana. Descreve uma dessas entrevistas na perspectiva do recrutador de recursos humanos: A Rena Rudolfo.

Inspirei-me nas entrevistas de emprego a que tive de comparecer e às perguntas absurdas que me fizeram. Um dos meus textos favoritos.

 

E vocês? Qual foi o texto de que mais gostaram?

13
Dez19

Desafio de escrita dos p√°ssaros #14

Nasci para ser mulher

E não para servir até cair

Serviçal, escrava, talher,

Sacrificada até no sorrir.

 

N√£o nasci para estar

Quieta, submissa, calada,

Nasci para lutar

N√£o fazer parte da manada.

 

N√£o nasci para isto

Para esta condição de mulher

Que nos reduz a um imprevisto

Objecto, flor, malmequer.

 

A desordem dos conceitos

Que nos atiram para lermos

H√° que despir preconceitos

N√£o nascemos para ser menos

 

As asas n√£o me prender√£o

Sou livre, estrela, universo

Simetria de amor, raz√£o

Astronauta, o meu inverso.

 

Vou para onde quero estar

Seja no Ver√£o ou no Inverno,

Pela terra ou pelo mar, 

Sou mulher no meu eterno.

 

Neste silêncio ergo a voz

Que sempre quiseram calar

Contra a desigualdade feroz

Nasci para contra ela marchar.

2019 foi o ano que escolhi para ler Sophia de Mello Breyner
Visitem o mundo encantado de Sophia
Em 2020 irei ler Jorge de Sena
Venham dar uma volta ao mundo
A Miss X aceitou o Desafio de Escrita dos Pássaros pela 2.ª vez!
Já começou a viagem pelo mundo da Gata Borralheira.
Cinema e literatura num só.
Venham também!
bookini_inverno.png
A imprensa comentada no final de cada mês na Operação Bookini
Espreitem as bookinices

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