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Livrologia

Livrologia

03
Abr21

Um calar que n√£o consente

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Longe de mim escrever sobre a pandemia ou sobre a pseudo-democracia em que vivemos, do governo ou dos seus decretos, do que se diz e do que n√£o se diz.

Não o quero fazer neste despontar da Primavera, por isso decidi escrever sobre aquilo que não escrevo.

Deixo ficar o meu calar que n√£o consente.

Só desta vez.

09
Mar21

O governo endeusa-se cada vez mais com o poder que tem

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Teoricamente vivemos em democracia, mas na prática vivemos uma espécie de democracia unilateral: os deveres são cada vez maiores, os direitos cada vez menores. Mesmo quando se perde tudo, vida inteiras reduzidas a nada, os deveres mantêm-se como se o direito ao trabalho, o direito à sobrevivência continuassem a existir.

O governo endeusa-se cada vez mais com o poder que tem, cada vez mais intocável, exigindo ser venerado e não criticado. E nós, simples mortais, incapazes e limitados, não podemos dizer um ai!,  não podemos lançar um porquê?, que o pecado do antipatriotismo desce imediatamente sobre nós.

O governo veste-se ostensivamente com brocados de democracia cheia de cravos vermelhos, mas na sua essência rege-se pelo autoritarismo de quem faz o que quer, não admitindo escrutínio,  irradiando impunidade divina. E nós, cidadãos figurantes, temos que nos ajoelhar em resignação, agradecendo as migalhas, fechando os olhos aos milagres prometidos que nunca acontecem, numa oração muda e calada.

31
Jan21

Cada um acredita no que quiser

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Ci√™ncia pol√≠tica √© uma ci√™ncia sobre a qual n√£o sou versada. Sou apenas uma cidad√£ atenta¬† que anseia para que o servi√ßo p√ļblico exista de facto.

Vejo-me impotente perante o estado ao que o pa√≠s chegou. Se votar √© a √ļnica arma que tenho para mudar o meu pa√≠s, pois bem, n√£o est√° a resultar.¬†

Os cargos de servi√ßo p√ļblico s√£o cargos fantasma. Cada um deles ocupado por algu√©m invis√≠vel, que apenas recebe os benef√≠cios, mas n√£o cumpre com as suas obriga√ß√Ķes, nem se responsabiliza pela sua pr√≥pria incompet√™ncia.¬†

Esta constatação já era grave, mas ainda o é mais no actual panorama pandémico. De tal modo, que já não se pode calar o óbvio que a directora de infecciologia do hospital Amadora-Sintra decidiu partilhar:

Cada um acredita no que quiser, cada um acredita nas desculpas que lhe quiserem dar. S√≥ posso falar por mim, n√£o sou porta-voz de ningu√©m, nem dos meus colegas, mas acho que se as pessoas t√™m cabe√ßa √© para pensar e acho que todos n√≥s temos a intelig√™ncia suficiente para perceber ‚ÄĒ mesmo que n√£o sejamos os mais eruditos neste assunto, nem tenhamos o conhecimento que eu, enquanto infecciologista posso ter ‚ÄĒ que houve aqui uma gest√£o muito err√°tica e que isso teve consequ√™ncias, que est√£o √† vista.

A falta de honestidade e de transpar√™ncia perturba-me, acho que √© o pior que um l√≠der pode ter e √© o pior que esta lideran√ßa do Minist√©rio da Sa√ļde tem ‚ÄĒ n√£o ser transparente, desvalorizar sistematicamente os problemas que existem, em vez de os encarar, em vez de dizer de uma forma muito clara que n√≥s temos limites e que n√£o os dev√≠amos ter ultrapassado.

Agora justificar que foi a variante inglesa que veio estragar isto tudo… Não! O que veio estragar isto tudo foi uma gestão errática desta pandemia, a variante inglesa não veio só para Portugal. Os outros países também têm a variante inglesa, mas tomaram medidas que nós não tomámos.

(...)

As urgências hospitalares de um modo geral já eram muito sobrecarregadas e com grandes tempos de espera, mas agora tudo isso se agravou muitíssimo. Estes doentes são doentes graves e portanto também não toleram assim tanto tempo de espera como outros que eventualmente existiam antes.

Acho que ter dito em dezembro que existem 19 mil camas preparadas para esta epidemia, que existem n√£o sei quantos mil profissionais de sa√ļde que foram contratados, que o sistema est√° robusto, que est√° tudo a funcionar lindamente, leva a que as pessoas achem que, mesmo que o v√≠rus se propague mais, t√™m o conforto de saber que o sistema de sa√ļde vai responder.

N√£o vai, claro que n√£o vai. √Č que n√£o vai mesmo e isto vai ser muito duro. Tanto n√£o vai mesmo que neste momento j√° se fala em pedir ajuda internacional, o que √© vergonhoso. √Č vergonhoso quando n√£o se preparou. Agora estamos a pedir aos m√©dicos na reforma para virem trabalhar, ent√£o e as tais 19 mil camas e os milhares de profissionais de sa√ļde que t√≠nhamos em dezembro? Se realmente os t√≠nhamos era bom que agora se mostrasse onde est√£o. Dizer o contr√°rio √© iludir, √© mentir √†s pessoas e sobre isso eu n√£o posso, enquanto m√©dica, ficar calada e ser conivente com essa irresponsabilidade.

@Observador

30
Dez20

2020, o ano da perplexidade humana

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Ditou a natureza que 2020 seria o ano do seu grito.

Um basta! que obrigou o mundo inteiro a parar para reflectir.

2020 foi o ano em que a humanidade adoeceu, morreu e a natureza ganhou sa√ļde, renasceu.

Foi também o ano da perplexidade humana, um ano interessante do ponto de vista sociológico e psicológico, em que o ser humano deixou cair a máscara, apesar de ter de usar uma diariamente, revelando a sua humanidade ou a falta dela nestes tempos difíceis. As certezas que tantos tinham ruíram, desfazendo-se em pó. As certezas de quem eram, seguiram o mesmo caminho.

Fala-se muito do regresso à normalidade, mas não sei de que normalidade se fala, que conceito será esse. Talvez todos queiram regressar à mesma normalidade que consideravam normal e que, afinal, talvez não o fosse.

Se vai ficar tudo bem? 

Importa √© ficarmos bem, porque a sa√ļde continua a ser um dos bens mais preciosos.

Em 2020 ficará na minha memória uma imagem que nunca esquecerei: todas as manhãs em que conduzi para o trabalho, em estradas completamente desertas, sem avistar uma alma humana, debaixo de um silêncio ensurdecedor e apocalíptico.

Nessas manhãs, apesar de sentir que o mundo estava a acabar, nunca vi o céu tão bonito, nunca respirei um ar tão puro, nunca tinha sentido o silêncio assim.

Foram estes momentos cataclísmicos que me marcaram com a sua dualidade de grande beleza em plena destruição.

29
Nov20

Perante este pasmo assustado da pandemia

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Quis escrever sobre a pandemia, mas sem escrever sobre ela. Quis escrever sobre a incerteza do que viria a seguir, do arco-íris que não encontraremos.

Quis escrever, mas não escrevi, por isso deixo-vos as palavras de Valter Hugo Mãe (um dos meus autores favoritos) sobre o que nos espera do outro lado do espelho pandémico: 

Perante este pasmo assustado da pandemia senti-me exposto a um certo espelho. Tive a sensação de estar em dobro. O que significa que a solidão é de facto um espelho diante de nós. 

Vamos evoluir num sentido mais consumista, as pessoas estarão mais egoístas. Porque, de repente, sentem necessidade de serem compensadas. Num sentido profundamente infantil. Quando as libertas de alguma coisa que acham que não mereceram, tornam-se carentes e mimadas. E já vamos assistindo a isso.

in Expresso | A Beleza das Pequenas Coisas

28
Nov20

Só que a sorte, essa malvada do destino, nunca fica do lado dos indefesos

bookinices.pngO plano preliminar da DGS para a vacinação, apresentado por Graça Freitas, deixa as pessoas com mais de 65 anos para o fim do grupo de prioridades para a vacinação contra a covid-19. A proposta foi apresentada pela diretora da DGS, a um grupo de 22 peritos, e terá causado indignação.

 

Em pleno s√©culo XXI e continuo sem compreender como √© que a Humanidade evoluiu tanto e continua a atirar os seus velhos, esses seres in√ļteis, imprest√°veis, uns estorvos para incubadoras, sempre com as melhores das inten√ß√Ķes, sempre pelos melhores motivos.

Não bastassem as incubadoras, roubam-lhes o pouco que lhes resta, o direito à vida possível. 

Esperei - ingenuamente - chegar a este século e não ter de assistir a esta necessidade de escolha sobre quem são os seres humanos mais importantes, merecedores de salvação.

Brincam-se aos deuses, atirando-se ao ar existências, esperando que a fortuna salve os fracos, porque os deuses, esses, não os podem salvar.

Só que a sorte, essa malvada do destino, nunca fica do lado dos indefesos, pois não?

31
Out20

Tanto Frankenstein à solta, tanto esqueleto fora do armário

bookinices.pngAi, Outubro, Outubro, nem sei que te diga.

Tanto Frankenstein à solta, tanto esqueleto fora do armário, tanta teia de aranha que nem sei para qual deles olhar primeiro.

 

As filas de tr√Ęnsito

O doutor Costa est√° na vanguarda da ci√™ncia e da investiga√ß√£o e do alto da sua sabedoria cient√≠fica combate o coronav√≠rus com filas de tr√Ęnsito. Tr√™s horas de filas de tr√Ęnsito para regressar a casa do trabalho prova ser o m√©todo mais eficaz para combater um v√≠rus. Este m√©todo foi alvo de um profundo estudo cient√≠fico com base na teoria das aberra√ß√Ķes: quanto mais aberrante o m√©todo, mais a s√©rio parece.

 

E por falar em aberra√ß√Ķes

A Festa do Avante é quando o Pai Jerónimo quiser, mas já andam a enfiar o barrete ao Pai Natal que pode ir à Fórmula 1 e juntar-se a milhares de pessoas, que a DGS deixa. Agora isso de comemorar o Natal com uma família é absolutamente chocante. Nem sei como é que nos passou pela cabeça a hipótese de celebrar o Natal!

24
Out20

Doçura ou travessura?

bookinices.pngEm plena época das bruxas, o nosso primeiro tem andado a enfeitiçar os portugueses, dando-lhes doçuras para poder fazer as suas travessuras:

 

¬†Tentei jogar na app stayaway-covid¬†o pacman, mas as cabecinhas redondas que abrem e fecham a boca n√£o apanharam nenhum infectado no labirinto. Entetanto fui perseguida pelos fantasminhas salazarentos que me tentaram imp√īr a instala√ß√£o da app. Comi-os.

 

¬†¬†Batatinha e Companhia querem o Carnaval em todas as ruas deste pa√≠s, impondo o uso de m√°scara na via p√ļblica. Entre o dizer e o desdizer as medidas do governo j√° n√£o obedecem a qualquer l√≥gica, nem t√£o pouco a qualquer parecer cient√≠fico. Ainda estou a tentar descobrir para que raio serve o Conselho Nacional de Sa√ļde. Pelos vistos¬†apresenta ao ministro da Sa√ļde e √† Assembleia da Rep√ļblica um relat√≥rio sobre a situa√ß√£o da sa√ļde em Portugal, formulando as recomenda√ß√Ķes que considerar necess√°rias. Tem 30 pessoas a serem pagas e que n√£o servem absolutamente para nada. E n√£o bastasse a inutilidade deste conselho, o governo decidiu criar mais um, que √© quase igual ao primeiro, mas completamente diferente: Conselho Nacional de Sa√ļde P√ļblica. Tem 20 pessoas a serem pagas¬†e que n√£o servem absolutamente para nada. Portanto 50 pessoas - ou 49 se um membro do primeiro conselho fizer parte do segundo conselho - que nem fingem que est√£o a fazer algo de √ļtil por esta pandemia.

 

¬†¬†10.510 milh√Ķes v√£o ser aplicados na ferrovia numa linha de alta velocidade que vai ligar Lisboa e Porto numa 1:15h. Finalmente vamos poder fazer a travessia proibida entre concelhos em fins-de-semana prolongados sem sermos vistos, tal a velocidade a que vamos. Ainda estou para descobrir que fim-de-semana prolongado √© este de que tanto falam, quando o feriado de dia 1 de Novembro √© a um domingo. Talvez seja fim-de-semana prolongado para os v√°rios conselhos nacionais de sa√ļde.

 

¬†¬†Entretanto descobriu-se a¬†"Fadiga da Pandemia", quando o medo e o pragmatismo s√£o substitu√≠dos pela apatia e pelo desleixo. Quando √© que se apanha isso? Ir ao supermercado de pijama comprar o √ļltimo pacote de papel higi√©nico, conta?

 

  Se houver recolher obrigatório, por favor não comprem as latas todas de atum. Agradecida.

A leitura em todo o lado

O autor português de 2021 é Jorge de Sena
Preparem-se para dar a volta ao vosso mundo
A autora portuguesa em destaque de 2019/2020 foi Sophia de Mello Breyner Andresen
Visitem o seu mundo encantado
Tudo o que escrevi para o Desafio de Escrita dos P√°ssaros est√° aqui!
Tudo o que escrevi para Os Desafios da Abelha est√° aqui!
Já começou a viagem pelo mundo da Gata Borralheira.
Cinema e literatura num só.
Venham também!
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A imprensa comentada no final de cada mês na Operação Bookini
Espreitem as bookinices
A autora deste blog n√£o adopta o novo Acordo Ortogr√°fico.

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