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Livrologia

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11
Out20

A glória literária sinaliza uma falha na obra

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@ Magg

Parecia certo que este seria o ano da 16.ª mulher a ganhar o Nobel da Literatura, mas apesar de ser uma das poetas mais populares nos EUA, e de ter recebido os principais prémios literários com os 12 livros de poesia que publicou ao longo de 50 anos, Glück sempre se mostrou desconfiada dessa forma de promoção que procura fazer dos escritores celebridades, e mesmo quando, em 2003, foi nomeada poeta laureada, deixou claro que não tinha qualquer interesse em que a sua audiência se multiplicasse”, e que preferia dirigir-se a uma audiência “pequena, intensa e apaixonada”.

Há muito que esta poeta mostrava reservas quanto às grandes honras, a uma visibilidade que muitas vezes destrói a possibilidade de o leitor descobrir uma obra sem se sentir manobrado, e, numa entrevista que deu em 2009, disse: “Quando me dizem que eu tenho um vasto público de leitores, o que penso é: ‘Estou bem tramada, ainda vão fazer de mim um Longfellow’: alguém fácil de entender, fácil de se gostar, o género de experiência diluída que está ao acesso da maioria. Mas eu não quero ser um Longfellow. Tenho pena, as minhas desculpas Henry, mas não quero. Da forma como vejo a glória literária, o que penso é que sinaliza uma falha na obra.”

Ao receber o Nobel, a poeta mostrou-se surpreendida, até atarantada numa entrevista telefónica que foi disponibilizada pela Academia Sueca. Admitiu que era uma grande honra, mas mostrou-se também preocupada com o impacto que a visibilidade possa ter na sua vida e das pessoas que a rodeiam, tendo afirmado que gostaria que a sua intimidade fosse preservada. Reconheceu que uma das primeiras coisas que lhe passou pela cabeça quando soube que tinha ganho o prémio é que ia perder muitos amigos, uma vez que a maior parte deles são escritores.

Quanto ao dinheiro do prémio, às dez mil coroas suecas (cerca de 950 mil euros), diz que poderá finalmente comprar uma casa em Vermont. O Nobel irá multiplicar as traduções da sua poesia e pode ser até que alguma editora portuguesa se aventure a editá-la por cá, não tendo até hoje nenhum dos seus livros merecido tradução para a nossa língua. Mas não é de esperar que a poeta abdique da tranquilidade das suas rotinas e alinhe nesse regime dos escritores que gostam de se pavonear nos festivais literários.

Diogo Vaz Pinto

in Sol

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