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Livrologia

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03
Set19

Uma das mais belas correspondências da literatura portuguesa

Ontem, a Cinemateca Portuguesa convidou-me para falar de Jorge de Sena, na sessão de inauguração do ciclo de cinema comemorativo do centenário de Jorge de Sena.

Por ter sido eu, em 1987, o organizador de um livrinho, Jorge de Sena e o Cinema, que reunia os textos que o autor escreveu sobre filmes.

Este ciclo da Cinemateca cruza-se com outro ciclo, o da comemoração do centenário de Sophia de Mello Breyner Andresen.

Sena e Sofia tinham uma electiva afinidade e trocaram uma correspondência brilhante, lindíssima, reunida num livro de que eu sou o editor.

É uma das mais belas correspondências da literatura portuguesa.

Gosto muito das outras correspondências de Sena que publiquei, com Gaspar Simões, Delfim Santos, Raul Leal e Eugénio de Andrade, mas há um lirismo, uma veemência, uma poética na Correspondência Sena-Sophia que, aposto, as letras portuguesas não voltarão a repetir.

E agora o texto da minha intervenção, ontem, na Cinemateca.

 

in A Página Negra de Manuel S. Fonseca

31
Ago19

Sophia & Sena celebrados no cinema

Em 2019 não se celebra apenas o centenário do nascimento de Sophia, mas também o de Jorge de Sena.

Sena e Sophia nasceram quase no mesmo dia, em 2 e 6 Novembro de 1919, mas não seria apenas esta a única coincidência a uni-los numa profunda amizade.

Amizade essa que ficaria registada para a posteridade nas cartas que trocaram ao longo da vida e que, mais tarde, viria a ser cinematografada por Rita Azevedo.

A Cinemateca à guisa de celebração - e muito bem - destes dois grandes nomes da literatura irá exibir em Setembro mais de uma vintena de filmes para celebrá-los:

Este ano “a celebração do centenário do nascimento dos dois poetas não ficaria completa sem uma justa referência à atenção que Jorge de Sena e Sophia dedicaram ao cinema”, afirma a Cinemateca em comunicado. 

Assim, em Setembro acolherá dois ciclos, com um total de 27 filmes, “assinalando a relação por eles mantida com o cinema internacional, e a sua presença, ou alguns dos seus ecos, no cinema português, cinema este que, aliás, em muitas das suas vertentes é carregado de um profundo poético”.

O primeiro é dedicado a Jorge de Sena que fez crítica de cinema, apresentou filmes e fez palestras sobre cinema. Segundo a Cinemateca, além do universo dos filmes sobre os quais Jorge de Sena escreveu, o ciclo inspira-se ainda numa lista de dez filmes que o escritor disse, em 1968, que levaria com ele para uma ilha deserta.

in Público

Deste ciclo de cinema gostaria de destacar:

 

Correspondências de Rita Azevedo Gomes

Segunda-feira [16.09] 18:00 | Sala M. Félix Ribeiro

O filme será exibido com a presença da realizadora. Inspirado nas cartas trocadas entre Sophia de Mello Breyner Andresen e Jorge de Sena, durante os quase vinte anos de exílio deste último, a realizadora confessou que foi uma espécie de re-memória do meu início neste gosto pela poesia, por estes dois autores.

 

Sophia de Mello Breyner Andresen de João César Monteiro

Segunda-feira [16.09] 21:30 | Sala M. Félix Ribeiro
Quando questionado sobre esta curta-metragem sobre a poetisa do mar, João César Monteiro declarou-a assim: no que ao meu filme diz respeito, suponho que, antes do mais, ele é a prova, para quem a quiser entender, que a poesia não é filmável e não adianta persegui-la.

16
Jul19

O espelho


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No caminho passou em frente de um espelho e olhou-se

-Sophia de Mello Breyner Andresen-

 

Dos três objectos que já tinha mencionado anteriormente, o espelho é o impulsionador da História da Gata Borralheira.

No conto tradicional o espelho é praticamente inexistente, mas Sophia assimilou-o do conto da Branca de Neve, dando-lhe a soberania de resposta à eterna interrogação: Espelho, espelho meu, existe alguém mais bela do que eu?

Sempre que Lúcia se depara com um espelho esse momento ganha sempre uma densidade irrespirável. O seu reflexo é-lhe intolerável, angustiante, ouso mesmo dizer, repugnante. O reflexo que o espelho lhe devolve é apenas a percepção dela própria que é completamente diferente da percepção que os outros têm dela:

- Não se veja nesse espelho. Faz muito má cara.

- A sua pele é linda e branca - atalhou a rapariga, e, ali, parece cinzenta. É melhor não olhar para lá.

O espelho reflecte a sua opinião, os seus pensamentos, as suas crenças. Sempre que se contempla nele, apenas vê um vestido feio, nunca a bela mulher que o veste.

11
Jul19

Sophia de Mello Breyner Andresen | Leitora

É verdade que tem uma biblioteca pequena, que prefere ter poucos livros de que gosta e que relê, do que coisas que só servem para encher as estantes?

É verdade. Sou muito impaciente.

 

Mas rasga-os, deita-os fora?

Muitas vezes rasgo, muitas vezes perco. Há uma frase do Valéry que gosto: "Para gostar é preciso não gostar".

 

Não gosta muito dos nossos poetas, pois não?

Há muitos e às vezes há alguns muito bons. Mas acontece que para mim é mais fácil fixar um verso que um nome. É esquisito mas é verdade. Sabe, ou se é escritor ou se lê. Não se pode fazer tudo ao mesmo tempo. Eu leio mais de noite, na cama e aí leio de tudo. Não posso ler poesia, que me excita demasiado.

Entrevista de Sérgio Coimbra in  jornal O Independente, Caderno Vid

Desafio dos Pássaros

A Miss X aceitou o desafio de escrita dos pássaros. Espreitem o ninho.

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