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Livrologia

by Miss X

Livrologia

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06
Jan19

Thomas Stearns Eliot | A Terra sem Vida

O que transcrevo aqui são as palavras que melhor descrevem por onde esta leitura me levou:

The Waste Land [A Terra sem Vida] é uma terra onde não existe água e onde não existe amor. No quinto e último andamento, já depois de atingida a capela, uma rajada húmida anuncia a chuva, e nas palavras do trovão, Datta, Dayadhvam, Damyata, que significam em sânscrito «dá, condói-te, controla», parece encontrar-se o caminho para «a Paz que ultrapassa o entendimento», shantih. É repetindo três vezes esta bênção sânscrita, à maneira de uma Upanishad, que o poema termina lentamente.

 

Se Ulysses, a admirável obra de James Joyce, oferece em mais de setecentas páginas uma visão do homem e do mundo, em que o passado e o presente se interpenetram, The Waste Land [A Terra sem Vida], o mais famoso dos poemas modernos, consegue em apenas 433 versos transmitir uma idêntica visão. Só a grande Poesia permite uma tal síntese.

in Introdução de Maria Amélia Neto a A Terra sem Vida de T.S. Eliot

06
Dez18

William Faulkner| Primeiro Dia de Maio

Há uma certa ironia nesta busca de Sir Galwyn pela mulher que irá arrancar dele o derradeiro «suspiro de um apaixonado», quando no seu caminho apenas encontra mulheres inumanas, inatingíveis, causadoras de suspiros, sim, mas de enfado mundano.

É de uma nobreza trágica e bela, a sua escolha final: a mais elevada e pura das mulheres.

29
Nov18

William Somerset Maugham| O Fio da Navalha

The sharp edge of a razor is difficult to pass over; 
thus the wise say the path to Salvation is hard.

--Katha-Upanishad

 

Esta citação encontra-se em algumas das edições d'O Fio da Navalha (não na edição que li), uma tradução de um texto Vedanta, o Katha-Upanishad, uma história religiosa hindu que conta a busca de Brahman pela Iluminação.

O Fio da Navalha, não se restringe somente à busca pela fé. Enlaça-a numa visão satírica da alta sociedade, entrelaçando várias histórias, como se fossem estranhos entre si, na intimidade da mesma busca. A busca por um sentido, mas encontrando vários.

14
Nov18

William Somerset Maugham| A Lua e Cinco Tostões


As pessoas dizem-me que é um bom título, mas que não sabem o que quer dizer.

Quer dizer isto: desejar a Lua e ignorar a moeda que está caída aos nossos pés.

Somerset Maugham, a propósito deste seu livro 


Inicialmente estranho, este livro entranha-se-nos, não nos deixando um minuto que seja de paz, enquanto não lhes desvendarmos todas as páginas. Páginas essas que se debruçam sobre a genialidade de um pintor, insensível ao contacto humano, vivendo a vida num egoísmo exacerbado, numa busca constante pela pureza que quer transformar em arte. Um pintor cuja genialidade não consegue conformar-se a uma vida comum e convencional e que Maugham descreve com um certo cinismo: nenhum ideal artístico, por mais puro e apaixonado, sobrevive à fome e à doença do seu criador.

Mais do que um romance, A Lua e Cinco Tostões é uma ode às forças poderosas e incontroláveis que existem por detrás da criação artística, "a alma torturada e negligentemente cruel de Strickland simboliza aquilo que é, simultaneamente, a benção e a maldição do génio criativo. Uma crítica mordaz da moral eduardiana e um retrato fulgurante da psicologia do génio"*.

*Excerto da contracapa d'A Lua e Cinco Tostões, Edições Asa