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Livrologia

Livrologia

27
Jun22

Liberdade, liberdade, tem cuidado que te matam

Da pris√£o negra em que estavas

a porta abriu-se p'ra rua.

J√° sem algemas escravas,

igual à cor que sonhavas,

vais vestida de estar nua.

 

Liberdade, liberdade,

tem cuidado que te matam.

Excerto do poema Cantiga de Maio

Poemas "Políticos e afins" (1972-1977)

in 40 Anos de Servidão de Jorge de Sena

27
Jun22

Qual a cor da liberdade?

Qual a cor da liberdade?

√Č verde, verde e vermelha.

 

Quase, quase cinquenta anos

reinaram neste país,

a conta de tantos danos,

de tantos crimes e enganos,

chegava até à raiz.

 

Qual a cor da liberdade?

√Č verde, verde e vermelha.

 

Tantos morreram sem ver

o dia do despertar!

Tantos sem poder saber

com que letras escrever,

com que palavras gritar!

 

Qual a cor da liberdade?

√Č verde, verde e vermelha.

 

Excerto do poema Cantiga de Abril

Poemas "Políticos e afins" (1972-1977)

in 40 Anos de Servidão de Jorge de Sena

25
Jun22

Desde quando se considerou que um curso superior de letras  tenha relação necessária com uma carreira de escritor?

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√Ä sua ¬ęcarreira liter√°ria¬Ľ (passe a express√£o)¬† como √† sua carreira docente, parece que n√£o fez falta um curso superior de letras. Acha que, pelo contr√°rio, lhe tem sido √ļtil o curso de Engenharia?

 

Desde quando se considerou que um curso superior de letras  tenha relação necessária com uma carreira de escritor?

Um curso superior de letras apenas autoriza as pessoas a serem professoras do ensino secundário, a menos que, por títulos e por provas, ascendam a professores universitários, não é verdade?

 

Excerto da entrevista O Tempo e o Modo, Lisboa, n.¬ļ 59, Abril de 1968

in Entrevistas 1958-1978, edição de Mécia de Sena e Jorge Fazenda Lourenço

25
Jun22

E agora, povo português?

Nunca pensei viver para ver isto:

a liberdade - (e as promessas de liberdade)

restauradas. N√£o, na verdade, eu n√£o pensava

- no negro desespero sem esperança viva - 

que isto acontecesse realmente. Aconteceu.

E agora, meu general?

 

Tantos morreram de opress√£o ou de amargura,

tantos se exilaram ou foram exilados,

tantos viveram um dia-a-dia cínico e magoado,

tantos se calaram, tantos deixaram de escrever,

tantos desaprenderam que a liberdade existe - 

E agora, povo português?

 

Excerto do poema¬†¬ęNunca pensei viver...¬Ľ

Poemas "Políticos e afins" (1972-1977)

in 40 Anos de Servidão de Jorge de Sena

25
Jun22

Os calend√°rios mudam, s√£o diversos

Os calend√°rios mudam, s√£o diversos,

povos contaram o tempo de outra maneira,

mas mais curtos ou mais longos desde sempre,

os anos passam. Como medida em que os dias

morrem agrupados numa série que mais longa

morre. Por eles e com eles somos geração

uma após outra que desaparecem. Alguns ficam

na memória, nos museus, ou transformados

em ideias, sonhos, pesadelos, as imagens

do que fomos ou n√£o, quisemos ser ou n√£o.

Os anos passam. Este, como os outros,

est√° j√° nos √ļltimos minutos que t√£o longamente

se n√£o contaram quanto agora contam.

Foi como os outros sempre um ano triste

de mortes e massacres, insensatos crimes,

trai√ß√Ķes e mesquinhez, maldade e vis paix√Ķes,

e algumas guerras encobertas, exilados,

e foragidos, gente espoliada, tudo

o que sempre se fez na humanidade que

existe em nós maligna além aquém de quanto

às vezes nos faz grandes: um gesto, amor,

a m√ļsica, e a bondade, as artes, toda a f√©

seja em que for de puro e de profundo,

num só que se dedica, em todos que no dia

a dia v√£o perdendo o tempo que lhes resta.

 

Excerto do poema¬†¬ęOs calend√°rios mudam...¬Ľ

VIII (1974-1975)

in 40 Anos de Servidão de Jorge de Sena

23
Jun22

Antes de mais preocupa-me o estado de cansaço em que dizes estar

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Meu amor
Esta carta tua de 25 deixou-me verdadeiramente perplexa e estonteada.

Antes de mais preocupa-me o estado de cansaço em que dizes estar. Isso não pode ser Jorge.

Como vais enfrentar depois cá um ano inteiro ou começar vida aí, se as coisas para isso se proporcionam?

Estou aflitíssima, meu querido Jorge. (...)

Mécia

in¬†Correspond√™ncia Jorge de Sena e M√©cia de Sena ¬ęVita Nuova¬Ľ¬†(Brasil, 1959-1965)

com organização de Maria Otília Pereira Lage

23
Jun22

Jorge de Sena | Os Gr√£o-Capit√£es

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São nove os contos de vidas que se tornam no símbolo de uma experiência coletiva que o autor presenciou ao deambular pelo mundo e no ficar num país ensombrado pela ditadura salazarista: 

 

Escrevi estes contos, em 1961-62, na atmosfera de um Brasil livre, aonde me exilara em 1959; e escrevi-os sem p√īr peias de nenhuma esp√©cie a toda a amargura da vida que, em Portugal, a mim como a todos havia sido dada. [‚Ķ] Pelas datas fict√≠cias que na portada de cada conto v√£o inscritas, a ac√ß√£o deles cobre um quarto de s√©culo de 1928 a 1953. E √© como cr√≥nica amarga e violenta dessa era de decomposi√ß√£o do mundo ocidental e desse tempo de uma tirania que castrava Portugal, que eles agora, uma d√ļzia de anos depois de escritos, devem ser lidos.

~Jorge de Sena~

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