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Livrologia

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17
Fev24

Vinicius de Moraes | Cinema

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Vinicius de Moraes começou a escrever críticas cinematográficas em 1941. A partir daí, o seu relacionamento com o mundo cinematográfico atravessou quase todas as áreas. Para além de crítico, foi também produtor, roteirista, delegado e presidente de festivais de cinema nacionais e internacionais e autor de bandas sonoras.

Em 1946, vai para Los Angeles e conhece grandes nomes de Hollywood. Estuda cinema em 1947 com Orson Welles e lança internacionalmente a revista Film, com o então jovem crítico brasileiro Alex Viany. 

Deixou-nos as suas crónicas sobre o cinema do seu tempo, sendo uma perspectiva interessante comparativamente ao século XXI.
10
Fev24

De início, ouvido afinado, o coro da igreja

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Em 1924 Vin√≠cius passou a freq√ľentar o Col√©gio Santo In√°cio, dos jesu√≠tas,¬†que seria bastante importante em sua forma√ß√£o cultural, pois foi l√° que suas habilidades se desenvolveram e onde conheceu¬†dois¬†grandes¬†amigos:¬†Moacyr¬†Velloso¬†Cardoso de Oliveira e Renato Pomp√©ia da¬†Fonseca Guimar√£es.

"De início, ouvido afinado, o coro da igreja; depois, o futebol (...jogava na linha...) e várias modalidades de atletismo, em que se distinguiu. 

E¬†tamb√©m¬†ganhou¬†muitas¬†medalhas¬†e¬†men√ß√Ķes honrosas em Portugu√™s, Hist√≥ria, Ci√™ncias... mas nunca em Matem√°tica! (...)"

in¬†Vinicius de Moraes, cr√≠tico de cinema de¬†Afr√Ęnio Mendes Catani

10
Fev24

√Č um mundo onde h√° milion√°rios, gastos por dentro

Chaplin √© um imenso tr√°gico porque o mundo onde colocou o seu l√≠rico vagabundo √© um mundo tr√°gico. √Č um mundo onde h√° uma linda ceguinha, a quem Carlitos n√£o pode deixar de amar - e que maior trag√©dia? √Č um mundo onde h√° milion√°rios, gastos por dentro, que oprimem a todos, que compram tudo, que t√™m o que querem e no entanto est√£o sempre √† beira do suic√≠dio - e que maior trag√©dia?

in Cinema de Vinicius de Moraes

09
Jan24

Vinícius abria o Thesouro da Juventude e ia copiando ou imitando as poesias que encontrava

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Seu pai foi um poeta inédito, pós-parnasiano, "com um pé no simbolismo".

Era conto familiar que Olavo¬†Bilac,¬†seu¬†amigo,¬†aconselhou-o a publicar seus versos. Al√©m¬†disso, o velho Clodoaldo era, tamb√©m, tocador de viol√£o e cantador de modinhas;¬†dona L√≠dia tirava tangos do piano; idem¬†quanto ao seu av√ī. E seu tio mais mo√ßo,
Henrique de Mello Moraes, bo√™mio e seresteiro, vira e mexe baixava na Ilha com¬†o grande amigo, o compositor Boror√≥ e¬†mais dois viol√Ķes.

Quando n√£o havia sarau de m√ļsica o jovem Vin√≠cius abria o¬†Thesouro da Juventude e ia copiando ou¬†imitando¬†as¬†poesias¬†que¬†encontrava.¬†Assim, os concorridos saraus musicais em fam√≠lia, bem como a intensa leitura e c√≥pia de poemas desde a inf√Ęncia,¬†marcaram-no por toda a vida.

in¬†Vinicius de Moraes, cr√≠tico de cinema de¬†Afr√Ęnio Mendes Catani

09
Jan24

Vós, cidadãos homens, representantes de um mundo

V√≥s, cidad√£os homens, representantes de um mundo a que governais e, de uma civiliza√ß√£o a que destes forma: fazeis governos homens de todas as classes e profiss√Ķes, que os derrubais, que criais culturas e as deitais por terra, que fabricais guerras e morreis nelas que vindes crescendo e vos aprimorando ser her√≥ico a perseguir a lua desde a treva das origens; v√≥s, homens do tempo, criaturas solit√°rias, donos da cria√ß√£o e escravos de v√≥s mesmos; v√≥s, inventadores do t√©dio e do ressentimento, portadores da verdade e da mentira absolutas, perseguidos da tristeza, da alegria prec√°ria e ef√©mera, sempre contingenciado, pelo vosso limite a que, no entanto, n√£o aceitais...

Vós que sufocais a mulher, que a mantendes com pulso de ferro ao nivel que gostais de chamar "a sua inferioridade física e intelectual"; vós que amais a mulher nas suas algemas, porque temeis a sua liberdade para amar; vós, que, porque temeis a realidade da mulher, a desprezais e maltratais, e porque a desprezais recebeis em paga o artifício e a traição...

in Cinema de Vinicius de Moraes

 

02
Jan24

Eram pencas de presentes, por vezes presentes de pai abastado

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Clodoaldo Pereira da Silva Morais [pai de Vinicius de Moraes] era, nas palavras de Vinícius, um homem generoso.

"Fosse ele um homem rico, e nunca filhos teriam tido mais. Sempre me lembra os Natais passados na pequena casa da Ilha do Governador, e a maratona que fazíamos, meus irmãos e eu, quando o bondinho que o trazia do Galeão, onde atracavam as barcas, rangia na curva e se aproximava bamboleante e cheio de luzes, do ponto de parada junto à grande amendoeira da Praia de Cocotá. Eram pencas de presentes, por vezes presentes de pai abastado como o jogo de peças de armar, certamente de procedência americana, com que me regalou e com que construí, anos a fio, pontes, moinhos, edifícios, guindastes e tudo o mais. E os fabulosos Almanaques do Tico-Tico, lidos e relidos, e de onde, uma vez exaurida a matéria, recortávamos as figuras queridas de Gibi, Chiquinho, Lili e Zé Macaco".

in¬†Vinicius de Moraes, cr√≠tico de cinema de¬†Afr√Ęnio Mendes Catani

02
Jan24

Adeus, John Ford

Adeus, John Ford, velho irlandês áspero de fundos sulcos no rosto macerado. Adeus, desbravador de petróleos horizontes, macho insigne do cinema, fabricante de heróis displicentes sempre a conquistar glória com um sorriso de descrença.

Adeus, intratável diretor de homens intratáveis, conquistador de terras inóspitas, violador de cordilheiras, guerreiro duro e incansável a perseguir o inimigo até ao fim, a tocaiá-lo para o cara a cara, sem meias medidas.

Acabastes, John Ford, acabastes, depois de um glorioso passado de lutas - transformado agora num anci√£o perplexo e gasto, a repetir-se no eco de velhos temas org√Ęnicos, ora esvaziados de mat√©ria.

in Cinema de Vinicius de Moraes

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