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Livrologia

Livrologia

18
Fev24

Não faz mal, que ninguém levou a mal

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Perdi-me entre o Natal e o Ano Novo e as leituras ficaram sossegadinhas na estante a piscar-me o olho.

Desavergonhadamente, ignorei-as até Fevereiro, mas não faz mal, que ninguém levou a mal.

Em que estado andam elas?

 

 De Vinicius de Moraes:

  • acabei de ler Cinema

 

De Nat√°lia Nunes:

  • acabei de ler¬†Assembleia de Mulheres
  • acabei de ler¬†O Caso de Zulmira L.
  • acabei de ler¬†Ao menos um Hipop√≥tamo
  • acabei de ler A Nuvem. Est√≥ria de Amor
  • comecei a ler As Batalhas que n√≥s perdemos

 

De Cristina Carvalho:

  • continuo a ler¬†R√≥mulo de Carvalho / Ant√≥nio Gede√£o¬†Pr√≠ncipe Perfeito
  • quase a acabar de ler¬†At√© j√° n√£o √© adeus

 

De António Gedeão:

  • continuo a ler¬†Obra Completa
05
Jan24

O que torna um livro num cl√°ssico?

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Quem acompanha o Livrologia sabe do meu profundo amor pelos cl√°ssicos.

Atribuir a um livro a categoria de cl√°ssico¬†pode ser um tema controverso, que pode resultar em opini√Ķes distintas, consoante a experi√™ncia de cada leitor.

Para mim um clássico terá obrigatoriamente de conter algumas características específicas, mas de uma forma geral deverá ser uma obra com qualidade, intemporal e universal.

A literatura clássica é uma expressão da vida, da verdade e da beleza, de elevada qualidade artística, considerando, obviamente, a época em que foi escrita.

Um clássico, antes de o ser, não teve obrigatoriamente de ser um sucesso de vendas. Aliás, um best seller não significa automaticamente qualidade literária.

Se um livro foi publicado num passado recente, n√£o √© um cl√°ssico, embora o termo cl√°ssico moderno possa ser aplicado a livros escritos depois da II Guerra Mundial. Um livro precisa de longevidade, de algumas gera√ß√Ķes, para alcan√ßar a designa√ß√£o de cl√°ssico.

Para ser um cl√°ssico, um livro precisa de envelhecer bem, o que significa que ter√° que fazer sentido para gera√ß√Ķes vindouras. As grandes obras liter√°rias s√£o intemporais e universais, conseguindo tocar leitores de qualquer parte do mundo e de qualquer gera√ß√£o. Temas como o amor, o √≥dio, a morte, a vida e a f√©, por exemplo, abordam algumas das nossas respostas emocionais que s√£o transversais a qualquer ser humano.

Sendo relevante para v√°rias gera√ß√Ķes, um cl√°ssico para o ser necessita de abordar temas universais √† condi√ß√£o humana de forma a que resista √† passagem do tempo. O mesmo leitor pode ler o mesmo cl√°ssico em diferentes fases da vida e descobrir diferentes perspectivas.

Um clássico será marcadamente universal e irá inspirar não só os leitores, mas também outros escritores.

13
Dez23

A leitura é o meu ópio

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V√≠cios tenho poucos, mas um que me acompanha desde a inf√Ęncia √© a obsess√£o por livros, o fasc√≠nio pela leitura.

Para mim, o livro é uma experiência imersiva, em que posso percorrer a mente do autor, mas também a vida e vivências das personagens.

Ambos permitem-me viver o pior e o melhor que o mundo tem, sem sair das p√°ginas de um livro.

Refugiar-me num livro em busca de respostas não é a evasão da realidade, antes pelo contrário, é uma forma mais complexa de olhar para o mundo para compreendê-lo. O que significa que não tenho de esperar anos de existência como ser humano para vivenciar momentos que, de outra forma, jamais viveria. 

09
Dez23

E o que é a ficção senão o mimetismo da realidade?

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Nestes √ļltimos dias a leitura tem sido a minha fuga √† realidade.

Talvez pelas nuvens que escondem a luz da minha janela, tornando-a menos transparente, o que me leva a querer fugir para outros mundos que n√£o o meu.

Não sei se é um mau hábito escapar da realidade, mas faço-o muitas vezes através dos livros.

Num outro mundo, mesmo que ficcional, ganho uma nova perspectiva. 

E o que é a ficção senão o mimetismo da realidade?

27
Nov23

Margin√°lia, quando um leitor conversa com um livro

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Sublinhar e tomar notas nos  livros é uma prática antiga e agora há leitores anónimos a oferecer, a trocar e até a vender os seus próprios exemplares anotados.

Escrever nas margens de um livro tem um nome, chama-se margin√°lia.

O termo surgiu com o poeta inglês Samuel Taylor Coleridge que praticou a marginália em mais de 450 livros ao longo da sua vida. Outros lhe seguiram os passos como Jean-Paul Sartre, Jack Kerouac, Vladimir Nabokov, William Blake, Edgar Allan Poe e Mark Twain que foram ávidos anotadores.

Desde rabiscos, reac√ß√Ķes a acontecimentos do livro, notas sobre as personagens, coment√°rios anal√≠ticos ou cr√≠ticos, esta √© a forma de um leitor conversar com um livro.

Apesar de muitos considerarem um sacrilégio escrever nas páginas de um livro, como eu, podemos escrever em post-its ou em notas de papel que deixamos ficar por entre as páginas. Muitas das minhas notas são partilhadas aqui no blog, outras mantém-se privadas.

Ler pode ser um acto solitário, mas não significa que no seu silêncio não haja conversa.

H√° muito conversa entre um leitor e o seu livro.

26
Nov23

A ética do ghostwriting no filme The Wife de Björn Runge

imageedit_3_2439485458.pngO ghostwriter - escritor fantasma - é uma escolha cada vez mais frequente pelas clebridades quando decidem publicar as suas autobiografias.

Ghostwriting¬† √© a escrita de um determinado conte√ļdo para outras pessoas, que o publicar√£o como se fosse seu.¬†√Č uma pr√°tica comum n√£o s√≥ em autobiografias de celebridades, mas tamb√©m em livros t√©cnicos, gui√Ķes cinematogr√°ficos, artigos de revistas e muito mais.

 O ghostwriter é um escritor profissional que é contratado para escrever em nome de outra pessoa. Geralmente, são escritores experientes em vários estilos e géneros de escrita e escrevem em estreita colaboração com os seus clientes de modo a compreender as suas ideias, os seus objectivos e os resultados que pretendem.

E quanto à ética? Até que ponto é desonesto e enganador apresentar um livro com o seu nome na capa e ter sido escrito por outra pessoa?

Tudo se resume a uma questão de transparência.

Se o objectivo √© enganar propositadamente o p√ļblico √© claramente anti-√©tico, mas se o leitor √© informado de que o livro foi escrito com a colabora√ß√£o do ghostwriter, n√£o me parece desonesto.

Nem todas as pessoas têm talento para a escrita e quem quiser, por exemplo, partilhar a história da sua vida, em estreita colaboração com um ghostwriter, poderá fazê-lo de uma forma íntegra e transparente.

No caso espec√≠fico retratado no filme The Wife realizado por¬†Bj√∂rn Runge - que aconselho vivamente a verem - o ghostwriting √© utilizado para enganar o p√ļblico, o que levanta s√©rias quest√Ķes √©ticas.

24
Nov23

O facto de não se poder comprar livros não é um impedimento para ler

imageedit_3_2439485458.png

Não basta o incentivo à leitura, se não há acesso aos livros.

E quando me refiro ao acesso aos livros estou a falar de bibliotecas, de livrarias, de acesso digital, gratuito ou pago.

Claro que com o advento da tecnologia a compra de livros tornou-se muito mais fácil, mas houve tempos pré-tecnologia em que as livrarias físicas rareavam em certas áreas geográficas e, existindo, tinham uma oferta muito limitada.

A pandemia veio alterar o paradigma e as poucas livrarias que ainda n√£o vendiam livros ‚Äėonline‚Äô passaram a faz√™-lo. N√£o s√≥ livrarias, mas tamb√©m alfarrabistas e plataformas como o OLX e a Trade Stories.

Como leitora adoro comprar um livro e guard√°-lo na estante ap√≥s a leitura, especialmente se se tornou num dos meus preferidos. N√£o fa√ßo quest√£o que o livro seja novo. Os livros novos custam em m√©dia entre 15 e 25 euros, tornando a leitura um h√°bito demasiado caro. Valha-nos as feiras do livro e as promo√ß√Ķes, ainda assim torna-se insustent√°vel para quem l√™ muito.

Sempre que possível opto pela compra de livros usados. Os preços são geralmente mais apelativos entre 5 e 15 euros em média.

Mas há um limite para a quantidade de livros que consigo guardar, por isso opto muitas vezes pela biblioteca municipal ou pelo livro digital. Claro que a biblioteca nem sempre tem os livros que quero ler. Para isso teria que frequentar várias bibliotecas, o que  é humanamente impossível para mim. Ainda assim, tem sido graças à biblioteca a leitura de muitos livros a custo zero.

Livros digitais nunca comprei nenhum. Pelo mesmo pre√ßo opto sempre pelo livro em papel. Muitos deles leio-os gratuitamente ‚Äėonline‚Äô em sites como Project Gutenberg¬†ou na Open Library. A maioria s√£o em ingl√™s ou em portugu√™s do Brasil.

Quem tem muita sede de leitura encontra sempre um meio de ler livros e o facto de não se poder comprar livros não é um impedimento para ler.

Quanto mais leio menos sei
Tudo o que escrevi para o Desafio de Escrita dos P√°ssaros est√° aqui!
Já começou a viagem pelo mundo da Gata Borralheira.
Cinema e literatura num só.
Venham também!
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Notícias literárias ou assim-assim em Operação Bookini
Espreitem as bookinices
A autora deste blog n√£o adopta o novo Acordo Ortogr√°fico.

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