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Livrologia

by Miss X

Livrologia

by Miss X

08
Dez18

O que têm em comum os casamentos e os livros?

Casar à primeira vista é como começar a ler um livro sobre o qual não temos a mínima ideia do que fala. Podem acontecer várias situações:

 

- olhamos para a capa e para a sinopse, não nos diz nada e, na primeira oportunidade, oferecemos a alguém;

- começamos a ler, não nos desperta interesse e pomos de lado, para nunca mais lhe tocarmos;

- não parece muito entusiasmante no início, mas a determinada altura até engrenamos, e a leitura passa a ser fluída e interessante;

- naquele momento não é bem o que nos apetecia, e fica em standby na prateleira, enquanto lemos outros;

- ficamos logo presos, adoramos, e já não largamos mais.

 

 

Já se casamos pelo método tradicional, é sinal de que, pelo menos a julgar por aquelas primeiras páginas que lemos, iremos gostar do que aí vem, mas pode ocorrer um destes cenários:

 

- pode-nos parecer uma coisa e, afinal, a história ser completamente diferente;

- começa bem e parece ser o livro perfeito mas, a determinada altura, ficamos desapontados com o rumo da história;

- até nos agradou bastante em determinada altura da nossa vida mas, entretanto, os nossos interesses mudaram, e já não nos diz nada;

- como todas as grandes histórias, foi bom enquanto durou, mas chegou ao fim;

- lemos uma, e outra, e outra vez, ao longo da nossa vida, nunca nos cansamos e temos sempre o mesmo sentimento de cada vez que o lemos.

 

Marta Segão @ Marta - O meu Canto

06
Dez18

O livro é uma prenda de Natal perigosamente infectada de passado

A Guerra e Paz editores não se atreveria a sugerir que no Natal se oferecessem esses anacrónicos objectos chamados livros. É uma tecnologia antiga e as pessoas que entram em contacto com ela arriscam-se a sofrer emoções fortes. As autoridades têm feito todos os esforços para erradicar pessoas atingidas por esses artefactos do passado, mas infelizmente ainda é possível verem-se vítimas agarradas a esses pedaços de folhas revestidos por uma capa rindo-se perdidamente, chorando copiosamente, enternecendo-se sem a desculpa de nenhum advérbio de modo.

 

Mas, por se saber que há ainda uma comunidade significativa de sinistrados, e sucedendo-nos ter recebido cerca de cem e-mails (não estamos a contar sms, nem tuíteres) a pedir conselhos na escolha de livros da Guerra e Paz para oferecer no Natal, somos forçados a meter-nos na máquina do tempo. Só não sabemos se estamos a viajar em direcção ao passado ou ao futuro.

 

Manuel S. Fonseca @ Página Negra

19
Nov18

Tertúlia num café de Ponta Delgada

"Não acho que a literatura seja a afirmação da volúpia — ela é em si a volúpia, o prazer", diz Leonardo Sousa. Para o escritor de 25 anos, é difícil "a ideia de prazer sem o sentido", sentido biológico: o cheiro, o toque, o sabor. Por isso, a obra de um autor que se refugie só na experiência imaginada e não na vida experimentada, está só a montar uma cama de técnicas e pormenores inventados.

"Não acredito muito na ideia de alteridade", do escritor que se faz outro, que separa a sua ficção da realidade que tem. "Quando escrevo não posso escrever como alguém de setenta anos", diz Leonardo.

Já antes, Osório tinha dito que "cada pessoa que escreve carrega em si a sua história". E há uma "contaminação da ficção pela realidade", todavia também "uma contaminação da realidade pela ficção". O homem que escreve e o homem que é misturam-se e dissimulam-se. Anulam-se as margens de um do outro. Eu que deixo de ser eu para ser outro, vivendo pilar intermédio dalguma coisa.

Ler mais in 24 Sapo

15
Nov18

Que tipo de psicopata rasga uma página a um livro?

Andrew Davidson’s beautiful autumnal illustration for the Wall Street Journal

Imagem www.pinterest.pt

 

Este acto de rasgar uma página a um livro encheu-me de nojo e revolta.

Como é possível ser tão insensível?

Que tipo de psicopata rasga uma página a um livro?

A maneira correcta de tratar um livro é pegar nele com cuidado, levar ao nariz para apreciar o aroma, e depois fazer uma festinha, sorrir, e abrir gentilmente. É muito fácil, não é preciso ir à universidade para aprender. Eu sabia fazer isto antes sequer de saber meter os sapatos nos pés correctamente e, se eu consigo, toda a gente consegue.

in Destreza das Dúvidas