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Livrologia

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11
Jul23

Nicolau de Cusa | A Douta Ignor√Ęncia

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A minha primeira leitura intencional de filosofia manteve-se longa com todas as voltas e reviravoltas que provocaram atrasos constantes. Os momentos de tranquilidade foram dif√≠ceis de encontrar, porque a leitura de filosofia requer calma e sil√™ncio, mas finalmente cheguei √† √ļltima p√°gina.

Apesar da import√Ęncia do seu pensamento, Nicolau de Cusa nunca foi valorizado no espa√ßo do pensamento europeu, caindo completamente no esquecimento.

Descobri-o por ter lido Jorge de Sena que revelou ter sido o seu mestre de pensar, caso contr√°rio jamais o leria.

Imbuída pelo meu desejo de ler mais filosofia embarquei nestas páginas com medo e agora que as termino congratulo-me por o ter vencido.

Sobre o que escreve Nicolau de Cusa neste seu livro?

Apesar da minha resposta ser redutora, ele escreve sobre o saber do não saber, sobre a apreensão do conhecimento e os seus limites:

Acolhe, pois, como¬†minhas conjecturas, estas descobertas que abaixo exponho, extra√≠das das¬†possibilidades do meu modesto engenho, atrav√©s de n√£o¬†pequena medita√ß√£o, talvez bastante inferiores √†s maiores fulgura√ß√Ķes intelectuais, as quais, embora tema que possam ser desprezadas¬†por muitos, devido √† in√©pcia do meu modo de as comunicar,¬†eu distribuo, todavia, √†s mentes mais altas, como se fossem alimento n√£o de todo desadequado a ser transformado em ideias intelectuais mais claras.

Nicolau de Cusa

09
Jul23

Se n√£o acreditardes, n√£o entendereis

Os nossos antepassados afirmaram em concord√Ęncia¬†uns com os outros que a f√© √© o in√≠cio do conhecimento¬† intelectual.¬†Com efeito, em qualquer disciplina pressup√Ķem-se¬†coisas como princ√≠pios primeiros, que s√≥ s√£o aprendidos¬†pela f√©, dos quais brota a intelig√™ncia do que deve ser tratado.
√Č necess√°rio que todo aquele que quer ascender ao¬†saber creia neles, sendo imposs√≠vel, sem eles, ascender. Diz¬†efectivamente Isa√≠as: "Se n√£o acreditardes, n√£o entendereis".

in¬†A Douta Ignor√Ęncia¬†de Nicolau de Cusa

05
Jul23

A cosmologia de Nicolau de Cusa

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Nicolau de Cusa tentou criar¬†uma astronomia que reflectisse as conquistas te√≥ricas da¬†Douta Ignor√Ęncia e, se observarmos os seus resultados de uma perspectiva da ci√™ncia moderna, n√£o foram muito al√©m, √© um facto, mas ao interrogar-se sobre o¬†problema do infinito e das suas implica√ß√Ķes, ajudou a transformar a metaf√≠sica e a apontar os seus limites.

Ao colocar¬†a matem√°tica em foco Nicolau de Cusa revela as suas limita√ß√Ķes, bem como a impossibilidade de se alcan√ßarem resultados definitivos quando se trata com o absoluto e com a origem do universo.

Teve a ousadia de retirar conclus√Ķes dos seus princ√≠pios o que o levou, √© certo, a teses ousadas sobre o universo e as suas formas, no entanto, com isso tamb√©m mostrou que os limites da metaf√≠sica s√£o os limites do conhecimento enquanto tal e, por isso, t√™m impacto em √°reas como a cosmologia.

Ao mostrar que n√£o podemos conhecer o absoluto, ele exp√Ķe a dificuldade de se pensar o universo partindo da sua origem. O mais pr√≥ximo que conseguimos chegar √© √†s ra√≠zes das coisas, sabendo que elas s√£o uma forma contra√≠da do todo, mas nunca conseguiremos chegar ao todo.

Nicolau de Cusa não quer que abandonemos a nossa busca pelo saber cosmológico,  muito pelo contrário, ele indica-nos que nos podemos aproximar infinitamente do saber inalcançável da totalidade, e é exactamente isso que torna a exploração do universo e dos seus significados tão fascinante.

05
Jul23

O intelecto, voando mais alto

O intelecto, voando mais alto, v√™ que, ainda que os¬†sentidos se submetessem em tudo √† raz√£o, n√£o se deixando¬†arrastar pelas paix√Ķes que lhe s√£o conaturais, o homem n√£o¬†conseguiria, todavia, chegar por si ao fim dos seus afectos¬†intelectuais e eternos.

in¬†A Douta Ignor√Ęncia¬†de Nicolau de Cusa

02
Jul23

Uma teia de rela√ß√Ķes, em que¬†tudo tem a ver com tudo

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Pode, pois, dizer-se que o mundo¬†de Nicolau de Cusa n√£o √© um aglomerado de individuas tomados¬†na sua at√≥mica singularidade, mas uma teia de rela√ß√Ķes, em que¬†tudo tem a ver com tudo, como o postula a pr√≥pria met√°fora do¬†organismo com que o autor reescreve a sua perspectiva sist√©mica.

Este paradigma relacional, revisitado no final do século XX coloca-nos, pois, na órbita do pensamento holístico que caracteriza o paradigma que vai emergindo tanto na Biologia, como na Física, na Química ou na Antropologia.

Excerto de Introdução de João Maria André 

in A Douta Ignor√Ęncia¬†de Nicolau de Cusa

01
Jul23

O intelecto n√£o √© do¬†√Ęmbito do tempo e do mundo mas desligado deles

O intelecto n√£o √© do¬†√Ęmbito do tempo e do mundo mas desligado deles; os sentidos¬†s√£o do √Ęmbito do mundo e est√£o sujeitos aos movimentos¬†no tempo; a raz√£o est√° como que no horizonte relativamente¬†ao intelecto, mas no z√©nite relativamente aos¬†sentidos, de modo que nela coincidam as coisas que est√£o¬†no tempo e acima do tempo.

in¬†A Douta Ignor√Ęncia¬†de Nicolau de Cusa

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