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Livrologia

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06
Jun24

Em literatura, o português é avesso à introspecção, à análise, à metafísica

Outra das raz√Ķes desse hegemonismo talvez se encontre na caracter√≠stica prefer√™ncia do gosto nacional pelo realismo e pelo naturalismo. Em literatura, o portugu√™s √© avesso √† introspec√ß√£o, √† an√°lise, √† metaf√≠sica.

in A Ressurreição das Florestas (1997) de Natália Nunes

02
Jun24

Natália Nunes | Vénus Turbulenta

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A perturbadora e fascinante vida de Ana Lu√≠sa, uma mulher da alta burguesia lisboeta, narrada com reflex√Ķes, de certa forma cr√≠ticas, por uma amiga pr√≥xima de Ana Lu√≠sa, que a acompanha presencialmente ou √† dist√Ęncia atrav√©s da correspond√™ncia √© uma preciosidade que recomendo ler.

Os m√ļltiplos estados de alma e comportamentos desta mulher que acha ter direito √† contradi√ß√£o e de a viver numa sociedade que a recusa veementemente.

02
Jun24

Os neo-realistas não só faziam a festa

O neo-realismo liter√°rio e art√≠stico muito naturalmente conheceu uma natural evolu√ß√£o de nascimento, crescimento, adulta pujan√ßa, envelhecimento e morte. No entanto, pelo menos entre n√≥s, parece-me que uma parte da sua import√Ęncia residia na hipervaloriza√ß√£o que lhe era atribu√≠da pelos pr√≥prios adeptos, praticantes, e admiradores, muitas vezes em detrimento de outras correntes ou de algumas obras isoladas, paralelamente aparecidas no espa√ßo liter√°rio e art√≠stico nacional, de forma menos ruidosa, impositiva e reclamada; os neo-realistas n√£o s√≥ faziam a festa como nela queimavam as mais ruidosas gir√Ęndolas de foguetes.

in A Ressurreição das Florestas (1997) de Natália Nunes

23
Mai24

Uma paixão é desejada, inventada, até mesmo programada pelos seus protagonistas

Entretanto, por breves alus√Ķes e refer√™ncias que lhe ouvi nos dias precedentes √† sua entrada em casa de Paulina, deduzi uma coisa verdadeiramente interessante, n√£o s√≥ a respeito da mentalidade e maneira de ser de Ana Lu√≠sa, como igualmente acerca de um dos aspectos das rela√ß√Ķes amorosas: em certa, talvez at√© em grande medida, uma paix√£o √© desejada, inventada, at√© mesmo programada pelos seus protagonistas, ou, pelo menos, por um deles.

Por isso, nunca consegui deslindar até que ponto a paixão de Ana Luísa por Sebastião foi também algo de real ou de inventado.

in Vénus Turbulenta (1997) de Natália Nunes

21
Mai24

A enorme desinquietação que as mulheres introduziram na sua vida

Repito: não foi uma autêntica vocação mística ou monacal o que levou Sebastião Mondeiro a tentar a vida de monge.

Suponho, no seu √≠ntimo existiria desde cedo um conflito ou um problema a necessitar de resolu√ß√£o. A voca√ß√£o cient√≠fica, sim, essa precocemente se definiu no rapazinho provinciano, no estudante liceal que, quando em f√©rias, de retorno √† aldeia, se entretinha a observar o c√©u e a rever os exerc√≠cios matem√°ticos; ou na cidade, procurava contactar mestres e frequentar semin√°rios, desprezando grupos de companheiros folgaz√Ķes, namoradeiros, brig√Ķes, convivendo moderadamente com os da sua idade.

Estou convencida, de facto não foi nenhuma vocação religiosa, tão pouco um espírito rigorosamente misantropo que o levaram em determinada altura da carreira de professor e de investigador, a procurar a vida monástica, mas sim a enorme desinquietação que as mulheres introduziram na sua vida.

in Vénus Turbulenta (1997) de Natália Nunes

19
Mai24

Talvez as mulheres apenas consintam em ser seduzidas

Compreendo hoje as d√ļvidas de Ana Lu√≠sa.

Pelo menos nas mulheres, talvez o amor n√£o seja algo de espont√Ęneo, mas sim uma constru√ß√£o por elas elaborada com os materiais - a pr√≥pria¬†ideia de amor - colocados √† sua frente, interpostos no seu caminho, como se elas n√£o tivessem outro destino na vida sen√£o o de se tornarem arquitectas e oper√°rias desse edif√≠cio que os homens desejam ver erguido para l√° se instalarem confortavelmente.

Talvez as mulheres apenas consintam em ser seduzidas; n√£o se apaixonem, mas gostem de despertar paix√Ķes; n√£o se d√™em, apenas se emprestem. Talvez.

in Vénus Turbulenta (1997) de Natália Nunes

17
Mai24

Olha, para mim a palavra amor é como o mar

Tenho recebido tantas e tantas declara√ß√Ķes de amor! De amor! Olha, para mim a palavra amor √© como o mar, sempre sem descanso a chocar com a terra. O rumor das ondas, quando dele nos abeiramos n√£o nos larga os ouvidos, incessante. Amor. Parece uma coisa que o mundo, toda a gente nos quer impor √† for√ßa, ¬ęacabamos sempre por amar algu√©m, amar algu√©m, amar, amar¬Ľ...

in Vénus Turbulenta (1997) de Natália Nunes

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