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Livrologia

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02
Out21

A abstenção como protesto

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Setembro j√° l√° vai, mas n√£o sem antes deixar alguns coment√°rios.¬†Um deles, relativamente √†s elei√ß√Ķes aut√°rquicas e ao seu leg√≠timo vencedor: a absten√ß√£o.

Uma democracia para o ser tem de abarcar opostos e, apesar de o voto ser um acto democrático, a sua recusa voluntária também o é. Podemos acusar os abstencionistas de irresponsabilidade democrática e por não terem votado não poderão criticar ou queixar-se do estado da nação, mas não nos podemos esquecer que um abstencionista não surge do nada.

Um voto em branco ou um voto nulo exigem que o cidad√£o se preste a sair de casa para os fazer, mas um abstencionista √© algu√©m que se encontra numa fase particular da sua vida como cidad√£o participante numa democracia. √Č algu√©m que um dia, por alguma raz√£o, decide parar. N√£o votando est√° a exercer o seu direito democr√°tico de protesto, atrav√©s da recusa e do sil√™ncio, quando todos os seus outros protestos n√£o foram ouvidos.

As promessas eleitorais e as que se seguem revestem-se cada vez mais de artifícios de ficção que vão provocando um cepticismo crónico a quem as ouve. 

Anos de governação sem atender às necessidades de um país e às dos seus cidadãos acabam por legitimar a recusa de contribuir para a aura de ficção perpetuada por quem governa.

A abstenção não é a solução e o voto tem em si todo o potencial para provocar mudanças.

Mas onde estão essas mudanças que o voto deveria provocar?

02
Set21

Notícias, histórias fictícias

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Neste quase final de Verão quero escrever futilmente sobre o nada e o vazio em que caí ao adormecer de frente para o mar, dos cabelos despenteados que recusaram o pente e a escova, da pele salgada e rebelde de sol e areia, dos meus olhos que se inundaram de marés.

Queria lá ficar onde estive, naquele estado de irresponsabilidade fingida, de despreocupação e esquecimento pelo mundo.

Notícias houvesse e ignorava-as uma por uma, histórias fictícias de um livro que recusava ler. Deixei-as ficar naquele limbo onde nada acontece, por isso neste final do mês não comentarei absolutamente nada que não seja o mar e o sol.

31
Jul21

N√£o querem ser livres, querem estar seguros

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Este Verão tem sido o Verão da indiferença.

Indiferença perante a pandemia e as regras ridículas que nos são impostas. Já ninguém respeita a incoerência governativa que este país tem sofrido à mercê dos delírios de políticos que não sabem gerir um país, quanto mais uma pandemia.

Mas receio que esta indiferença se aprofunde e nos leve a um lugar de onde não conseguiremos voltar. 

Creio que os portugueses estejam já numa fase em que estão preparados para voluntariamente submeterem a sua liberdade individual em prol da paz, da estabilidade, da segurança, mesmo que fictícias. Não querem ser livres, querem estar seguros.

Aliás, creio que há um equívoco generalizado do conceito de liberdade em Portugal que se vai acentuando cada vez mais, em que para se ser livre basta ter dinheiro. E isto preocupa-me.

30
Jun21

E quem pode julgar ou criticar os portugueses?

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A época das tontices de veraneio já começaram, mas não podemos culpar o calor por tanta idiotia dita e feita.

António Costa nunca reconhece que erra, atirando sempre a culpa para os portugueses que são incentivados a ir a Sevilha em massa apoiar a selecção.

J√° ningu√©m leva a s√©rio as recomenda√ß√Ķes deste governo. Com tantas excep√ß√Ķes execr√°veis s√£o sempre os mesmos que t√™m de estar confinados. E quem pode julgar ou criticar os portugueses que est√£o fartos das excep√ß√Ķes reservadas apenas para cidad√£os especiais?

09
Mai21

Abril, notícias que não o foram

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Vivemos tempos conturbados, é certo, mas não deixam de ser criativos e inspiradores. De Abril ressalto os insultos poéticos do eternamente insultado José Sócrates, cujo dom da oratória enterneceria o mais honesto dos políticos se o houvesse. 

Não nos podemos esquecer também do inspirador acidente diplomático sofagate que deixou Von der Leyen sem cadeira. Tudo isto para ela aprender, de uma vez por todas, que o seu papel é servir, portanto imperdoável que se tenha esquecido dos kebabs em casa.

Uma das figuras mais divertidas da realeza deixou-nos quase aos 100 anos. O duque de Edimburgo, "o inaugurador de placas mais experiente do mundo", com o seu sarcasmo marcante, a raiar os limites de uma arrog√Ęncia cheia de humor, vai deixar saudades.

03
Abr21

Um calar que n√£o consente

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Longe de mim escrever sobre a pandemia ou sobre a pseudo-democracia em que vivemos, do governo ou dos seus decretos, do que se diz e do que n√£o se diz.

Não o quero fazer neste despontar da Primavera, por isso decidi escrever sobre aquilo que não escrevo.

Deixo ficar o meu calar que n√£o consente.

Só desta vez.

09
Mar21

O governo endeusa-se cada vez mais com o poder que tem

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Teoricamente vivemos em democracia, mas na prática vivemos uma espécie de democracia unilateral: os deveres são cada vez maiores, os direitos cada vez menores. Mesmo quando se perde tudo, vida inteiras reduzidas a nada, os deveres mantêm-se como se o direito ao trabalho, o direito à sobrevivência continuassem a existir.

O governo endeusa-se cada vez mais com o poder que tem, cada vez mais intocável, exigindo ser venerado e não criticado. E nós, simples mortais, incapazes e limitados, não podemos dizer um ai!,  não podemos lançar um porquê?, que o pecado do antipatriotismo desce imediatamente sobre nós.

O governo veste-se ostensivamente com brocados de democracia cheia de cravos vermelhos, mas na sua essência rege-se pelo autoritarismo de quem faz o que quer, não admitindo escrutínio,  irradiando impunidade divina. E nós, cidadãos figurantes, temos que nos ajoelhar em resignação, agradecendo as migalhas, fechando os olhos aos milagres prometidos que nunca acontecem, numa oração muda e calada.

31
Jan21

Cada um acredita no que quiser

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Ci√™ncia pol√≠tica √© uma ci√™ncia sobre a qual n√£o sou versada. Sou apenas uma cidad√£ atenta¬† que anseia para que o servi√ßo p√ļblico exista de facto.

Vejo-me impotente perante o estado ao que o pa√≠s chegou. Se votar √© a √ļnica arma que tenho para mudar o meu pa√≠s, pois bem, n√£o est√° a resultar.¬†

Os cargos de servi√ßo p√ļblico s√£o cargos fantasma. Cada um deles ocupado por algu√©m invis√≠vel, que apenas recebe os benef√≠cios, mas n√£o cumpre com as suas obriga√ß√Ķes, nem se responsabiliza pela sua pr√≥pria incompet√™ncia.¬†

Esta constatação já era grave, mas ainda o é mais no actual panorama pandémico. De tal modo, que já não se pode calar o óbvio que a directora de infecciologia do hospital Amadora-Sintra decidiu partilhar:

Cada um acredita no que quiser, cada um acredita nas desculpas que lhe quiserem dar. S√≥ posso falar por mim, n√£o sou porta-voz de ningu√©m, nem dos meus colegas, mas acho que se as pessoas t√™m cabe√ßa √© para pensar e acho que todos n√≥s temos a intelig√™ncia suficiente para perceber ‚ÄĒ mesmo que n√£o sejamos os mais eruditos neste assunto, nem tenhamos o conhecimento que eu, enquanto infecciologista posso ter ‚ÄĒ que houve aqui uma gest√£o muito err√°tica e que isso teve consequ√™ncias, que est√£o √† vista.

A falta de honestidade e de transpar√™ncia perturba-me, acho que √© o pior que um l√≠der pode ter e √© o pior que esta lideran√ßa do Minist√©rio da Sa√ļde tem ‚ÄĒ n√£o ser transparente, desvalorizar sistematicamente os problemas que existem, em vez de os encarar, em vez de dizer de uma forma muito clara que n√≥s temos limites e que n√£o os dev√≠amos ter ultrapassado.

Agora justificar que foi a variante inglesa que veio estragar isto tudo… Não! O que veio estragar isto tudo foi uma gestão errática desta pandemia, a variante inglesa não veio só para Portugal. Os outros países também têm a variante inglesa, mas tomaram medidas que nós não tomámos.

(...)

As urgências hospitalares de um modo geral já eram muito sobrecarregadas e com grandes tempos de espera, mas agora tudo isso se agravou muitíssimo. Estes doentes são doentes graves e portanto também não toleram assim tanto tempo de espera como outros que eventualmente existiam antes.

Acho que ter dito em dezembro que existem 19 mil camas preparadas para esta epidemia, que existem n√£o sei quantos mil profissionais de sa√ļde que foram contratados, que o sistema est√° robusto, que est√° tudo a funcionar lindamente, leva a que as pessoas achem que, mesmo que o v√≠rus se propague mais, t√™m o conforto de saber que o sistema de sa√ļde vai responder.

N√£o vai, claro que n√£o vai. √Č que n√£o vai mesmo e isto vai ser muito duro. Tanto n√£o vai mesmo que neste momento j√° se fala em pedir ajuda internacional, o que √© vergonhoso. √Č vergonhoso quando n√£o se preparou. Agora estamos a pedir aos m√©dicos na reforma para virem trabalhar, ent√£o e as tais 19 mil camas e os milhares de profissionais de sa√ļde que t√≠nhamos em dezembro? Se realmente os t√≠nhamos era bom que agora se mostrasse onde est√£o. Dizer o contr√°rio √© iludir, √© mentir √†s pessoas e sobre isso eu n√£o posso, enquanto m√©dica, ficar calada e ser conivente com essa irresponsabilidade.

@Observador

Quanto mais leio, menos sei

O autor português de 2021/2022 é Jorge de Sena
Preparem-se para dar a volta ao vosso mundo
A autora portuguesa em destaque de 2019/2020 foi Sophia de Mello Breyner Andresen
Visitem o seu mundo encantado
Tudo o que escrevi para o Desafio de Escrita dos P√°ssaros est√° aqui!
Tudo o que escrevi para Os Desafios da Abelha est√° aqui!
Já começou a viagem pelo mundo da Gata Borralheira.
Cinema e literatura num só.
Venham também!
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A imprensa comentada no final de cada mês na Operação Bookini
Espreitem as bookinices
A autora deste blog n√£o adopta o novo Acordo Ortogr√°fico.

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