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Livrologia

Livrologia

30
Abr20

Posso abrir meu guarda-chuva paradoxal

Mas neste largo do Arouche
posso abrir meu guarda-chuva paradoxal,
este lírico plátano de rendas mar...
Ali em frente... ‚ÄĒ M√°rio, p√Ķe a m√°scara!
‚ÄĒ Tens raz√£o, minha Loucura, tens raz√£o.

 

Excerto do poema¬†Paisagem N.¬ļ 3

Pauliceia Desvairada - M√°rio de Andrade

29
Abr20

Um panfleto político em forma de poema

conversatorio2.png

Um dos poemas mais marcantes de Pauliceia Desvairada é Ode ao Burguês, um poema-caricatura do burguês e uma crítica socialmente acérrima.

Mário de Andrade ridiculariza os burgueses, cujas barrigas crescem na mesma proporção em que os cérebros definham.

O próprio poeta declamou este poema durante a Semana de Arte Moderna de 1922, perante uma plateia que era o alvo dos seus versos:

Eu insulto o burguês!

Mário de Andrade foi vaiado pelos convidados, alguns dos quais tinham contribuído financeiramente para a realização do evento, que não aceitaram a crítica de bom grado. 

O poema foi sentido como uma violenta declaração de ódio à aristocracia e à burguesia de São Paulo, pela sua incapacidade de sonhar e de valorizar a espiritualidade. Aliás, o poema é quase um panfleto político contra a sua obsessão pelas aparências e incapacidade de humanidade.

28
Abr20

Fora os que algarismam os amanh√£s!

Eu insulto o burguês-funesto!
O indigesto feij√£o com toucinho, dono das
tradi√ß√Ķes!
Fora os que algarismam os amanh√£s!
Olha a vida dos nossos setembros!
Far√° sol? Chover√°? Arlequinal!
Mas à chuva dos rosais
o êxtase fará sempre sol!

 

Excerto do poema Ode ao Burguês

Pauliceia Desvairada - M√°rio de Andrade

08
Mar20

As cartas de M√°rio e Manuel

marioandrade2.png

A troca de correspondência entre Mário de Andrade e Manuel Bandeira:

Meu querido Manuel,
Creio nas afinidades eletivas. Sou teu irm√£o desde uma nunca esquecida tarde de domingo, em que num t√°xi o Guilherme disse-me do aparecimento do Carnaval e recitou de cor alguns versos esparsos da tua obra. No dia seguinte procurei o livro.

Quando, para ler a Paulic√©ia na casa do Ronald, exigiu dos amigos tua presen√ßa, n√£o foi porque tivesse a curiosidade de te conhecer fisicamente. Foi para um reconhecimento. Emprego a palavra com a sutileza dos poetas japoneses nos seus haicais. Com todas as significa√ß√Ķes e associa√ß√Ķes que ela desperta. E da√≠ em diante esse relacionamento n√£o cesse de aumentar, florir, frutificar.

Hoje √©s, e n√£o te ofender√°s com a met√°fora, √©s uma propriedade minha. √Čs uma fazenda que eu comprei. Comprei com minha alma. O que prova que n√£o foi propriamente uma aquisi√ß√£o: foi troca. Creio poder passear, de pijama, com a simplicidade desvestida dos meus sentimentos nos carreadouros do meu cafezal. Tenho inteira confian√ßa em ti. Confian√ßa ensilvada de amor e reconhecimento.

22 de maio de 1923
M√°rio de Andrade

 


Meu caro M√°rio,
Ora, desde aquela noite em que nos avistamos em casa do Ronald, tive f√© em ti como cabe√ßa e como cora√ß√£o. Tu √©s j√° uma espl√™ndida realidade para mim. Mas que direi das esperan√ßas que me inspiras? Porque √©s esta coisa extraordin√°ria no Brasil: um poeta com grande for√ßa intuitiva, com s√≥lida cultura e com alta moralidade. Tens aquela profundidade de sentimento que faltou a todos os nossos poetas, salvo talvez Cruz e Souza. √Č entre n√≥s o √ļnico temperamento integralmente e harmoniosamente moderno.

Todos n√≥s outros somos mais ou menos adesistas; assimilamos o pensamento e a t√©cnica moderna, e artistas que sobretudo somos, demos √† nossa arte mais essa maneira de ser. Tu, n√£o. O verso livre moderno √© o teu √ļnico instrumento de express√£o como¬†poeta.

Terias certamente falhado, se tivesses nascido na geração de Bilac. Creio firmemente que estás vivendo a época da tua alma. Eis porque deposito tanta fé em ti.

31 de maio de 1923
Manuel Bandeira
(MORAES, 2000, p. 92-94)

in Mário de Andrade e Manuel Bandeira: um processo de criação compartilhada

de Maria Regina Barcelos Bettiol

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