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Livrologia

by Miss X

Livrologia

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22
Set18

William Somerset Maugham| Liza of Lambeth

Maugham começou a trabalhar em Liza of Lambeth no Verão de 1896.

O trabalho que mantinha na obstetrícia in Lambeth permitiu-lhe ter uma visão abrangente da vida de Lambeth que conseguiu transcrever de forma vívida para as personagens do livro.

Quando o livro foi publicado as pessoas ficaram chocadas. O ambiente da classe trabalhadora, as questões sociais sobre as quais ninguém falava mereceram-lhe o reconhecimento de um novo estilo arrojado.

O realismo social da sua escrita coloca Liza Kemp a viver uma vida que à época não era descrita em obras literárias. O seu dia-a-dia de trabalho na fábrica, a co-habitação com a mãe alcoólica, as mulheres que vivam sob o jugo da violência doméstica e da desigualdade.

A primeira edição do livro vendeu-se em semanas, o que levou Maugham a abandonar a medicina para se dedicar integralmente à escrita.

 A leitura do livro fez-me percorrer as ruas de Londres e a vida de Liza nas suas quatro estações. Da alegria primaveril e espontânea da sua meninice, à neve invernosa que lhe cai sobre os cabelos quando a vida a abandona.

24
Ago18

William Faulkner| Aquele Sol Poente

Jefferson, o local de Aquele Sol Poente está dividido pela raça, como um muro invisível, inamovível.

Nancy, a mulher negra que se alimenta do medo pelo fado da morte, pelo fado de não poder escolher a cor da pele.

Os poderosos brancos têm até a liberdade de culpar sempre os outros, mas aos negros resta-lhes culparem-se a si próprios indefinidamente. Parece-me que é essa a essência dos blues, de St. Louis Blues:

I hate to see that evening sun go down

 

O sol a ir-se embora, como o destino de Nancy: o abandono a uma só cor, a cor errada.

20
Ago18

Fiódor Dostoiévski| O Sonho de um Homem Ridículo

Sou um homem ridículo. Agora já quase me têm por louco. O que significaria ter ganho em consideração, se não continuasse sendo um homem ridículo. Mas eu já não me aborreço por causa disso, agora já não guardo rancor a ninguém e gosto de toda a gente, ainda que se riam de mim.

in O Sonho de um Homem Ridículo-Fiódor Dostoiévski

 

Descobrir com o sonho deste homem ridículo que a autocomiseração é a forma mais covarde de viver.

 

Percebe-se então por que este homem está desesperado. Ele não compreendeu a importância da primeira parte do mandamento. Para ele, a solução do mundo depende, única e exclusivamente, do homem. No final do texto ele afirma que a causa de todos os problemas é o facto de que os homens colocam o conhecimento da vida acima da própria vida; o conhecimento da lei da felicidade acima da própria felicidade. Bastaria, portanto, que os homens se preocupassem em aprender a amar, e não em aprender sobre o amor.

O sonho de um homem ridículo é classificado como um “conto fantástico”, ou seja, só existe na imaginação. Mas, finda a sua leitura, fico com a impressão de que há muitos homens ridículos neste mundo, e me parece que eu mesmo sou um deles.

in Catálise Crítica