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Livrologia

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04
Dez20

Tudo o que marcava a vida intelectual do nosso país passava pela Travessa das Mónicas

Fingir que nada se passava. Fingir que a mudança não era imperativa Fingir era um pecado tão grande como tantos. Para a poeta, não fazer nada também era fazer mal. Por omissão.
(...)
O tempo era de ditadura e a poesia tinha-se transformado num lugar de oposição, clandestinidade até. Nas escolas, trocavam-se volumes de poesia como quem desobedece. Na mesma turma de António Guterres e Luís Miguel Cintra, Nuno Júdice recorda a busca por livros que não faziam parte do programa.

Nos intervalos, no Liceu Camões, em Lisboa, cambiavam-se conquistas literárias. Ora Guterres chegava dizendo, orgulhoso, que tinha acabado de comprar um exemplar de Sophia, Geografia; ora Cintra trazia o Livro Sexto de presente a Nuno Júdice, aniversariante no mesmo dia do amigo encenador. «Procurávamos tudo o que fosse contra a ditadura. Livro Sexto, que é importantíssimo, tem muitos textos com forte componente política. Sophia marcou toda aquela geração».

(...)

Marcou pelos serões literários, ou talvez mais ainda, pelos serões políticos que norteavam uma nova visão do país, realizados na casa da poeta e do contestatário marido. Eram os míticos serões. Na mítica Travessa das Mónicas. Com o mítico casal Sophia e Francisco Sousa Tavares. Símbolo de um período da história de Portugal, o da oposição à ditadura.
(...)
Arriscando a perseguição da PIDE caso fosse ouvido em locais públicos, quem queria questionar o regime fazia-o em tertúlias ou sessões de poesia organizadas no resguardo das habitações de intelectuais lisboetas. A morada de Sophia e Sousa Tavares, no primeiro andar do número 57 da Travessa das Mónicas, torna-se um desses baluartes de resistência.
(...)
Tudo o que marcava a vida intelectual do nosso país passava pela Travessa das Mónicas. E eu cresci ouvindo tudo isto. Era uma casa cheia de imprevistos. Era uma casa cheia.

in Sophia de Mello Breyner Andresen de Isabel Nery

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