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Livrologia

Livrologia

24
Abr21

Dia Mundial do Livro, a leitura como forma de rebeli√£o

manguel.jpg

N√£o escrevi ontem sobre o Dia Mundial do Livro, porque fui comemor√°-lo, saindo do ref√ļgio das suas p√°ginas, com encontro virtual marcado com um deles: Uma Hist√≥ria da Leitura de Alberto Manguel.

Manguel, um dos grandes bibliófilos do nosso tempo, dedicou a sua vida à leitura e ao livro.

A sua pátria, diz, é a sua própria biblioteca, que construiu ao longo dos anos e que conta já com 40 mil volumes, que decidiu doar a Lisboa, ao abrigo do projecto Centro de Estudos de História da Leitura.

O Conselho Honorário do centro irá integrar escritores como Olga Tokarczuk, Salman Rushdie, Margaret Atwood, Tolentino de Mendonça e Chico Buarque.

Muitas vezes, senti que a minha biblioteca explicava quem eu era, me conferia um eu sempre em mudança, que se transformava constantemente ao longo dos anos.

Um grande defensor do livro e da leitura, Manguel revela:

Na história da escrita, os leitores nunca foram a maioria, sempre foram a elite, mas é uma elite à qual todos podem pertencer, é como um clube elitista, mas com as portas abertas.

A luta pela liberdade não se faz apenas com um cravo nas mãos, reside no não conformismo e um dos meios para o praticar é através da leitura:

Se conseguirmos dizer-lhes que a melhor forma de rebelião está na sua inteligência, que a leitura é a forma mais efetiva de subversão, quem sabe podemos conseguir algo.

Se a esses leitores em pot√™ncia se inculca desde muito cedo n√£o confiar na sua intelig√™ncia, n√£o deixar que a sua imagina√ß√£o se exercite, seguir as restri√ß√Ķes dos sistemas educativos, que atualmente s√£o campos de treino para o escrit√≥rio e a f√°brica, gradualmente tornamo-nos seres que n√£o refletem, porque os valores da reflex√£o e da leitura s√£o o dif√≠cil.

11
Abr21

A poesia tem sido o meu oxigénio

instante.pngNestas √ļltimas semanas as leituras √© que me t√™m escolhido e n√£o eu a elas. Abrem-se perante mim como se soubessem o que preciso de ler em determinado momento. E sabem-no, de facto.

As fomes da minha mente ultrapassam já os meus quereres e para saciá-las, nunca imaginaria que seria através da poesia.

Por isso, não será estranha a partilha de tantos versos de Jorge de Sena que vão embelezando alguns minutos roubados aos meus dias intensos e atarefados. 

A poesia tem sido o meu oxigénio.

31
Mar21

A celebrar o Dia Mundial do Teatro

teatro.png

Para celebrar o Dia Mundial do Teatro, que já ocorreu a 27 de Março, estou a ler Filoctetes de Sófocles. Não encontrei melhor homenagem ao teatro do que ler uma tragédia grega.

Os tempos invulgares que atravessamos est√° cheio de inesperados e foi num deles que conheci¬†Filoctetes,¬†a √ļltima pe√ßa que S√≥focles encenou:

 

A trag√©dia de um homem rejeitado e atirado para uma solid√£o injusta e roaz de dez anos e a sua luta contra toda a esp√©cie de press√Ķes e amea√ßas, viessem de onde viessem, para continuar livre e senhor do seu querer e dos seus actos.

in Prefácio de José Ribeiro Ferreira

29
Mar21

Quem quiser iniciar-se na escrita deve começar por escrever poemas

poetry.png

Tal como todas as outras artes, a poesia tem a sua técnica. Claro que qualquer um pode escrever algumas linhas e chamá-lo de poema, mas um poema é muito mais que algumas linhas.

Aliás, quem quiser iniciar-se na escrita deve começar por escrever poemas.

E porquê?

Num poema tem de caber muito com poucas palavras. N√£o h√° melhor exerc√≠cio para a pr√°tica da escrita do que concentrar em poucas linhas hist√≥rias, paisagens, emo√ß√Ķes. Um poema n√£o permite excessos, palavras aprisionadas, n√≥s por desatar. Metaforicamente permite, mas isso ser√£o outros instantes da minha estante.

Para escrever poesia h√° que escutar e n√£o inventar.

E nas intermitências do cantar e do conversar escreve-se um poema.

28
Mar21

O que é, afinal, a poesia?

poetry.png

Longe de mim tentar definir uma arte como a poesia.¬†Ali√°s, as defini√ß√Ķes s√£o o que s√£o: inevit√°veis.¬†

E se ainda assim insistirmos em defini-la, podemos sempre questionar directamente o poeta. Teremos tantas respostas, quantos poetas que a escrevem.

E se questionarmos os leitores, iremos obter as sensa√ß√Ķes que a poesia lhes provoca e raramente uma defini√ß√£o.

E se viajarmos no tempo, percebemos que os gregos serviram-se também da forma poética para registar eventos históricos.

O que é, afinal, a poesia?

A resposta mais exacta e precisa surgiu quando menos a esperava. N√£o me recordo da sua autoria, mas √© a defini√ß√£o perfeita para quem, como eu, n√£o gosta de defini√ß√Ķes:

A Poesia é a história da alma humana.

21
Mar21

Poesia, como a leio

poetry.png

Quero acreditar que n√£o √© por acaso que o Dia Mundial da Poesia se celebre em plena Primavera. √Č a mais ilusiva, a mais amb√≠gua das artes escritas, que sempre renasce por mais s√©culos que por ela passem. Confunde e enlouquece, mas tamb√©m ilumina e toca quem a l√™.

Para verdadeiramente a apreciarmos há que nos deixarmos cair num estado de anarquia, abolir as regras do entendimento narrativo, ler sem rédeas e sentir. Apenas sentir e nada mais.

A cada verso os sentidos aparecem, diferentes para quem os lê e para quem os escreveu. E se não fizer sentido ainda melhor.

Podemos saltar p√°ginas, explorar os confins da √ļltima e regressar √† primeira, sem que o delicado equil√≠brio da leitura se quebre.

Um livro de poesia é interminável e não, não podemos ser levianos ao ponto de dizer que o lemos. A cada nova leitura surgirá um novo livro, sendo ele o mesmo. Os poemas ganharão novos significados ou talvez nenhuns. A poesia metamorfoseia-se a cada nova leitura, organicamente transformando-se num novo ser vivo. 

Tal e qual como a Primavera.

20
Mar21

Poesia, a minha companheira

poetry.pngAmanhã é o Dia Mundial da Poesia e tem sido ela a minha companheira, sempre ao meu lado, especialmente desde que a pandemia começou: Cecília Meireles, Mário de Andrade, Vinicius de Moraes, Jorge de Sena.

A poesia tem sido a¬†arte perfeita para os dias que, de t√£o cinzentos, escondem o horizonte e o que est√° para al√©m dele.¬†As suas palavras t√™m uma precis√£o absoluta e bastam poucas para dizer tudo.¬†T√£o perfeita que √© capaz de se transmutar em imagem ou em m√ļsica.

Um poema √© t√£o pequeno, mas capaz de albergar uma alma inteira de emo√ß√Ķes que nem chegam a ser palavras, mas humanidade na sua forma mais pura.¬†√Č org√Ęnico, mut√°vel, sens√≠vel.¬†N√£o morre, transforma-se, como tudo na natureza.

28
Fev21

O demónio anda a assombrar as minhas leituras

Antigas e Novas Andanças do Demónio - Livro - WO

Comecei a ler os primeiros dois volumes de contos de Jorge de Sena.¬†A edi√ß√£o que estou a ler re√ļne dois livros num s√≥:¬†Andan√ßas do Dem√≥nio¬†(1960) e¬† Novas Andan√ßas do Dem√≥nio (1966).

O demónio está presente em todos eles e se não está, adivinha-se. Nas suas andanças, que podem coincidir com as nossas, nunca sabemos quando vamos encontrá-lo.

Não é difícil reconhecê-lo: não é bom, nem é mau. Aliás, é como qualquer humano e confunde-se com ele na sua desumanidade.

Um dem√≥nio caminha incansavelmente pelo mundo,¬† s√≥ para saber o que est√° a acontecer e para provocar uma alma ou outra. Com as suas andan√ßas vive da inconst√Ęncia e muda de lugar sem l√≥gica ou sentido, s√≥ pelo prazer de uma batalha que n√£o quer ganhar.

Tal como Sena disse sobre estes contos:

Uma das melhores maneiras de soltar o diabo às canelas dos bem-pensantes de todas as cores e feitios é falar nele, com ares de ironia, como se não existisse.

Quanto mais leio, menos sei

O autor português de 2021 é Jorge de Sena
Preparem-se para dar a volta ao vosso mundo
A autora portuguesa em destaque de 2019/2020 foi Sophia de Mello Breyner Andresen
Visitem o seu mundo encantado
Tudo o que escrevi para o Desafio de Escrita dos P√°ssaros est√° aqui!
Tudo o que escrevi para Os Desafios da Abelha est√° aqui!
Já começou a viagem pelo mundo da Gata Borralheira.
Cinema e literatura num só.
Venham também!
bookinices_spring.png
A imprensa comentada no final de cada mês na Operação Bookini
Espreitem as bookinices
A autora deste blog n√£o adopta o novo Acordo Ortogr√°fico.

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