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Livrologia

Livrologia

04
Abr21

Jorge de Sena| Perseguição

Terminei o cap√≠tulo da Poesia I onde constam os poemas seleccionados de Persegui√ß√£o, o primeiro livro de poemas de Jorge de Sena,¬†pago por Ruy Cinatti e Tomaz Kim, e impresso na tipografia Atl√Ęntida, de Coimbra, gra√ßas ao papel oferecido por Jo√£o Alves Gomes dos Santos. Passou quase despercebido e foi¬†considerado, na altura, revelador mas dif√≠cil, mas nada melhor do que ler as palavras de Sena sobre o seu pr√≥prio livro:

Quanto à 'Perseguição', os poemas pequenos sofrem, digamos, de um certo hermetismo, ou melhor, concentração verso a verso; os grandes, pelo contrário, mesmo quando se espraiam em associativas imagens, são harmónicos, e a arquitectura, bem patente, dá-lhes firmeza, ainda que essa firmeza diga respeito ao visível.

08
Mar21

Jorge de Sena| Raz√£o do Pai Natal ter as Barbas Brancas

Publicado em 28 de Dezembro de 1944, estreia absoluta de Jorge de Sena na ficção, Razão do Pai Natal ter Barbas Brancas é um conto cheio de humor e de ingenuidade, em que o menino Jesus narra como escapou aos ardis do demónio, porque há brinquedos e brinquedos e há que saber distingui-los:

Por tudo isto é que o Natal é pai e tem barbas brancas, para se distinguir do outro, que traz brinquedos do inferno, brinquedos que, como os meninos também sabem, são feitos neste mundo, tal qual como os outros brinquedos.

 

26
Fev21

Aleksandr Pushkin | O Negro de Pedro o Grande

Apesar de inacabada esta história tem um valor incalculável, não só pelo retrato histórico da sociedade russa, mas também pelo seu carácter biográfico.

Belinsky, um dos mais influentes críticos literários, comentou que:

Se este romance tivesse sido concluído, teríamos um romance histórico supremo, retratando as maneiras e os costumes da maior época da história russa.
11
Fev21

Aleksandr Pushkin | A Filha do Capit√£o

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A Filha do Capit√£o de Pushkin √© mais do que um retrato hist√≥rico de uma rebeli√£o pela justi√ßa e igualdade. √Č um retrato psicol√≥gico de quem nela participou: o que sentiam os lados opostos, o que defendiam e as ac√ß√Ķes sempre justific√°veis quando se acredita numa causa.

√Č tamb√©m o retrato dos tempos de outrora, da maldade e do amor, do engano e da honestidade, do √≥dio e da generosidade.

29
Jan21

Mário de Andrade | A Escrava que não é Isaura

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Mantenho o que tinha escrito anteriormente: A escrava que n√£o √© Isaura¬†n√£o √© um livro pejado de tecnicismos incompreens√≠veis e aborrecidos, muito pelo contr√°rio est√° cheio de reflex√Ķes inestim√°veis sobre a poesia e a sua evolu√ß√£o. E h√° reflex√Ķes que s√£o verdadeira poesia, apesar de n√£o estarem em verso.

Reflex√Ķes que lan√ßam d√ļvidas e n√£o certezas, porque √© delas a base do processo criador. √Č da incerteza que nascem as possibilidades m√ļltiplas ad infinitum de que a arte √© feita. √Č de incertezas que √© feito este livro, como o pr√≥prio autor revela:

Cansei-me de ideias e ideais terrestres. N√£o me incomoda mais a exist√™ncia dos tolos e c√° muito em segredo, rapazes, acho que um poeta modernista e um parnasiano todos nos equivalemos e equiparamos. Ao menos porque estas lutas e mil e uma estesias por uma arte humana s√≥ provam uma coisa. √Č que n√≥s tamb√©m os poetas nos distinguimos pela mesma caracter√≠stica dominante da esp√©cie humana, a imbecilidade. Pois n√£o √© que temos a convic√ß√£o de que existem Verdades sobre a Terra quando cada qual v√™ as coisas de seu jeito e as recria numa realidade subjetiva individual!!...

11
Dez20

Isabel Nery | Sophia de Mello Breyner Andresen

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Não sou uma grande apreciadora de biografias, a não ser que o biografado me interesse tanto que não consiga ignorá-lo. Foi o caso de Sophia de Mello Breyner Andresen de Isabel Nery.

Isabel Nery, jornalista, estreou-se no género biografia com este livro que considero inestimável, não só pela exactidão dos factos da vida da poeta, mas também pelo excelente contexto histórico dos anos ditatoriais da época em que Sophia viveu. 

Muito bem escrito, com detalhes deliciosos de Sophia, cada página mais interessante que a anterior, em que li sem parar, muitas vezes pela noite fora, Isabel Nery consegue trazer-nos Sophia ao mais profundo do seu íntimo, sem desvendar o mistério da sua genialidade.

Em entrevista, Isabel Nery confessou a aventura em que se tornou a escrita deste livro:

Foi uma bela aventura, que me levou até à Grécia, ao Algarve, à Granja e ao Porto, mas também a ouvir cerca de 60 testemunhos.

Desde alguma fam√≠lia, grandes amigos, como Manuel Alegre e Gra√ßa Morais, at√© tradutores e especialistas na obra, assim como o pescador Jos√© Muchacho ou empregados dos restaurantes que Sophia frequentava. Ou ainda historiadores da ilha de F√∂hr (antes Dinamarca, hoje Alemanha) de onde o bisav√ī de Sophia, Jan Andresen, veio para Portugal.

Foi um trabalho profundo, de investiga√ß√£o, por isso, a somar ao que j√° referi, pesquisei arquivos, como os da PIDE, na Torre do Tombo, ou os arquivos da Presid√™ncia da Rep√ļblica, o esp√≥lio da Biblioteca Nacional, assim como artigos de jornal e textos escritos sobre Sophia. O objetivo era chegar a uma vis√£o o mais abrangente poss√≠vel da autora, que me permitisse revelar uma Sophia completa, nas suas diferentes facetas (crian√ßa, mulher, m√£e, amiga, poeta, pol√≠tica).

in www.jornaltornado.pt

10
Dez20

Vinicius de Moraes | O Caminho para a Dist√Ęncia

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Neste primeiro livro de Vinicius encontramos a ingenuidade dos primeiros poemas.

O caminho que o poeta escolheu foi o da "poesia do esp√≠rito", versejando sobre dilemas metaf√≠sicos e m√≠sticos, procurando alcan√ßar a sua dist√Ęncia.

Desconhece-se o porquê, mas Vinicius anos mais tarde viria a renegar quase todos estes poemas nas futuras antologias da sua poesia:

O Vinicius mandou-me um grande catatau para ser editado sob as minhas vistas. Toda a poesia at√© agora dele, exclu√≠dos os poemas que ele hoje renega (quase todos os de¬†O Caminho para a Dist√Ęncia¬†e muitos de¬†Forma e Exegese).

in Carta de Manuel Bandeira a Jo√£o Cabral de Melo Neto

26
Nov20

M√°rio de Andrade | H√° uma Gota de Sangue em cada Poema

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Neste primeiro livro de Mário de Andrade há guerra e devastação. Não encontrei eufemismos que pudessem suavizar estes poemas cheios de sangue, desumanamente derramado.

Quando entramos neste templo liter√°rio, logo nas primeiras p√°ginas, o poeta pede para n√£o prosseguirmos caminho, n√£o sem antes ouvirmos a sua explica√ß√£o, as raz√Ķes que o levaram a escrever e a publicar este livro:

 

O autor crê necessária esta pequena explicação. Estes poemas foram compostos todos em Abril; e desde logo o autor quis dar-lhes a vitalidade de livro - antes de ter o desvairo dos idólatras atingido o nosso Brasil.
Hoje não há mais o ontem em que fomos espectadores. Hoje também os versos seriam muito outros e mostrariam um coração que sangra e estua.
O autor nunca foi aliado. Chorava pela França que o educara e pela Bélgica que se impusera a admiração do universo. E permitia a cada um sua opinião... Agora, porém, ele se envergonha pelos brasileiros que, tendo sido germanófilos um dia, mesmo após o insulto, continuaram de o ser.
Nem todas as nuvens de todos os tempos, reunidas em nosso céu, propagariam uma treva igual à que lhes solapa a inteligência e o infeliz amor da pátria.

A leitura em todo o lado

O autor português de 2021 é Jorge de Sena
Preparem-se para dar a volta ao vosso mundo
A autora portuguesa em destaque de 2019/2020 foi Sophia de Mello Breyner Andresen
Visitem o seu mundo encantado
Tudo o que escrevi para o Desafio de Escrita dos P√°ssaros est√° aqui!
Tudo o que escrevi para Os Desafios da Abelha est√° aqui!
Já começou a viagem pelo mundo da Gata Borralheira.
Cinema e literatura num só.
Venham também!
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A imprensa comentada no final de cada mês na Operação Bookini
Espreitem as bookinices
A autora deste blog n√£o adopta o novo Acordo Ortogr√°fico.

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