Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Livrologia

Livrologia

29
Mar21

Quem quiser iniciar-se na escrita deve começar por escrever poemas

poetry.png

Tal como todas as outras artes, a poesia tem a sua técnica. Claro que qualquer um pode escrever algumas linhas e chamá-lo de poema, mas um poema é muito mais que algumas linhas.

Aliás, quem quiser iniciar-se na escrita deve começar por escrever poemas.

E porquê?

Num poema tem de caber muito com poucas palavras. Não há melhor exercício para a prática da escrita do que concentrar em poucas linhas histórias, paisagens, emoções. Um poema não permite excessos, palavras aprisionadas, nós por desatar. Metaforicamente permite, mas isso serão outros instantes da minha estante.

Para escrever poesia há que escutar e não inventar.

E nas intermitências do cantar e do conversar escreve-se um poema.

28
Mar21

O que é, afinal, a poesia?

poetry.png

Longe de mim tentar definir uma arte como a poesia. Aliás, as definições são o que são: inevitáveis. 

E se ainda assim insistirmos em defini-la, podemos sempre questionar directamente o poeta. Teremos tantas respostas, quantos poetas que a escrevem.

E se questionarmos os leitores, iremos obter as sensações que a poesia lhes provoca e raramente uma definição.

E se viajarmos no tempo, percebemos que os gregos serviram-se também da forma poética para registar eventos históricos.

O que é, afinal, a poesia?

A resposta mais exacta e precisa surgiu quando menos a esperava. Não me recordo da sua autoria, mas é a definição perfeita para quem, como eu, não gosta de definições:

A Poesia é a história da alma humana.

21
Mar21

Poesia, como a leio

poetry.png

Quero acreditar que não é por acaso que o Dia Mundial da Poesia se celebre em plena Primavera. É a mais ilusiva, a mais ambígua das artes escritas, que sempre renasce por mais séculos que por ela passem. Confunde e enlouquece, mas também ilumina e toca quem a lê.

Para verdadeiramente a apreciarmos há que nos deixarmos cair num estado de anarquia, abolir as regras do entendimento narrativo, ler sem rédeas e sentir. Apenas sentir e nada mais.

A cada verso os sentidos aparecem, diferentes para quem os lê e para quem os escreveu. E se não fizer sentido ainda melhor.

Podemos saltar páginas, explorar os confins da última e regressar à primeira, sem que o delicado equilíbrio da leitura se quebre.

Um livro de poesia é interminável e não, não podemos ser levianos ao ponto de dizer que o lemos. A cada nova leitura surgirá um novo livro, sendo ele o mesmo. Os poemas ganharão novos significados ou talvez nenhuns. A poesia metamorfoseia-se a cada nova leitura, organicamente transformando-se num novo ser vivo. 

Tal e qual como a Primavera.

21
Mar21

Madrigal

Se vieres, poesia,

a mim ter comigo,

em mim não encontras

o teu velho amigo.

 

Mal onde procures,

já estive, não estou:

e mesmo que queiras

que eu parta: não vou.

 

Que a vida que tenho,

se o mundo a levar,

ainda é com ela

que esperas durar.

Pedra Filosofal (1950)

in Poesia I de Jorge de Sena

20
Mar21

Poetry has a power that has no match

Arranged in words, coloured with images, struck with the right meter, poetry has a power that has no match. This is the power to shake us from everyday life and the power to remind us of the beauty that surrounds us and of the resilience of the human spirit.

—  Audrey Azoulay, UNESCO Director-General, on the occasion of 2020 World Poetry Day

20
Mar21

Poesia, a minha companheira

poetry.pngAmanhã é o Dia Mundial da Poesia e tem sido ela a minha companheira, sempre ao meu lado, especialmente desde que a pandemia começou: Cecília Meireles, Mário de Andrade, Vinicius de Moraes, Jorge de Sena.

A poesia tem sido a arte perfeita para os dias que, de tão cinzentos, escondem o horizonte e o que está para além dele. As suas palavras têm uma precisão absoluta e bastam poucas para dizer tudo. Tão perfeita que é capaz de se transmutar em imagem ou em música.

Um poema é tão pequeno, mas capaz de albergar uma alma inteira de emoções que nem chegam a ser palavras, mas humanidade na sua forma mais pura. É orgânico, mutável, sensível. Não morre, transforma-se, como tudo na natureza.

Quanto mais leio, menos sei

O autor português de 2021 é Jorge de Sena
Preparem-se para dar a volta ao vosso mundo
A autora portuguesa em destaque de 2019/2020 foi Sophia de Mello Breyner Andresen
Visitem o seu mundo encantado
Tudo o que escrevi para o Desafio de Escrita dos Pássaros está aqui!
Tudo o que escrevi para Os Desafios da Abelha está aqui!
Já começou a viagem pelo mundo da Gata Borralheira.
Cinema e literatura num só.
Venham também!
bookinices_spring.png
A imprensa comentada no final de cada mês na Operação Bookini
Espreitem as bookinices
A autora deste blog não adopta o novo Acordo Ortográfico.

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

O que leio, capa a capa

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2015
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2014
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D

Estante

no fundo da estante