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Livrologia

Livrologia

23
Abr22

Carta de amor ao livro

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Querido livro,

Desde o primeiro momento que te vi foi amor à primeira vista. Soube nesse momento que seria um daqueles amores intemporais e inesquecíveis.

Mal eu sabia que não só irias mudar a minha vida, mas também salvá-la. Sou uma pessoa melhor contigo.

Compreendes-me melhor que ninguém e é contigo que tenho as melhores conversas.

Contigo a existência tem tido outro encanto e desespero quando estás ausente. 

Sei que tu e eu vivemos num paradoxo - quanto mais te leio, menos te conheço -, mas para mim é o melhor dos paradoxos existenciais.

Tornaste-te na minha missão e desde que aprendi a ler que liberto livros encarcerados nas estantes.

Amar-te tem sido uma experiência humana incalculável.

Para sempre tua,

Miss X

24
Abr21

Dia Mundial do Livro, a leitura como forma de rebeli√£o

manguel.jpg

N√£o escrevi ontem sobre o Dia Mundial do Livro, porque fui comemor√°-lo, saindo do ref√ļgio das suas p√°ginas, com encontro virtual marcado com um deles: Uma Hist√≥ria da Leitura de Alberto Manguel.

Manguel, um dos grandes bibliófilos do nosso tempo, dedicou a sua vida à leitura e ao livro.

A sua pátria, diz, é a sua própria biblioteca, que construiu ao longo dos anos e que conta já com 40 mil volumes, que decidiu doar a Lisboa, ao abrigo do projecto Centro de Estudos de História da Leitura.

O Conselho Honorário do centro irá integrar escritores como Olga Tokarczuk, Salman Rushdie, Margaret Atwood, Tolentino de Mendonça e Chico Buarque.

Muitas vezes, senti que a minha biblioteca explicava quem eu era, me conferia um eu sempre em mudança, que se transformava constantemente ao longo dos anos.

Um grande defensor do livro e da leitura, Manguel revela:

Na história da escrita, os leitores nunca foram a maioria, sempre foram a elite, mas é uma elite à qual todos podem pertencer, é como um clube elitista, mas com as portas abertas.

A luta pela liberdade não se faz apenas com um cravo nas mãos, reside no não conformismo e um dos meios para o praticar é através da leitura:

Se conseguirmos dizer-lhes que a melhor forma de rebelião está na sua inteligência, que a leitura é a forma mais efetiva de subversão, quem sabe podemos conseguir algo.

Se a esses leitores em pot√™ncia se inculca desde muito cedo n√£o confiar na sua intelig√™ncia, n√£o deixar que a sua imagina√ß√£o se exercite, seguir as restri√ß√Ķes dos sistemas educativos, que atualmente s√£o campos de treino para o escrit√≥rio e a f√°brica, gradualmente tornamo-nos seres que n√£o refletem, porque os valores da reflex√£o e da leitura s√£o o dif√≠cil.

23
Abr20

Um mau livro significa a perda de uma boa floresta

√Č poss√≠vel imaginar que os bons livros, mesmo se fechados, ainda roguem pragas. As √©pocas que os ignoram acabam por se p√īr a si mesmas de castigo, sofrer duras penas. O que √©, de resto, bem merecido. Nada t√£o severo como o serem avassaladas por populismos, derivas de prepot√™ncia autorit√°ria e imbecil, essas formas de histeria que dominam os √≠mpetos colectivos e que trazem consigo o fedor caracter√≠stico da ignor√Ęncia. Mas como n√£o lamentar a forma como os deixam para ali, amargurados nas estantes, sentindo a comich√£o das ideias, as letras apertando como parafusos, mundos condensados em impress√Ķes dessas que poderiam beliscar-nos, ajudar nos per√≠odos de vig√≠lia, sacudindo o p√≥ do t√©dio, espregui√ßando os nervos.

Borges, de algum modo, nunca fez outra coisa¬†que trautear uma harmonia vigilante¬†enquanto percorria o corredor labir√≠ntico de uma biblioteca, ladeado de estantes que se elevavam unindo idiomas √†s mais extensas regi√Ķes. ‚ÄúEstes caminhos foram ecos e passos,/ mulheres, homens, agonias, ressurrei√ß√Ķes,/ dias e noites,/ fantasias e sonhos,/ cada √≠nfimo instante de ontem/ e dos ontens do mundo,/ a firme espada do dinamarqu√™s e a lua do persa,/ os actos dos mortos,/ o amor compartilhado, as palavras‚ÄĚ...

S√£o as palavras laboriosas e √°speras que de ‚Äúuma boca em p√≥ tornada‚ÄĚ encontram um ritmo certo e penetrante para nos fazer entrar por algum lado na infinita trama urdida dos efeitos e das causas, esse espelho em que nos vemos outro, outros, o segredo da metamorfose literal.

Se há um provérbio que nos diz que um mau livro significa a perda de uma boa floresta, um livro enlouquecido com a sua canção quase escarnece da nossa mortalidade. E por instantes dá-nos a sensação de termos bebido um gole de uma lucidez que rejuvenesce de tal modo os sentidos que parece que antes nem éramos nascidos.

Um bom livro d√° vida com cada incidente, cada virar de p√°gina, expondo-nos √† sua cadeia de efeitos, ao seu perp√©tuo susto. Sem os livros n√£o estamos menos perdidos, mas n√£o fazemos sequer ideia disso. Eles servem, n√£o para resolver os problemas por n√≥s, n√£o para nos entregar de m√£o beijada as solu√ß√Ķes, mas para nos manter num estado permanente de alerta, numa prontid√£o absoluta para agirmos ou reagirmos de forma verdadeiramente criativa e engenhosa.

E √© bom come√ßar por a√≠, por reconhecer como estamos a viver um desses momentos em que √© imperativo abandonar a atitude de sujei√ß√£o, n√£o embarcar em del√≠rios nem se deixar paralisar pelo medo. Desde logo porque, como notou Brecht, o fascismo quando aparece tem o travo adocicado e quente de uma bebida reconfortante: ‚Äúpara quem est√° enregelado at√© aos ossos, um gole r√°pido poder√° parecer um bom rem√©dio‚ÄĚ...¬†

 

in¬†ReLI. O v√≠rus j√° fez cair as divis√Ķes tribais entre as livrarias independentes por Diogo Vaz Pinto

@ Jornal i

Quanto mais leio, menos sei

O autor português de 2021/2022 é Jorge de Sena
Preparem-se para dar a volta ao vosso mundo
A autora portuguesa em destaque de 2019/2020 foi Sophia de Mello Breyner Andresen
Visitem o seu mundo encantado
Tudo o que escrevi para o Desafio de Escrita dos P√°ssaros est√° aqui!
Tudo o que escrevi para Os Desafios da Abelha est√° aqui!
Já começou a viagem pelo mundo da Gata Borralheira.
Cinema e literatura num só.
Venham também!
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A imprensa comentada no final de cada mês na Operação Bookini
Espreitem as bookinices
A autora deste blog n√£o adopta o novo Acordo Ortogr√°fico.

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